Combate ao Mosquito
Agronegócio

Agricultores em Mato Grosso denunciam descontos abusivos na classificação da soja: o que está acontecendo?

2025 word1
Grupo do Whatsapp Cuiabá

Produtores de soja em Mato Grosso, além de passarem dificuldades com a colheita do grão diante do excesso de chuvas durante a temporada 2024/25, estão enfrentando problemas com descontos abusivos na classificação da oleaginosa.

Na região do Vale do Araguaia, produtores relatam que o produto classificado na propriedade com 8% a 10% de grão avariado, chegam a ser classificados na ponta em 26%.

O agricultor Fábio Costa Biancalana conta ao Patrulheiro Agro desta semana que já ficaram cerca de 10 dias sem ver o sol e que a sorte era que tinham silo-bolsa para amenizar as perdas. 

“O que tem de maquinário está no campo, vamos ver se colhemos o mais rápido possível porque a chuva, ela vem de novo”, comenta. 

Nesta safra o agricultor cultivou 3,8 mil hectares de soja. Até o momento, segundo ele, 80% da produção foi comercializada e quase metade dos contratos negociados foram entregues.

“Eu estou fazendo uma prévia em ver a qualidade dos produtos para poder ver quanto tempo que eu posso segurar sem enviar para trading e não prejudicar o que tem ainda para colher”, conta. 

Fábio explica que na classificação a conversa das empresas é de parceria, mas que não é dessa forma que acontece. “Está havendo recusa de carga com determinado valor acima de avariado”.

 O coordenador administrativo do Grupo Itaquerê, Gerlison Ferreira Viana, pontua que quando o produto sai da fazenda, os produtores têm  certeza de que vai chegar nas mesmas condições, mas no porto da diferença. 

“Isso gera um desconforto porque tem a questão da umidade e do grão avariado, a que você manda ali  um produto de 8% a 10% de avariado você tem a certeza que você classificou e fez a classificação, mas teve caso que chegou com 23%, 26% de avariado. É uma discrepância muito considerável nessa operação”, explica Gerlison. 

Ele ainda comenta que precisou acionar o Classificador Legal da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) para que a atuação do produto fosse feita. Alguns contratos chegavam até 10%, impactando o custo do produto final. 

“E teve resultado, foi lá atuou e depois da atuação as coisas normalizaram, então só tenho a agradecer e parabenizar a Aprosoja-MT pela parceria”, frisa. 

Nesta safra o Grupo Itaquerê cultivou 6.230 hectares de soja na região de Água Boa.

Classificação do Mapa e da Aprosoja-MT 

A classificadora do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Jaqueline Arantes Faria, explica que a maior parte das empresas sabem como funciona o regulamento para a classificação e que muitas vezes, não utilizam o material necessário para a operação. 

“Falam para gente que elas têm as regras próprias delas, o procedimento da empresa… E eu até questiono se elas estão acima da lei porque existe uma normativa que regulamenta o procedimento”, diz. 

Jaqueline ainda explica que algumas empresas nem possuem os equipamentos e que utilizam uma “pazinha” e até mesmo, pegam as amostras com a mão. “Isso aí da interferência, é totalmente errado. Eles têm que atender os critérios, o produtor está sendo prejudicado totalmente”. 

De acordo com a classificadora de grãos credenciada pelo Mapa, desde o início da colheita da safra 2024/25 foram registradas no Vale do Araguaia 30 ocorrências de divergências na classificação de soja.

O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Beber, comenta que algumas empresas se aproveitam de safras que enfrentaram um clima ruim para aplicar descontos abusivos nos produtores. 

“Por isso nós temos o Classificador Legal que visa justamente fazer o certo. E todos são credenciados pelo Mapa. O importante é o produtor estar sempre de olho para acionar o Classificador e caso necessário também usar um advogado, usar as provas e todos os recursos que ele tem e o Classificador serve para isso também, acionar judicialmente essas empresas”, frisa. 

Nos últimos quatro anos, o programa Classificador Legal da Aprosoja-MT, evitou perdas superiores a 25 milhões de reais para os agricultores (R$ 25.031.584,02) – uma média de R$ 3.664,41 por carga. 

O cálculo considera arbitragens sobre descontos em grãos avariados, com base no preço médio do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Com 6.831 laudos emitidos, a entidade reforça que o programa garante mais segurança e justiça na classificação.

“O que falta é um pouco de bom senso, nós não podemos matar a galinha dos ovos de ouro, ou seja, se matamos a galinha o ovo vai deixar de existir. Se as empresas que recebem o produto não colaborarem, o agricultor vai carecer e o agricultor, carecendo, vai ficar cada vez mais necessitado ou vai parar. Vai sair da área dando problema para as tradings que precisam da gente para produzir bem”, finaliza o agricultor Altair José Kolln.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro

Clique aqui, entre em nossa comunidade no WhatsApp do Dia de Ajudar Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

Fonte: canalrural

Sobre o autor

Avatar de Redação

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.