Economia

Acordo Mercosul-União Europeia: Empresários Brasileiros otimistas

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Entidades representativas do empresariado brasileiro reagiram de forma positiva à aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, concluído após mais de duas décadas de negociações. O aval do bloco europeu foi concedido nesta sexta-feira (9), ao atingir o apoio mínimo de 15 dos 27 países-membros, que juntos representam pelo menos 65% da população da União Europeia.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou o avanço como um passo relevante para ampliar a inserção internacional do Brasil e fortalecer o setor industrial. Segundo a entidade, em 2024 a União Europeia respondeu por 14,3% das exportações brasileiras. A cada R$ 1 bilhão exportado ao bloco, foram gerados 21,8 mil empregos, com impacto de R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a decisão cria condições políticas para a assinatura definitiva do tratado. Ele destaca que a expectativa é transformar o avanço institucional em oportunidades concretas de comércio, investimentos e aumento da competitividade da indústria nacional.

A CNI também aponta potencial de crescimento das relações comerciais com países do Leste Europeu, como República Tcheca, Polônia e Romênia, onde os fluxos comerciais com o Brasil ainda são modestos, mas apresentam espaço para expansão, especialmente nos setores industrial, tecnológico e de consumo.

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) classificou o acordo como um marco estratégico para o setor, ao facilitar o acesso a um dos maiores mercados consumidores do mundo, estimular investimentos e fortalecer a inovação alinhada a práticas de sustentabilidade e critérios ESG.

De acordo com o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, o entendimento cria um ambiente mais previsível para investimentos, com destaque para áreas como bioeconomia, química de base renovável e energia limpa.

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) também avaliou a iniciativa como essencial diante de um cenário global marcado por tensões geopolíticas. A entidade projeta que as exportações do setor eletroeletrônico para a União Europeia possam crescer entre 25% e 30% no médio prazo, além de favorecer a diversificação de fornecedores de insumos.

Reação das federações industriais

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestou entusiasmo com o acordo, mesmo reconhecendo limitações no texto final. Para a entidade, o entendimento é abrangente e deve alterar de forma significativa a dinâmica de negócios, investimentos e comércio entre os países envolvidos.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que o desafio agora será interno, com foco em inovação, produtividade e busca constante por excelência, ressaltando que a indústria brasileira tem condições de competir em igualdade com o mercado europeu.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) destacou que a aproximação entre Mercosul e União Europeia tende a impulsionar a corrente de comércio, atrair investimentos e contribuir para o crescimento do Produto Interno Bruto industrial, em um ambiente internacional instável.

Já a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) avaliou o acordo de forma positiva, mas ressaltou a necessidade de cautela na análise de seus impactos. Entre 2021 e 2025, as exportações mineiras para a União Europeia somaram cerca de US$ 31 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 13,38 bilhões, resultando em saldo comercial positivo.

A Fiemg avalia que setores como café, mineração, siderurgia, celulose e cadeias industriais integradas devem ser os principais beneficiados, mas alerta para a necessidade de atenção especial a segmentos mais sensíveis à concorrência externa e a exigências regulatórias.

No setor agropecuário, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, considerou a aprovação um avanço relevante após anos de debates. Ele afirmou que medidas protecionistas adotadas por outros países reforçam a importância de acordos bilaterais que ampliem o alcance do comércio brasileiro, defendendo também salvaguardas para proteger cadeias produtivas nacionais.

Fonte: cenariomt

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