Mato Grosso registrou a menor taxa de abstenção em um segundo turno presidencial desde 2002 nas eleições deste domingo (25). Dos 2.637.879 eleitores aptos a votar, 552.545 não compareceram às urnas, o equivalente a 20,95% do eleitorado. O percentual também ficou abaixo dos 22,20% registrados no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
A redução representa 33.123 ausências a menos entre os dois turnos da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Ao todo, 2.085.334 eleitores participaram da votação decisiva, contra 2.052.133 na primeira etapa, um aumento de 33.201 votantes.
A diferença entre o crescimento do comparecimento e a redução das abstenções se deve à atualização do eleitorado apto, que passou de 2.637.801 para 2.637.879 pessoas entre os dois turnos.
O resultado interrompe uma sequência de eleições presidenciais em que Mato Grosso registrou taxas superiores de ausência na votação decisiva. Em 2022, a abstenção no segundo turno foi de 22,53%, com 556.344 eleitores ausentes. Em 2018, o percentual chegou a 26,23%, o maior registrado em segundos turnos presidenciais no estado desde a redemocratização, conforme a série histórica analisada.
Em 2014, a ausência atingiu 25,43% dos eleitores, enquanto em 2010 foi de aproximadamente 26,06%. Nas eleições de 2006 e 2002, os percentuais foram de 24,14% e 28,50%, respectivamente.
A comparação com os pleitos mais antigos mostra que a abstenção no segundo turno de 2026 também ficou abaixo da registrada em 1989, quando 279.703 eleitores deixaram de votar, aproximadamente 27,21% do eleitorado da época.
Embora o número absoluto de ausentes em 2026 seja superior ao observado em diversas eleições anteriores, o crescimento do eleitorado altera a comparação. Em 1989, Mato Grosso tinha pouco mais de 1 milhão de pessoas aptas a votar. Neste ano, esse contingente ultrapassou 2,6 milhões.
Brancos e nulos também recuam
Além da redução da abstenção, o segundo turno de 2026 registrou queda nos votos brancos e nulos para presidente da República. Os votos em branco passaram de 20.756 no primeiro turno para 15.431 no segundo, uma redução de 25,7%. Já os nulos diminuíram de 38.089 para 24.637, recuo de 35,3%.
Somadas, as duas modalidades representaram 40.068 votos no segundo turno, o equivalente a 1,92% dos eleitores que compareceram às urnas. No primeiro turno, foram 58.845 votos brancos e nulos, ou 2,87% dos votantes.
O resultado também representa uma redução em relação a 2022, quando o segundo turno registrou 16.317 votos em branco e 27.398 nulos, totalizando 43.715 votos, ou 2,29% do comparecimento.
A queda é ainda mais expressiva na comparação com 2018. Naquele ano, 23.071 eleitores votaram em branco e 60.981 anularam o voto no segundo turno presidencial. Juntos, foram 84.052 votos, equivalentes a 4,89% dos participantes.
Nos pleitos anteriores, os votos brancos e nulos também apresentaram oscilações. Em 2014, somaram 49.614 no segundo turno; em 2010, foram 55.807; em 2006, 40.803; e, em 2002, 45.242.
Com a maior participação e a redução dos votos brancos e nulos, o número de votos válidos para presidente passou de 1.993.288 no primeiro turno de 2026 para 2.045.266 no segundo, um acréscimo de 51.978 votos.
Série histórica mostra diferenças entre os pleitos
O levantamento das eleições presidenciais desde 1989 mostra que a abstenção em Mato Grosso variou significativamente, tanto entre eleições quanto entre os dois turnos de um mesmo pleito.
- 2026:22,20% no primeiro turno e 20,95% no segundo turno.
- 2022:23,38% no primeiro turno e 22,53% no segundo turno.
- 2018:24,55% no primeiro turno e 26,23% no segundo turno.
- 2014:22,91% no primeiro turno e 25,43% no segundo turno.
- 2010:20,96% no primeiro turno e 26,06% no segundo turno.
- 2006:20,13% no primeiro turno e 24,14% no segundo turno.
- 2002:22,16% no primeiro turno e 28,50% no segundo turno.
- 1998:29,00% no primeiro turno. Não houve segundo turno.
- 1994:26,76% no primeiro turno. Não houve segundo turno.
- 1989:22,71% no primeiro turno e 27,21% no segundo turno.
O primeiro turno de 1998 apresentou a maior taxa de abstenção entre os primeiros turnos da série analisada: 29% do eleitorado deixou de votar. Na ocasião, foram 439.757 ausências entre 1.516.451 eleitores aptos.
Já em 1994, quando a eleição presidencial também foi decidida em turno único, a abstenção atingiu 26,76%. Os votos brancos e nulos somaram 165.369, equivalentes a 17,65% do comparecimento, percentual muito superior ao registrado nas eleições recentes.
Em 1998, brancos e nulos totalizaram 168.641 votos, ou 15,66% dos participantes. No primeiro turno de 2026, essa proporção foi de 2,87%, caindo para 1,92% no segundo.
A série histórica evidencia, portanto, duas tendências distintas: a oscilação da abstenção ao longo das eleições e a redução expressiva da proporção de votos brancos e nulos na comparação com os pleitos da década de 1990.
Fonte: Olhar Direto





