A professora Débora Garofalo, reconhecida internacionalmente por seu trabalho com robótica educacional, defendeu uma aprendizagem baseada na prática, na criatividade e na experimentação. Em entrevista, a educadora afirmou que o processo de ensino deve permitir que o estudante erre, idealize, construa e teste soluções para desenvolver competências essenciais para o futuro.
Professora da rede pública municipal de São Paulo, Débora iniciou em 2015 um projeto de robótica utilizando materiais recicláveis em uma escola localizada na periferia da capital paulista. A iniciativa ganhou destaque nacional e internacional, levando a educadora ao grupo dos dez finalistas do Global Teacher Prize em 2019, sendo a primeira brasileira e sul-americana a alcançar esse feito.
Uma década após o início do projeto, ela recebeu o prêmio Global Teacher Influencer of the Year, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O reconhecimento foi concedido pelo impacto de sua atuação além da sala de aula, especialmente na criação e expansão de políticas públicas voltadas à inovação educacional.
Segundo a professora, a ideia surgiu após uma pesquisa realizada com os estudantes, na qual cerca de 70% apontaram o lixo acumulado nas ruas como um problema que afetava diretamente a comunidade. Diante desse cenário, ela decidiu transformar o desafio em oportunidade de aprendizagem.
O primeiro protótipo desenvolvido pelos alunos foi um carrinho construído com materiais descartados e impulsionado por uma bexiga, utilizando princípios da Terceira Lei de Newton. A atividade despertou rapidamente o interesse dos estudantes e impulsionou a expansão do projeto dentro da escola.
Ao longo de três anos e meio, a iniciativa registrou resultados expressivos. De acordo com Débora, a escola elevou seu índice no Ideb dos anos finais de 4,2 para 5,2, retirou mais de uma tonelada de resíduos das ruas e reduziu a evasão escolar em 93%. O trabalho também contribuiu para a diminuição do trabalho infantil em 95%, segundo dados apresentados pela educadora.
O projeto ganhou escala e se transformou em política pública no estado de São Paulo. Débora participou da implementação de um currículo de tecnologia e inovação voltado para 5,4 mil escolas e cerca de 3,7 milhões de estudantes. A iniciativa também resultou na criação de centros de inovação instalados em unidades escolares anteriormente subutilizadas.
Posteriormente, a educadora atuou no Rio de Janeiro, colaborando na estruturação dos Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs), que alcançaram 300 escolas voltadas ao uso de tecnologia e inovação.
Ao comentar os desafios da educação brasileira, Débora ressaltou que a tecnologia deve estar integrada ao desenvolvimento do pensamento crítico, da ética e da responsabilidade. Para ela, apenas restringir o uso de celulares nas escolas não resolve os problemas da aprendizagem.
A professora defende a ampliação da educação midiática e da formação docente para o uso consciente das tecnologias. Segundo ela, é necessário preparar estudantes para compreender e utilizar os recursos digitais de forma crítica e responsável.
Débora também destacou que inovação não depende exclusivamente de equipamentos tecnológicos ou do uso constante de telas. Na avaliação da educadora, o fator determinante é a intencionalidade pedagógica e a capacidade de transformar desafios cotidianos em oportunidades de aprendizagem.
Recentemente, ela lançou o livro Robótica com Sucata – Uma aventura pela criatividade, que apresenta atividades práticas voltadas ao desenvolvimento da criatividade e da cultura maker nas escolas. A obra busca ampliar o acesso de professores e estudantes a metodologias que incentivem a construção de soluções por meio da experimentação.
Para a professora, uma aprendizagem efetiva exige participação ativa dos alunos. Nesse contexto, ela reforça que o estudante deve ter espaço para errar, testar hipóteses, colaborar com os colegas e desenvolver projetos que estimulem a autonomia e a resolução de problemas.
Fonte: cenariomt





