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Araras-Azuis Recebem Proteção em Ninhos Artificiais no Pantanal e se Encantam em Piscina Natural Sem Cloro

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Um casal de araras-azuis que vive há 24 anos em ninhos artificiais instalados para ajudar na conservação da espécie foi flagrado bebendo água em uma piscina-praia sem cloro, em uma pousada de Poconé, no Pantanal de Mato Grosso. As aves frequentam livremente o espaço, que utiliza um sistema de tratamento com ozônio e luz ultravioleta.

Por trás da cena curiosa está um projeto de preservação iniciado há mais de três décadas, que já resultou no plantio de mais de 200 árvores para garantir futuros locais de reprodução das araras.

O proprietário André Thuronyi, que está à frente do empreendimento desde 1991, compartilhou a trajetória do projeto para a proteção e multiplicação da espécie. Ele explicou que a área onde hoje funciona a pousada tem raízes históricas na região e a motivação por trás do cuidado com as aves. Confira vídeo:

Casal de araras-azuis foi flagrado bebendo água em piscina de pousada. – Vídeo: Pousada Eco Lodge

“O Pantanal é plano, é uma planície. Então, para você enxergar onde está, você precisa ter uma torre, uma coisa para subir. Na época, em 91, nós não tínhamos essa facilidade com os drones. Que hoje em dia é drone, é imagem de satélite, uma série de facilidades. Na época, nós não tínhamos essa facilidade e eu achei essa árvore a 200 metros da pousada e construí nela um mirante, o mirante da Garça”, explicou Thuronyi.

O que parecia apenas uma solução turística revelou um impacto ambiental imprevisto, que acabou se transformando na principal bandeira ecológica do local. Uma vez que essa árvore era um pé de Manduvi, com um oco perfeito para ninhos de arara.

Segundo ele, 78% dos ninhos de araras na natureza são encontrados nessas árvores e que, após perceber o impacto da construção, decidiu iniciar um projeto para reverter essa pegada ecológica, multiplicando a proteção das aves.

“Todos os anos eu plantava uma quantidade de Manduvi. Fazia as mudas, comprava de várias maneiras e plantava em vários espaços escolhidos e bem pensados. Para garantir o ninho futuro desses animais, nessas árvores, e também me redimir do fato de eu ter inutilizado o ninho natural. Então eu cobri o meu impacto. Hoje eu diria que temos um pouco mais de 200 árvores adultas, sendo que uma árvore dessas precisa de 60 anos para ter um tronco largo o suficiente para um ninho de arara”, pontuou.

Como o crescimento das árvores exige tempo a longo prazo, o projeto incorporou medidas imediatas de suporte à reprodução e à alimentação das aves em uma reserva de cerca de 2.800 hectares.

O proprietário explica que, além das mudas, foram criados ninhos artificiais em posições estratégicas ao longo da hospedaria, sempre próximos de Palmeiras Acuri, uma espécie nativa que serve como fonte principal de alimentação das araras e é muito importante para o Pantanal mato-grossense.

O casal de araras

André também explicou ao Primeira Página que o casal de araras que aparece no vídeo vive na propriedade desde 2002, sendo comum vê-las passeando pelo local e bebendo água da piscina, que possui sistema de ozonização e luz ultravioleta para uma limpeza mais natural e segura aos animais.

“Esse casal de araras ocupou um ninho que eu tinha ali, um ninho artificial. E, hoje, nós estamos já na terceira versão desse ninho. Ele vai estragando, vai apodrecendo e nós trocamos. Então elas estão hoje há 24 anos vivendo nesse ninho de Tarumã e se alimentando das palmeiras de Acuri que nós plantamos ao redor da pousada”, contou.

Por fim, o proprietário ressaltou que a convivência com os turistas ocorre de maneira totalmente natural e sem interferências na dieta dos animais. Destacando que há uma relação de fraternidade e harmonia entre todos no local.

Fonte: primeirapagina

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