A Fondation Maeght, primeira e mais importante instituição privada de arte da França, fica um pouco afastada do roteiro turístico mais tradicional do país. Erguida no Chemin des Gardettes, uma área elevada e charmosa próxima à vila medieval de Saint-Paul-de-Vence, na Côte d’Azur (a cerca de 25 km de Nice), a instituição combina arte, arquitetura modernista e a exuberante natureza do sul francês, marcada por pinheiros e ciprestes.
Além do espaço original, o local conta com galerias subterrâneas, inauguradas em 2024, uma biblioteca com mais de 35 mil volumes dedicados à arte moderna, o charmoso café-restaurante Sous les Pins e a Capela de Saint-Bernard, que abriga um crucifixo espanhol esculpido no século 11.
A seguir, descubra mais detalhes sobre a história da instituição e o que fazer por lá.
A história da fundação
A Fondation Maeght foi idealizada pelo casal Aimé e Marguerite Maeght, influentes negociantes de arte que mantinham galerias ao redor da França – de Paris a Cannes. A ideia de construir a fundação, contudo, surgiu após uma tragédia: a morte do filho mais novo do casal, Bernard, vítima de leucemia, em 1953.
Em meio ao luto, o pintor cubista Georges Braque encorajou os Maeght a canalizar a dor para a criação de um lugar dedicado inteiramente à exibição de arte, sob as melhores condições, sem fins lucrativos. Instituições como a Fundação Guggenheim e a Barnes Collection também serviram de inspiração para a elaboração do centro cultural.
Todo o complexo foi projetado pelo arquiteto catalão Josep Lluís Sert, com base no conceito de “arquitetura de vila mediterrânea”, um estilo tradicional inspirado nas regiões costeiras do sul da Europa e do norte da África, marcado pelo uso de terracota, concreto branco, luz natural indireta, pátios e uma forte conexão com a natureza. Durante a construção, diversos artistas se uniram a Sert para criar obras sob medida para os pátios, muros e jardins.
A Fondation Maeght foi oficialmente inaugurada em 28 de julho de 1964 pelo célebre escritor André Malraux, então Ministro dos Assuntos Culturais da França e amigo próximo do casal.
O que está exibido lá
A fundação possui uma das maiores coleções de arte moderna e contemporânea da Europa, com cerca de 13 mil obras em seu acervo permanente. Exibidas entre salas, jardins e pátios, elas incluem, por exemplo, o “Labirinto de Miró”.
Trata-se de um jardim de esculturas e cerâmicas criado pelo escultor e pintor espanhol Joan Miró, em colaboração com os ceramistas Josep Llorens Artigas e Joan Gardy Artigas. O viajante é convidado a percorrer um caminho ladeado por esculturas feitas de diferentes materiais – cerâmica, bronze, ferro, concreto e mármore. O percurso é guiado por uma linha branca pintada nos muros, que evoca o “fio de Ariadne”, da mitologia grega, e orienta o público em meio às criaturas e aos animais mitológicos e surreais espalhados pelo espaço.
Já o “Pático Giacometti” é uma das atrações mais lembradas da Fondation Maeght. Trata-se de um pátio aberto que abarca um conjunto de esculturas em bronze e gesso criadas pelo artista plástico suíço Alberto Giacometti, entre 1959 e 1960. Dentre elas, estão obras icônicas como o “Homme qui marche” (em português, “Homem que caminha”), “Femme debout” (“Mulher de pé”) e “Grande tête” (“Cabeça grande”). O próprio Giacometti definiu o posicionamento de cada peça no local.
A fundação também abriga duas belas obras do pioneiro modernista Marc Chagall. “Les Amoureux” — em tradução livre, “Os Amantes” — é um mosaico de pedras coloridas instalado na fachada externa da livraria. Já a monumental pintura “La Vie” (de 1964, para não confundir com a pintura homônima de Picasso, de 1903) integra as galerias internas da instituição. Ambas apresentam figuras flutuantes e elementos líricos, evidenciando as marcantes características da linguagem poética de Chagall.
Para os viajantes interessados em visitar a Fondation Maeght, o ingresso para adultos custa a partir de 18 euros, enquanto menores de 16 anos têm entrada gratuita. O espaço abre diariamente, das 10h às 18h (com horário estendido até às 19h nos meses de julho e agosto). Saiba mais
Fonte: viagemeturismo






