A Assembleia Legislativa de Mato Grosso instalou, na manhã desta quinta-feira (29), a Câmara Setorial Temática (CST) do Baru. O grupo terá prazo inicial de 45 dias, em 2026, para elaborar propostas de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva do fruto nativo do Cerrado.
Os trabalhos devem abordar medidas para ampliar a produção, incentivar o manejo sustentável, melhorar o processamento industrial e conquistar novos mercados. A iniciativa também pretende organizar informações sobre os produtores e as regiões onde o baru ocorre, além de identificar oportunidades para agregar valor à matéria-prima.
Câmara do baru terá prazo inicial de 45 dias
O presidente da CST, Jilson São Francisco da Silva, afirmou que o objetivo é reunir propostas para desenvolver a atividade e aproveitar seu potencial econômico. A previsão é apresentar uma versão preliminar das sugestões entre os dias 10 e 15 de dezembro.
Após essa etapa, a intenção é solicitar a renovação da Câmara a partir de fevereiro, na 21ª Legislatura, com mais 180 dias para aprofundar os estudos e concluir o trabalho.
Segundo Jilson da Silva, as recomendações serão encaminhadas ao Poder Executivo estadual, às secretarias e aos órgãos responsáveis por programas oficiais e políticas de desenvolvimento econômico. A proposta é contribuir para aperfeiçoar iniciativas existentes e formular novas medidas de apoio aos diferentes elos da cadeia do baru.
Tecnologia pode ampliar o processamento industrial
Um dos principais desafios da atividade é a industrialização. O secretário da CST, Ricardo Pavan, informou que uma máquina de tecnologia espanhola está sendo adquirida para viabilizar a primeira indústria de processamento de baru do Brasil.
O equipamento está em fase de validação em Mato Grosso e foi utilizado em testes durante a safra mais recente. A tecnologia permite quebrar o fruto e retirar a amêndoa, etapa importante para ampliar a capacidade de processamento e facilitar a comercialização em escala.
De acordo com Pavan, a máquina foi testada inicialmente na Europa e agora passa por avaliações com o estoque de frutos reunido na última safra. A expectativa é superar uma das principais limitações da cadeia produtiva: a dificuldade de processar grandes volumes de baru para atender à demanda comercial.
Polpa e amêndoa têm potencial de aproveitamento
Além da amêndoa, utilizada na alimentação humana, outras partes do fruto podem servir como matéria-prima para a indústria. A polpa, por exemplo, pode ser empregada na fabricação de ingredientes alimentícios e de ração animal.
Segundo Ricardo Pavan, esse material contém fibras, carboidratos e proteínas, além de apresentar propriedades prebióticas. Essas características ampliam as possibilidades de uso do baru em diferentes segmentos da indústria de alimentos.
O potencial de produção também chama a atenção. Conforme Pavan, uma árvore pode produzir cerca de 150 quilos de frutos por safra, enquanto alguns exemplares chegam a render entre 400 e 500 quilos. Para transformar essa capacidade em resultados comerciais, porém, é necessário desenvolver soluções tecnológicas que permitam processar os frutos em escala.
Seis eixos vão orientar os estudos
A CST pretende organizar as discussões em seis eixos, que abrangem produção, pesquisa científica, processamento industrial e comercialização. A proposta inclui parcerias com a Embrapa, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf).
Na área de produção, os estudos devem tratar da coleta, do plantio e da organização dos extrativistas. Também estão previstas ações de assistência técnica, incentivo ao cooperativismo e elaboração de um mapa da cadeia produtiva, com identificação de municípios, comunidades, cooperativas e áreas de ocorrência do fruto.
O eixo de ciência e nutrição deverá avaliar o potencial da semente, da polpa e do endocarpo, estrutura que envolve a semente. Já a frente de indústria e tecnologia vai discutir soluções para a quebra dos frutos, o processamento, a padronização e a logística.
Outro foco será a ampliação dos canais de comercialização. Entre as possibilidades em análise estão o mercado nacional, as exportações, o fornecimento para a merenda escolar e a criação de um selo de origem de Mato Grosso. As medidas buscam fortalecer a cadeia produtiva do baru, ampliar o aproveitamento do fruto do Cerrado e criar condições para que a atividade alcance novos mercados.
Fonte: cenariomt






