Os indicadores mostram que metade da renda anual das famílias está comprometida com dívidas bancárias, enquanto quase um terço é destinado ao pagamento de parcelas e juros. O cenário é impulsionado pelo custo elevado dos empréstimos e pela expansão de modalidades de crédito mais caras, como cartão de crédito e financiamentos sem garantia.
Mesmo com as duas edições do Desenrola, o programa de renegociação de dívidas lançado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva [https://www.gazetadopovo.com.br/tudo-sobre/lula/] (PT), os indicadores continuam avançando. As medidas utilizaram garantias do Tesouro Nacional para estimular o refinanciamento de débitos, mas não impediram que o endividamento alcançasse novos recordes.
Durante a campanha eleitoral, Lula prometeu uma terceira edição do Desenrola [https://www.gazetadopovo.com.br/economia/governo-convoca-bancos-aderir-desenrola-3-0-negociar-90-bilhoes/], com um leilão para que bancos vendam dívidas de consumidores com descontos, facilitando a quitação dos débitos. O Banco Central, por sua vez, informou que prepara novas medidas para conter a concessão [https://www.gazetadopovo.com.br/economia/bc-se-adianta-a-lula-e-endurece-regras-de-relacionamento-entre-bancos-e-endividados/] considerada predatória de crédito.
Quando o financiamento imobiliário é retirado do cálculo, o endividamento das famílias também apresenta níveis preocupantes: chegou a 31% da renda em agosto. Nessa mesma comparação, o comprometimento da renda com o serviço da dívida atingiu 26,7%, igualmente um recorde histórico.
Os dados mais recentes sobre inadimplência mostram que a situação também preocupa no mercado de crédito. Em setembro, a proporção de pagamentos atrasados no crédito livre, modalidade em que os bancos definem as taxas de juros, permaneceu em 6,6%, repetindo o recorde registrado em agosto.
A inadimplência nesse segmento aumentou um ponto percentual desde o início do ano, considerando famílias e empresas. Ao mesmo tempo, o estoque total de crédito no país cresceu 0,4% em setembro, na comparação com agosto, alcançando R$ 7,4 trilhões.
Apesar da expansão do volume de empréstimos, o ritmo de crescimento do crédito em 12 meses desacelerou de 9,4% em agosto para 8,6% em setembro. Já o spread bancário, diferença entre os custos de captação das instituições financeiras e os juros cobrados dos clientes, subiu de 34,7 para 35,5 pontos percentuais no mesmo período.
A política monetária restritiva continua sendo um dos fatores que encarecem o acesso ao crédito no país. Em setembro, o Banco Central projetou crescimento de 9,1% no estoque de empréstimos em 2026, abaixo da expansão de 10,4% registrada em 2025.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne na próxima semana para decidir os rumos da taxa básica de juros, a Selic. Após cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual, a taxa chegou a 13,75% ao ano com incertezas para novas quedas.
Fonte: gazetadopovo






