As letras também são um elemento essencial: elas costumam surgir na forma cursiva e tipografias de inspiração gótica. Até mesmo os pincéis utilizados na pintura são específicos, com cerdas mais longas e finas, que permitem criar os traços característicos do estilo.
Quem visita a capital argentina, portanto, pode encontrar o fileteado em diversos lugares – desde ônibus e caminhões até placas e fachadas de casas, lojas e cafés. Em 2015, a técnica foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
A seguir, conheça a história do fileteado e descubra onde encontrar essa expressão da cultura popular pelas ruas de Buenos Aires.
De provérbios populares a ícones da cultura argentina
O filete porteño surgiu em Buenos Aires na virada para o século 20. A ideia inicial era ornamentar carrinhos de tração animal, geralmente usados para transportar mercadorias e alimentos. Aos poucos, a técnica foi sendo incorporada à cultura da capital, ficando especialmente associada a caminhões, vitrines e placas de bairro.
As imagens geralmente fazem referência a elementos sociais, culturais e religiosos do país, com ícones que representam santos, figuras políticas, músicos célebres e ídolos do futebol. Dizeres e provérbios populares em castelhano também são muito comuns, atuando, muitas vezes, como uma espécie de memória coletiva do país.
Onde encontrar em Buenos Aires
Ainda que seja uma expressão cultural espalhada por toda a cidade de Buenos Aires, o fileteado pode estar concentrado em alguns lugares específicos – e que valem a pena a visita se você gosta de fugir do roteiro tradicional. San Telmo, bairro conhecido como um dos mais boêmios da capital, é um exemplo disso. Reconhecido como um museu a céu aberto do fileteado, o lugar é repleto de letreiros e murais decorativos.
O Bar El Federal, situado na Rua Carlos Calvo, 599, é um deles. Ponto histórico da região, o endereço conta com um belíssimo letreiro em fileteado. O espaço é frequentemente escolhido como ponto inicial de caminhadas culturais pelo bairro.
O Mercado de San Telmo, localizado na Calle Defensa, 1098, ainda que esteja perdendo muito do seu lado pitoresco e flertando com o pega-turista, tem ainda algumas bancas de antiguidades e estandes responsáveis por manter vivas as placas decoradas e os cartazes neste estilo tradicional de arte. A Igreja de San Pedro González Telmo não é diferente: ela abriga, em seu interior, diversas obras de fileteado criadas pelo influente mestre Martiniano Arce, um dos grandes expoentes do filete porteño e que, até hoje, está em atividade.
A região onde fica o bairro de Abasto é intimamente ligada à cultura do tango – sobretudo à memória do cantor Carlos Gardel, famoso por popularizar o gênero musical. Por lá, tanto a Calle Jean Jaurès quanto aquelas que a cercam são famosas por formar uma das rotas mais movimentadas para observar e admirar fachadas e murais coloridos, pintados em fileteado.
Além disso, o célebre bairro La Boca, que abriga o time de futebol Boca Juniors e o bombado Caminito, junta-se à lista, com fachadas coloridas repletas do estilo ornamentado do fileteado, associado à iconografia do futebol argentino e à história portuária da região. O bairro Boedo, conhecido por sua tradição boêmia, com ruas repletas de livrarias e charmosos cafés, também incorpora o estilo decorativo em suas fachadas, geralmente em letreiros de bares e estabelecimentos comerciais.
Fonte: viagemeturismo






