O Outro Lado das Redes (em cartaz nos cinemas brasileiros) é uma espécie de sequência de A Rede Social (2010), de David Fincher, no qual Mark Zuckerberg sai muito mal na fita. O roteirista é novamente Aaron Sorkin ( The West Wing , Questão de Honra , The Newsroom , Moneyball , A Grande Jogada), um dos roteiristas mais admirados e premiados do século XXI no cinema e na televisão, que também dirige este filme.
Talvez devido ao desejo de Sorkin de explicar conceitos tecnológicos básicos para um público geral e de evitar acentuar demais os aspectos dramáticos e sociais da trama, o filme pareça um pouco frio em alguns momentos. Mas ele logo ganha novo fôlego graças a um roteiro muito sólido, de intensidade crescente, que sabe como amenizar a tragédia com toques sutis e quase sempre eficazes de humor.
A isso se somam algumas atuações verdadeiramente excepcionais, especialmente a de Jeremy Allen White — incisivo em sua interpretação discreta e à la Frank Capra do implacável jornalista Jeff Horwitz — e a de Mikey Madison — vencedora do Oscar por Anora — perfeita como a jovem engenheira Frances Haugen em meio a uma crise de consciência. A atuação de Jeremy Strong como Mark Zuckerberg é mais convencional e até um tanto exagerada.
Em todo caso, e embora Aaron Sorkin não seja David Fincher, o filme parece muito original e se beneficia da poderosa cinematografia de Jeff Cronenweth, da trilha sonora envolvente de Alexandre Desplat e de algumas questões subjacentes extremamente atuais e bem abordadas.
Sorkin enfatiza a necessidade de ética em todos os negócios — especialmente online —, a necessidade de supervisão governamental das mídias sociais, seu poder viciante e pernicioso, e o valor de denúncia da mídia, já demonstrado em outros grandes filmes desse subgênero, como Todos os Homens do Presidente e The Post.
Fonte: gazetadopovo






