Representantes de entidades de proteção animal cobraram mais recursos para a causa durante a audiência pública sobre o orçamento de Lucas do Rio Verde para 2027, realizada na segunda-feira (19). A previsão apresentada é de aproximadamente R$ 620 mil para o segmento no próximo ano, valor considerado insuficiente pelas protetoras diante do crescimento da cidade e do aumento das demandas.
Durante a discussão, integrantes da Associação Luverdense de Proteção, Adoção e Tratamento de Animais Sem Lar (Alpatas) e da SOS Animais defenderam a ampliação gradual dos investimentos, a criação de mecanismos de apoio às ações de resgate e o fortalecimento dos serviços de atendimento veterinário e acolhimento.
Para as representantes, o aumento da população e a presença de animais abandonados nas ruas exigem planejamento e recursos compatíveis com as necessidades do município.
Alpatas relata aumento de despesas e pede revisão de convênio
Raquel Prestes, representante da Alpatas, afirmou que o valor destinado à causa animal precisa crescer ano a ano, acompanhando a expansão das demandas. Segundo ela, enquanto as despesas com alimentação e salários aumentam, o convênio mantido com a Prefeitura não tem sido reajustado na mesma proporção.
A entidade recebe R$ 16 mil mensais do município. Conforme Raquel, cerca de R$ 7,5 mil são utilizados para pagar duas funcionárias, enquanto o restante é destinado à compra de ração. O atendimento aos animais acolhidos e a manutenção das baias utilizadas temporariamente por protetoras também fazem parte das necessidades da associação.
“E a ração aumentou, o salário aumentou e a gente tem que aumentar o salário das funcionárias todo ano e vai diminuindo cada vez mais o que se pode comprar de ração”, relatou.
Raquel também chamou a atenção para a situação da SOS Animais, que, segundo ela, ainda não possui convênio com o município. A entidade realiza resgates e depende de contribuições da população para custear as despesas.
Na avaliação da representante da Alpatas, a ampliação dos recursos precisa ocorrer de maneira planejada, com avanços graduais na estrutura e no atendimento. Ela citou ainda a necessidade de um novo abrigo, já que a estrutura atual da associação foi construída em 2014 e precisa de melhorias.
A entidade conseguiu, por meio de articulação do vereador Hélio Kaminski e do deputado estadual Gilberto Cattani, R$ 150 mil para reformar parte do abrigo. O valor, segundo Raquel, não será suficiente para recuperar toda a estrutura.
SOS Animais aponta impacto dos animais nas ruas
A voluntária Tiane Scaravonatto, da SOS Animais, destacou que o crescimento de Lucas do Rio Verde também amplia os desafios relacionados à proteção animal.
Ela relatou que a equipe tem resgatado animais envolvidos em situações que podem provocar acidentes, inclusive com motociclistas e ciclistas. Para Tiane, ações preventivas e atendimento adequado podem ajudar a reduzir problemas que acabam gerando consequências também para os serviços públicos.
“Então, assim, eu sei que são muitas demandas que o município tem, não é fácil para dar conta de tanto dinheiro, a gente sabe, entende, mas a gente também sabe, em contrapartida, que o município é muito rico e arrecada”, afirmou, defendendo um olhar mais atento para a causa animal.
A voluntária reconheceu o trabalho realizado pela Unidade de Pronto Atendimento de Castração (UPC), no bairro Menino Deus, mas avaliou que ainda há necessidades a serem atendidas. Segundo ela, a SOS Animais não recebe apoio financeiro municipal para os resgates realizados pelo grupo.
Tiane pediu que a administração municipal avalie alternativas para ampliar o suporte às entidades e fortalecer as políticas públicas voltadas aos animais.
Unidade de castração é apontada como avanço
Apesar das cobranças por mais recursos, as representantes reconheceram iniciativas já realizadas pelo município, especialmente a implantação da unidade de castração no bairro Menino Deus.
Raquel classificou a estrutura como um avanço importante, mas defendeu a continuidade dos investimentos para que outros projetos possam sair do papel. Entre as necessidades citadas está a disponibilização de um motorista para o veículo da unidade.
A representante também ressaltou que a ampliação do atendimento exige planejamento financeiro e melhorias na estrutura de acolhimento, incluindo a possibilidade de um novo abrigo para animais.
Vereadores discutem alternativas para ampliar os recursos
Durante a audiência, o vereador Jackson Lopes, líder do Executivo na Câmara, afirmou que é possível avançar na discussão sobre o volume de recursos destinado às instituições. Ele sugeriu que as entidades apresentem estimativas das necessidades anuais para embasar a busca por emendas parlamentares.
Jackson mencionou a possibilidade de articulação com deputados para destinar recursos à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e às instituições que atuam na proteção animal.
“Eu vejo que os próprios vereadores podem buscar os deputados”, afirmou, ao defender a mobilização dos parlamentares para complementar os recursos municipais.
O vereador também observou que o orçamento é uma projeção de receitas e despesas e que a administração precisa conciliar as demandas de diferentes áreas. Nesse contexto, defendeu que os representantes políticos contribuam para buscar recursos externos e ampliar a capacidade de atendimento do município.
A audiência pública integra o processo de discussão do orçamento municipal para 2027. A proposta ainda será encaminhada à Câmara de Vereadores, onde poderá ser analisada e receber emendas antes da votação.
Fonte: cenariomt





