Dia das Crianças na Quebrada leva doações a 5 comunidades no DF e emociona famílias; vídeo
O Dia das Crianças na Quebrada reuniu cerca de 30 voluntários para levar alimentos, brinquedos, roupas e cobertores a famílias em situação de vulnerabilidade no Distrito Federal. A ação aconteceu no sábado, 17 de outubro, e percorreu três comunidades de Águas Claras, Ceilândia e Estrutural, com mais de 200 cestas básicas, 200 cobertores e muitos presentes para as crianças.
A mobilização foi organizada por Iggor Ktal e Fernanda Medeiros, que estão à frente do projeto criado em 2015. A campanha também destinou doações a famílias de Planaltina, no DF, e segue arrecadando para a próxima entrega, prevista para sábado, 24 de outubro, em Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros.
“Minha maior missão de vida é o Dia das Crianças na Quebrada”, disse Iggor ao Só Notícia Boa. Depois de 11 anos dedicados à iniciativa, ele conta que chegou a pensar em desistir neste ano, mas terminou a ação emocionado com o resultado.
Uma manhã de preparativos e solidariedade
O dia começou cedo no apartamento de Iggor, em Águas Claras, onde os voluntários se reuniram para organizar as últimas etapas da distribuição. A casa dele serviu como ponto de arrecadação e armazenamento dos donativos.
A mãe do fundador, Leila Maria da Silva, de 64 anos, também participou dos preparativos, ajudando a receber os voluntários e organizar a estrutura da ação. Antes de sair, o grupo tomou café da manhã e carregou um caminhão alugado com cestas básicas, cobertores, roupas e brinquedos.
Os voluntários se dividiram entre os veículos, cada um responsável por transportar determinados itens. A organização contou ainda com o apoio de lideranças das comunidades visitadas, que ajudaram a identificar as famílias e distribuir as doações.
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Primeira parada: Invasão do Lava Jato
A primeira comunidade atendida foi a Invasão do Lava Jato, em Águas Claras, onde famílias vivem em barracos improvisados, próximos a uma área de descarte de resíduos.
No local, os voluntários começaram pela entrega de cestas básicas e cobertores. Depois, distribuíram brinquedos, roupas, calçados e lanches, enquanto as crianças participavam das brincadeiras.
Para Fernanda Medeiros, o contato com as famílias reforça a importância de levar ajuda a pessoas que muitas vezes passam despercebidas.
“É uma realização pessoal, vendo que eu consigo melhorar um pouquinho o dia de alguém, das crianças, da família. É uma realização muito mais social também, porque estou conseguindo alcançar pessoas que estão sempre esquecidas”, contou.
Denúncia de derrubada de barracos
O trabalho do Dia das Crianças na Quebrada não acontece apenas em outubro. Os organizadores acompanham famílias da Invasão do Lava Jato durante o ano e relatam que já precisaram organizar campanhas emergenciais após operações de fiscalização na região.
Em um vídeo publicado em 24 de agosto de 2024, durante o governo de Ibaneis Rocha, integrantes do movimento denunciaram a derrubada de barracos e a destruição de pertences durante uma operação de zeladoria urbana.
Segundo Fernanda, moradores não teriam conseguido retirar todos os objetos antes da ação. Ela relata que os voluntários acompanharam a operação, filmaram o que acontecia e questionaram os agentes responsáveis.
“Só que o entulho aqui são pessoas, são crianças”, afirma o projeto na gravação.
Os organizadores defendem que a limpeza e a organização dos espaços públicos não podem desconsiderar a dignidade das famílias que vivem nesses locais.
As denúncias sobre a atuação dos agentes e as circunstâncias das retiradas ainda precisam ser esclarecidas pelo órgão público responsável.
Arrecadação emergencial para famílias sem teto
Iggor também se lembra de uma noite em que recebeu uma ligação por volta das 23h. Segundo ele, moradores contaram que barracos haviam sido derrubados e que mães e crianças estavam sem lugar para dormir.
Uma fotografia enviada pelos moradores mostrava, de acordo com o fundador, cerca de 40 crianças reunidas ao redor de uma fogueira durante a madrugada.
“Isso aí comeu meu coração de um jeito. Quase que eu fui lá ficar junto com as crianças, passar a noite com elas”, contou.
Na mesma noite, Iggor iniciou uma arrecadação pela internet e conseguiu reunir 30 barracas e 30 cobertores. No dia seguinte, ele e Fernanda voltaram à comunidade para entregar os itens às famílias.
“A hora que elas me viram chegando com as coisas, as crianças ficaram doidas”, lembrou.
Para os organizadores, episódios como esse mostram por que a solidariedade precisa continuar depois das festas e das entregas de presentes.
Brincadeiras e presentes em Ceilândia e Estrutural
Depois de Águas Claras, os voluntários seguiram para o Assentamento do Buracão, em Ceilândia, onde distribuíram alimentos, cobertores, roupas e brinquedos.
As crianças também receberam pipoca, lanches e participaram de momentos de recreação. Entre uma entrega e outra, os voluntários conversaram com as famílias e receberam abraços de agradecimento.
A última parada do dia foi em um galpão cultural na Estrutural. Além das doações, houve atividades para os pequenos e sorteio de duas bicicletas.
Iggor apareceu vestido de Superman, arrancando sorrisos e chamando a atenção das crianças que aguardavam a chegada dos presentes.
“É uma realização pessoal e social”
Fernanda Medeiros acompanha o projeto desde a primeira edição e diz que, mesmo depois de tantos anos, ainda se emociona com as realidades que encontra.
“Mesmo que eu esteja sempre em contato com a galera que está na rua, é sempre um choque passar o dia com essas pessoas e ver o tanto que a gente é privilegiado e o tanto que tem gente sofrendo muito”, afirmou.
Ela conta que o grupo reúne voluntários de diferentes origens, condições financeiras e histórias de vida. Muitos conhecem de perto as dificuldades enfrentadas pelas famílias atendidas.
Para Fernanda, essa diversidade é uma das forças do movimento. Pessoas que talvez nunca se encontrassem em outras circunstâncias trabalham juntas para preparar presentes, arrecadar alimentos e fazer as entregas.
A organizadora também destaca o esforço de Iggor, que há anos mobiliza doadores e participa de ações em diferentes cidades.
“É muito importante dar essa moral pra ele, porque ele rala muito. Todos nós, né? Mas ele, nossa senhora!”, disse.
“Eu fiz para devolver ao mundo o que recebi”
Iggor Ktal conta que criou o Dia das Crianças na Quebrada em 2015 como uma forma de retribuir a ajuda que recebeu ao longo da vida.
“Eu fiz com o intuito de devolver pro mundo tudo de bom que o mundo me proporciona. Graças a Deus, muita gente já me ajudou e me ajuda até hoje”, afirmou.
Sem grandes patrocinadores, ele utiliza as redes sociais e o contato direto com apoiadores para conseguir alimentos, brinquedos e outros donativos.
Nos dois meses anteriores à ação, intensifica os pedidos, procura doadores, organiza a logística e dedica grande parte da rotina à campanha.
“É um trabalho de formiguinha. Vou falando um por um, explicando o projeto um por um”, contou.
Neste ano, a meta inicial era atender 500 crianças. O fundador diz que não conseguiu alcançar esse número, mas comemorou o atendimento a mais de 200 crianças e a quantidade de famílias beneficiadas.
Crianças que crescem junto com o projeto
Uma das maiores alegrias de Iggor é reencontrar crianças que acompanha há anos. Algumas eram muito pequenas quando a iniciativa começou e hoje participam das atividades e ajudam na preparação das doações.
“Eu acho que o que mais me motiva é ver essas crianças crescendo e aprendendo comigo a ajudar os outros, a ter um coração bom”, afirmou.
Neste ano, ele convidou Brenda e Éric, duas crianças acompanhadas pelo projeto, para ajudar na organização dos presentes.
Os dois também tiveram uma experiência diferente: foram jogar boliche pela primeira vez e passaram uma noite na casa da família de Iggor, em Águas Claras, a convite da mãe dele.
O fundador conta que ficou emocionado com a alegria das crianças diante de situações que muitas pessoas consideram comuns.
“Eu quis levar eles lá pra verem que podem entrar em qualquer lugar”, explicou.
Para ele, oferecer essas experiências também é uma maneira de combater o preconceito e mostrar às crianças que podem sonhar com outras possibilidades para o futuro.
Campanha chegou a cinco comunidades
Apesar das dificuldades enfrentadas na arrecadação, o resultado de 2026 surpreendeu os organizadores.
Além das três comunidades visitadas em 17 de outubro, Iggor informou que o projeto também reuniu doações destinadas a cerca de 30 famílias de Planaltina e outras 30 de Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros.
“Eu não sei nem de onde saiu tanta doação. A gente conseguiu ajudar cinco lugares diferentes esse ano. Isso é uma vitória”, comemorou.
A iniciativa também já realizou ações em outras cidades. Em uma edição anterior, o grupo levou doações a uma instituição que acolhe crianças em Cristalina, Goiás, ampliando o alcance do projeto para além das comunidades acompanhadas regularmente.
A campanha continua dependendo da participação de voluntários e doadores para conseguir alimentos, roupas, brinquedos e outros itens essenciais.
Fundador pensou em desistir neste ano
Apesar da alegria com o resultado, Iggor admite que chegou ao fim da campanha emocionalmente desgastado.
Ele conta que precisa interromper outros projetos durante aproximadamente dois meses para organizar a arrecadação e resolver os detalhes das entregas.
“Eu tô muito desgastado. Paro minha vida pra poder fazer isso por dois meses. Acabo atrasando meus outros projetos”, desabafou.
Sem apoio financeiro permanente, o fundador diz que o peso das responsabilidades já o fez pensar várias vezes em encerrar a iniciativa.
Mas, depois da mobilização deste ano, novas pessoas começaram a aparecer dispostas a colaborar, o que reacendeu a esperança de dividir o trabalho.
“Se não tiver todas as peças juntas, o jogo não dá certo. Todo mundo é fundamental pra esse negócio acontecer”, afirmou.
O sonho de chegar a todas as cidades do Brasil
Depois de 11 anos, Iggor ainda tem um sonho: levar o Dia das Crianças na Quebrada para todas as cidades do país.
“Meu sonho é um dia meter um Dia das Crianças na Quebrada em cada cidade do país. Um dia eu vou conseguir fazer isso”, disse.
Ele também gostaria de ter condições financeiras para custear as ações sem precisar depender tanto das arrecadações. Enquanto isso não acontece, segue contando com Fernanda, a família, os voluntários e as pessoas que abraçam a causa.
Para o fundador, a maior recompensa não está nos elogios, mas na alegria das crianças e na esperança de que elas cresçam com vontade de ajudar outras pessoas.
“É isso que eu quero deixar como meu legado na Terra mesmo: ajudar o próximo.”
E, depois de um dia inteiro de entregas, o sentimento que permanece é simples.
“Fica aquele sentimento de missão cumprida, de que eu tô fazendo certo.”
Próxima missão: ajudar famílias em Alto Paraíso de Goiás
Depois de levar doações a quatro comunidades do Distrito Federal, o Dia das Crianças na Quebrada quer ampliar a corrente de solidariedade até Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros.
A nova ação pretende beneficiar aproximadamente 30 famílias em situação de vulnerabilidade. Os voluntários continuam arrecadando alimentos, brinquedos, cobertores e outras doações para atender a comunidade.
Quem quiser ajudar pode contribuir com qualquer valor pela chave Pix [email protected].
O trabalho também pode ser acompanhado pelo Instagram @diadascriancasnaquebrada.
“Se cada pessoa der R$ 2, R$ 5 ou R$ 10, já ajuda muito. Quanto mais gente tiver esse pensamento de que, de pouquinho em pouquinho, a gente consegue muito, mais pessoas a gente consegue atender”, disse Fernanda Medeiros.
Veja o vídeo abaixo:
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Fonte: sonoticiaboa





