A bolsa de valores de São Paulo, a B3, e o dólar operam pelo segundo dia seguido com otimismo após a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno [https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/flavio-impoe-revanche-a-lula-e-chega-como-favorito-ao-2o-turno/]da eleição presidencial a frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva [https://www.gazetadopovo.com.br/tudo-sobre/lula/](PT), que tenta a reeleição. Nesta terça-feira (6), o principal índice do mercado de capitais brasileiro abriu o pregão renovando o recorde histórico a 208,9 mil pontos, com uma valorização de 1%.

Já o dólar seguiu abaixo dos R$ 5 sendo negociado a R$ 4,946, variação de 1,11% ante o fechamento da véspera em que caiu 4,1% para R$ 5,001, menor cotação desde maio.

Na segunda-feira (5), primeiro dia de negociações após a votação de domingo (4), a bolsa de valores passou o dia todo com uma valorização de 8% [https://www.gazetadopovo.com.br/economia/bolsa-passa-dos-200-mil-pontos-e-dolar-despenca-apos-flavio-bolsonaro-liderar-1o-turno/] e fechou em alta de 7,7% aos 206,1 mil pontos.

Os investidores começam a se ajustar à possibilidade de mudança no governo federal e, consequentemente, na economia brasileira. Para o mercado financeiro, um governo liderado por Flávio tem mais chances de realizar ajustes fiscais.

Já Lula é visto com desconfiança, percepção ampliada com o pacote de benesses [https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/medidas-lula-vale-tudo-eleitoral-gastos-publicos/]adotado antes do primeiro turno, que incluiu o aumento dos valores do Bolsa Família, com impacto estimado em R$ 5,8 bilhões. O governo também deve deixar de receber R$ 1,5 bilhão em receitas com o fim das bets.

A dívida bruta brasileira atingiu a marca de 82,9% do PIB, com a avaliação de que as regras atuais do arcabouço fiscal não têm sido suficientes para estancar esse avanço.

Para compensar o risco de financiar um governo endividado, investidores passam a exigir retornos cada vez maiores nos títulos públicos. Isso eleva os juros futuros e força o Banco Central a manter a taxa básica de juros alta para conter a inflação – atualmente em 13,75% –, o que encarece o crédito para empresas e famílias.

Declarações de Lula que relativizam a necessidade de superávits fiscais ou que expandem gastos para focar em programas sociais perto do período eleitoral acendem o alerta do mercado financeiro. Sem uma indicação clara de controle rígido de despesas para o futuro, os agentes projetam um cenário de dominância fiscal, no qual a política fiscal expansionista mina os efeitos da política monetária.