Na Catedral de Mariana, em Minas Gerais, um órgão de quase 300 anos passou praticamente uma década em silêncio. Em dezembro de 2025, após um período de restauração que exigiu o envio de peças para a Espanha, o instrumento voltou a tocar – e, desde abril, é possível ouvi-lo regularmente em apresentações organizadas pela Arquidiocese da histórica cidade, que ostenta o título de primeira capital mineira.
Um patrimônio tombado, o órgão virou uma atração à parte no templo de Mariana, uma basílica do século 18 com referências arquitetônicas coloniais e traços barrocos de diversos períodos.
A história do órgão
Construído na Alemanha no começo dos anos 1700, o órgão é conhecido pelo nome do seu fabricante, Arp Schnitger. Originalmente, o instrumento foi enviado a Portugal e, lá, acabou como propriedade da família real, que decidiu doá-lo para a então Diocese de Mariana.
O desejo do rei Dom João V não pôde ser cumprido em vida: ele faleceu em 1750, três anos antes da transferência do órgão para o território brasileiro – um projeto concluído pelo seu filho e sucessor, Dom José I, que exigiu transporte transatlântico em navio e, já desembarcado, uma longa jornada subindo as serras mineiras com as partes desmontadas carregadas no lombo de mulas.
Por quase dois séculos inteiros desde então, o órgão soou durante funções religiosas, impressionando com seus adornos rebuscados e a estrutura complexa de mais de 900 tubos. O equipamento é considerado o único com essas características instalado em um templo fora da Europa.
Com o tempo, a falta de manutenção adequada foi silenciando o órgão pouco a pouco. Na década de 1930, ele deixou de funcionar. Mais tarde, conforme as informações sobre sua importância histórica começaram a se tornar conhecidas, esforços de tombamento e restauração se tornaram recorrentes para trazê-lo de volta, sobretudo a partir dos anos 1970. A mais recente missão para recuperar o órgão, na Espanha, lutou contra danos gerados por uma infestação de cupins.
Como ouvir
Apesar de ser um elemento permanente na Catedral de Mariana, o órgão só toca em momentos selecionados. Desde abril de 2026, interessados em ouvir o instrumento secular podem visitar a igreja em dias de concertos, que ocorrem no segundo e no quarto sábado de cada mês.
Há cobrança de ingressos para assistir à apresentação, que atualmente é comandada pela organista Josinéia Godinho: a visita custa R$ 80, com possibilidade de meia-entrada para idosos, professores e estudantes mediante apresentação de documentos comprobatórios. As entradas são vendidas na bilheteria da Catedral.
Para ouvir o órgão em ação sem pagar, é preciso atenção à programação de festividades religiosas – as mais garantidas costumam ocorrer durante a Semana Santa. Outras informações podem ser obtidas no site da Arquidiocese de Mariana.
Fonte: viagemeturismo





