Economia

Frango brasileiro pode retornar ao mercado da União Europeia: entenda as perspectivas e desafios

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2026

As exportações de frango e mel do Brasil para a União Europeia (UE) podem ser retomadas no curto prazo. A sinalização foi dada nesta quarta-feira (30) pelo comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, durante reunião com os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em Milwaukee, nos Estados Unidos.

O encontro ocorreu à margem da reunião de ministros de Comércio do G20, grupo formado pelas 19 maiores economias do mundo, além da União Europeia e da União Africana.

Segundo nota conjunta do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o representante europeu citou o resultado positivo de uma auditoria realizada recentemente no Brasil. Após a conclusão dos procedimentos burocráticos, os embarques de carne de aves e mel para os países do bloco poderão ser retomados no curto prazo.

As informações foram fornecidas pela Agência Brasil.

Decisão técnica

A decisão sobre a retomada das exportações será analisada pelo Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia. A reunião técnica está prevista para os dias 20 e 21 de outubro.

O Ministério da Agricultura solicitou que o relatório da auditoria seja incluído na pauta do comitê. Na avaliação divulgada nesta semana, a Comissão Europeia considerou satisfatório o sistema brasileiro de produção nas cadeias de aves e mel e concluiu que o país apresenta condições para cumprir as exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos.

Durante a fiscalização, os auditores analisaram, entre outros aspectos, os controles adotados pelo Brasil para impedir o uso de antimicrobianos com o objetivo de estimular o crescimento dos animais ou aumentar o rendimento da produção.

Carne bovina

O governo brasileiro também busca um procedimento acelerado para a retomada das exportações de carne bovina. De acordo com a nota divulgada após a reunião, os representantes brasileiros defenderam que o mesmo tratamento destinado às cadeias de aves e mel seja aplicado à proteína bovina.

A situação da carne bovina, porém, envolve exigências adicionais. A comprovação do controle sanitário depende do acompanhamento de todo o ciclo de vida do animal, desde o nascimento até o abate. O processo de rastreabilidade pode levar até dois anos, tornando a reversão da restrição mais complexa.

A carne bovina representa ainda uma parcela relevante das exportações brasileiras de proteína animal destinadas ao mercado europeu.

Suspensão das vendas

A União Europeia retirou o Brasil da lista de países considerados em conformidade com as regras do bloco para o uso de determinados antimicrobianos na produção pecuária. As substâncias podem ser utilizadas no tratamento de infecções em animais, mas a legislação europeia proíbe seu uso para estimular o crescimento.

A suspensão das importações entrou em vigor em 3 de setembro e atingiu produtos como carnes bovina, suína e de frango, além de mel, pescados, ovos e outros itens de origem animal.

Desde então, o governo brasileiro mantém negociações com autoridades europeias para reverter as restrições. A auditoria realizada neste mês nas cadeias de aves e mel foi considerada um avanço positivo, mas não determina, por si só, a retomada das compras.

Outros produtos

Durante a reunião em Milwaukee, os ministros brasileiros e o comissário europeu também trataram das restrições da União Europeia às importações de aço.

Segundo o governo brasileiro, o bloco está revisando a distribuição das cotas para produtos siderúrgicos. A mudança poderá abrir espaço para o Brasil, embora o processo ainda tenha etapas adicionais previstas para 2027.

Fonte: cenariomt

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