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2026

A aprendizagem dos estudantes brasileiros apresentou melhora no longo prazo em algumas áreas, mas o país ainda permanece abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os dados do Pisa 2025 mostram que a redução da distância ocorreu, em parte, porque o desempenho brasileiro ficou relativamente estável enquanto a média da organização recuou. As informações são da Agência Brasil.

O Pisa é uma avaliação internacional coordenada pela OCDE, que reúne 38 países e produz estudos, estatísticas e recomendações sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico e social. Aplicada a cada três anos, a prova mede conhecimentos de estudantes de aproximadamente 15 anos em matemática, leitura e ciências.

Resultados do Brasil

Na edição de 2025, o Brasil registrou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. A média dos 23 países da OCDE considerados na comparação foi de 466, 469 e 486 pontos, respectivamente. Como cada 20 pontos são associados a aproximadamente um ano escolar, o resultado brasileiro em matemática representa uma diferença equivalente a cerca de 4,6 anos em relação à média dos países avaliados.

Apesar do desempenho semelhante ao de 2022, a comparação histórica indica redução das diferenças. Entre 2006 e 2025, a distância para a média da OCDE caiu de 102 para 58 pontos em leitura, de 131 para 92 em matemática e de 113 para 77 em ciências.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que o resultado de longo prazo é positivo, principalmente em leitura e ciências, mas alertam que parte da aproximação foi provocada pela queda da média da OCDE. Para Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, o principal desafio é transformar a estabilidade brasileira em crescimento consistente da aprendizagem.

Desafios e desigualdades

O desempenho ainda é considerado baixo, sobretudo em matemática. Apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência na disciplina, considerado o patamar mínimo. Jalman Lima, mestre em matemática e gerente da CASIO Educação, avalia que o país precisa ampliar a capacidade dos alunos de interpretar situações, relacionar informações e escolher estratégias para resolver problemas.

Outro obstáculo está na quantidade reduzida de estudantes nos níveis mais altos de proficiência. Rodrigo Fulgêncio, primeiro vice-presidente da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe), também destaca o elevado número de alunos abaixo do nível básico e a desigualdade socioeconômica.

Em ciências, a diferença entre os 25% dos estudantes mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis chegou a 96 pontos. O número equivale a quase cinco vezes a diferença média de aprendizado associada a um ano escolar, estimada em aproximadamente 20 pontos.

O Pisa 2025 reuniu 760 mil estudantes de 91 países. No Brasil, participaram 30.140 alunos, dos quais 72,4% eram de escolas estaduais. Quase todas essas unidades, 96,9%, estavam localizadas em áreas urbanas. Cerca de 84,7% dos participantes cursavam a primeira ou a segunda série do ensino médio quando realizaram as provas, entre abril e maio de 2025. Nesta edição, o foco principal foi o letramento científico.

Tecnologia e aprendizagem

Os questionários aplicados junto ao Pisa também analisaram o uso de celulares nas escolas. Em 2025, 81% dos estudantes brasileiros estudavam em unidades que tinham restrições ao uso desses dispositivos, contra 37% em 2022. O percentual ficou acima da média de 49% registrada pela OCDE.

O levantamento também apontou mudanças na forma como os estudantes lidam com a leitura e a informação. A chamada leitura apressada, caracterizada por uma leitura rápida e imprecisa, quase dobrou entre 2018 e 2025. A OCDE identificou ainda dificuldades crescentes para avaliar informações, relacionar fontes diferentes e desenvolver pensamento crítico.

Entre os estudantes brasileiros, 28% afirmaram que colegas se distraem com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas de Ciências. Ao mesmo tempo, 46% disseram utilizar inteligência artificial semanalmente ou com maior frequência para estudar.

Para os especialistas, os dados indicam que o acesso à tecnologia não garante, por si só, melhora na aprendizagem. O desafio envolve ensinar os estudantes a manter a atenção, interpretar conteúdos com profundidade, avaliar informações, desenvolver raciocínio e utilizar ferramentas digitais como apoio, sem substituir o pensamento crítico. A recomposição das aprendizagens também permanece apontada como uma necessidade, especialmente para uma geração cuja trajetória escolar foi afetada pela pandemia.

Fonte: cenariomt

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