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2026

A leitura entre adolescentes atingiu o pior resultado registrado neste século, segundo a avaliação global de estudantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O resultado é associado, entre outros fatores, ao aumento do tempo de exposição às telas e à redução da leitura por prazer.

O teste de 2025 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) foi aplicado a 760 mil jovens de 15 anos em 91 países. Os dados mostram que as médias em leitura, matemática e ciências chegaram aos menores níveis desde o início da série histórica, em 2000.

Na leitura, os estudantes apresentaram, em média, um desempenho equivalente ao que anteriormente era esperado de alunos um ano mais novos. A pontuação, que havia alcançado 501 pontos em 2012, caiu para 466 pontos em 2025.

O Pisa é considerado um dos principais indicadores internacionais de desempenho educacional e seus resultados são acompanhados por governos e especialistas em educação.

Segundo o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, o aumento do tempo diante das telas ocorreu paralelamente à redução da leitura por prazer e a resultados educacionais mais fracos. Ele também apontou uma mudança no comportamento dos estudantes, com uma tendência de leitura mais rápida e respostas dadas de forma precipitada.

A queda no desempenho em leitura foi ainda mais acentuada entre estudantes de famílias mais abastadas, de acordo com o estudo.

O desempenho em outras áreas também apresentou retração. Em ciências, a pontuação caiu de 506 pontos, registrada em 2009, para 486. Em matemática, a média passou de 502 para 469 pontos no mesmo período.

Desempenho educacional

Os países e territórios do Leste Asiático se destacaram entre os melhores resultados. As cidades chinesas participantes da avaliação, além de Japão, Coreia, Singapura e Taiwan, ficaram entre os sistemas educacionais de melhor desempenho. Fora da região, Reino Unido e Estônia foram os únicos países a aparecer entre os dez primeiros colocados nas três áreas avaliadas: leitura, matemática e ciências.

Tempo de tela e distração

O relatório da OCDE não recomenda diretamente a proibição de smartphones nas escolas. Entretanto, identificou uma relação entre distração digital e desempenho mais baixo em ciências em 59 dos 82 sistemas educacionais analisados. Mais de um quarto dos estudantes também afirmou que os dispositivos digitais distraem os colegas durante as aulas de ciências.

Nos países membros da OCDE, os alunos disseram passar, em média, 3,4 horas por dia útil usando dispositivos digitais para lazer. Outros três horas diárias, em média, são destinadas ao uso desses equipamentos para aprendizagem, tanto na escola quanto em casa.

A OCDE ressalta que os recursos digitais podem contribuir para o aprendizado quando utilizados de maneira adequada. Segundo Cormann, porém, os resultados começam a apresentar queda quando o uso ultrapassa cinco horas por dia.

Uso de inteligência artificial

O levantamento também avaliou o uso de ferramentas de inteligência artificial. Quase metade dos estudantes afirmou utilizar chatbots regularmente para aprender. No entanto, aqueles que recorrem a essas ferramentas para escrever redações, resumir conteúdos ou pesquisar assuntos apresentaram, em geral, notas cerca de 20 pontos menores em ciências.

De acordo com a avaliação, essa diferença corresponde aproximadamente a um ano de aprendizado. Os resultados reforçam o debate sobre o uso de tecnologias digitais e de inteligência artificial no ambiente educacional.

Crédito: Agência Brasil.

Fonte: cenariomt

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