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Descubra as belezas históricas e naturais dos Pirineus de Girona

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2026

Quem vai à Catalunha, na Espanha, não pode deixar de dar uma passada em Girona, uma cidade medieval rica em história que fica a apenas 100 quilômetros da badalada Barcelona (é possível ir de trem, em viagem que leva cerca de 40 minutos). Girona é um ótimo ponto de referência para quem deseja conhecer os povoados ao redor dos Pirineus Espanhóis.

Localizados entre as regiões de Navarra, Aragão e a própria Catalunha, os Pirineus fazem fronteira entre a Espanha e o restante da Europa, na divisa com a França e o pequeno principado de Andorra. As montanhas – que podem passar dos 3 mil metros de altitude – abrigam belas paisagens, com rios e uma rica fauna e flora. Ao redor da cordilheira se desenvolveram muitas aldeias, com belas vistas para a cadeia montanhosa.

É possível aproveitar os Pirineus em qualquer época do ano, mas, durante o verão, a rota aos pés das montanhas ganha um charme a mais: entre os meses de junho e setembro, o clima esquenta e a vegetação desabrocha. É a época mais popular entre os turistas, por isso vale a pena planejar a viagem com antecedência e se preparar para enfrentar preços mais elevados do que na baixa temporada.

Pirineus da Catalunha

Paisagem outonal com campos verdes e marrons, árvores com folhagem amarelada e galhos secos. Ao fundo, montanhas com picos nevados sob um céu azul claro com nuvens esparsas.

Se o seu desejo é conhecer os Pirineus Espanhóis, é possível montar um roteiro passando pelas três regiões onde eles se encontram (Navarra, Aragão e Catalunha).

Na Catalunha, além de Girona, a cidade de Lleida também é um bom ponto de partida para conhecer os Pirineus e suas aldeias. A partir de Lleida é possível conhecer os vilarejos de Boí, Taüll e Bellver de Cerdanya, recheados de igrejas e pinturas românticas.

Cidade de Ripoll

Localizada entre os rios Ter e Freser, a cidade se organizou ao redor do mosteiro beneditino de Santa María de Ripoll, que também é seu principal ponto turístico. O mosteiro foi fundado no século IX e é um dos centros monásticos mais importantes da Catalunha. Ao redor da fundação do mosteiro está a lenda de Wilfredo, o Cabeludo.

Wilfredo foi conde de Barcelona e ficou conhecido assim por seus cabelos vistosos, que o faziam se destacar entre os outros nobres. Ele também foi responsável por unificar a Catalunha e fundar a dinastia histórica dessa região. Foi o último conde de Barcelona a ser nomeado pelos reis franceses.

Vista parcial de uma construção medieval de pedra, com uma torre ameada à esquerda exibindo uma bandeira catalã de listras vermelhas e amarelas, e um edifício octogonal à direita com uma cruz celta no topo, sob um céu azul com nuvens esparsas

O mito envolvendo o nobre também explica de forma lendária as origens da bandeira catalã: após lutar ao lado dos francos contra os normandos, o Cabeludo teria se ferido. O rei Carlos, o Calvo (não, não é piada), então, teria passado os dedos ensanguentados sobre o escudo de ouro de Wilfredo, formando quatro faixas vermelhas, criando o desenho que hoje está na bandeira da Catalunha.

A fábula não tem respaldo histórico, mas faz parte da mitologia em volta do lugar, uma vez que o monastério teria sido construído por Wilfredo para o seu próprio sepultamento. E, de fato, lá estão restos mortais atribuídos a ele.

Próximo ao mosteiro de Santa María de Ripoll está a Igreja de Sant Pere. Originalmente, o templo foi fundado no século 9. Sua arquitetura possui elementos pré-românticos, do século 12, uma vez que sofreu reformas ao longo dos séculos.

Mosteiro de Sant Joan de les Abadesses

Esse mosteiro também fica na província de Girona e também tem uma relação com Wilfredo. Sant Joan de les Abadesses é o único mosteiro feminino da Catalunha e já foi administrado pela filha de Wilfredo, Emma.

Pátio interno de um mosteiro com gramado verde, uma árvore sem folhas no centro e uma fonte de pedra. Ao redor, um claustro com arcos de pedra e telhado de telhas marrons, e ao fundo, uma torre sineira de pedra sob céu azul

Os vilarejos ao redor de Girona são ricos em história e lendas medievais. Este mosteiro também possui outra fábula por trás de si: o Conde Arnau, personagem tirânico do folclore catalão, teria se envolvido em um romance proibido com uma abadessa local. Reza a lenda, ele também teria feito um pacto com o diabo para construir a Pont Vell (que também é um ponto turístico de Girona) em uma noite.

Pelos pecados e crueldade com seus vassalos, Arnau teria sido condenado a vagar os Pirineus a noite, montado em um cavalo que cospe fogo e acompanhado por cães infernais.

Santuário de Montgrony

O Santuário de Montgrony oferece uma vista de 1.408 metros acima do nível do mar para a paisagem dos Pirineus. É possível que a neblina cubra a vista panorâmica, apesar que tempo costuma mudar rapidamente na região. O santuário possui uma escada de 144 degraus, que, é claro, também possui um mito por trás.

Pequena capela de pedra com telhado de telhas e um sino, construída na lateral de um penhasco rochoso. Uma porta de madeira escura e um caminho estreito levam à entrada. À direita, a paisagem montanhosa está coberta por uma névoa densa, com árvores escuras visíveis ao fundo. Folhagens verdes em primeiro plano.

Entre os atos de tirania do Conde Arnau, ele teria ordenado que a escada de pedra fosse construída e nunca pagou os trabalhadores responsáveis pela obra – o que também culminou na sua condenação a vagar pelas montanhas sem descanso.

Campodrón

Conhecida como uma “pequena Suíça catalã”, Campodrón ficava movimentada no verão, pois era o destino preferido dos burgueses da região. A popularidade do vilarejo é atribuída em parte à Bartomeu Robert i Yarzábal, o doutor Robert, um prestigiado médico da Barcelona do fim do século 19.

Ponte medieval de pedra com arcos sobre um rio caudaloso, com uma pequena cachoeira. Casas coloridas e montanhas verdes ao fundo, sob céu nublado

O médico recomendava que os pacientes visitassem o local pois acreditava que o ar das montanhas trazia benefícios à saúde. É possível encontrar um busto do doutor Robert lá, no passeio Maristany, onde também estão obras dos arquitetos Enric Sagnier e Josep Coderch.

Beget

Localizado na área dos Pré-Pirineus, com altitude de quase 600 metros, esse povoado de montanha abriga construções em pedra, pontes e casas com sacadas de madeira típicas do período medieval. Entre as principais atrações, os visitantes vão encontrar a igreja de Sant Cristòfol construída no estilo romântico.

Vila medieval com casas de pedra e telhados de cerâmica, uma torre sineira alta e uma igreja românica ao fundo. Em primeiro plano, mesas e cadeiras de um café em um pátio de pedras, com uma ponte de pedra à esquerda e montanhas arborizadas sob um céu nublado

A gastronomia também é um destaque do povoado, entre as comidas típicas estão a linguiça butifarra, pão com tomate ou queijo de ovelha e pratos com batata, vitela e cordeiro, característicos da gastronomia de montanha.

O que fazer na cidade de Girona?

Além de conhecer os povoados da província de Girona, vale a pena explorar a cidade. A cidade de Girona também possui construções tipicamente medievais, como Pont Vell (Ponte Velha) e a Catedral de Girona, que foi cenário da série Game of Thrones.

Os Jardins de Artigas são um dos pontos altos da arquitetura de Girona. O parque a céu aberto foi projetado por Gaudí, unindo recursos naturais com estruturas especiais pensadas pelo arquiteto.

Escadaria de pedra com pessoas subindo e descendo, levando à fachada ornamentada da Catedral de Girona, com uma rosácea central e torre sineira, sob céu azul com nuvens esparsas

O bairro judeu da cidade é um dos mais bem preservados da Europa e também vale a visita. A Centre Bonastruc ça Porta é onde fica a última sinagoga medieval construída na Espanha, que esteve em uso até 1492, quando os judeus foram expulsos do país.

Para quem se interessa por arte e história, também vale a pena conferir os museus da cidade como o Museu de Arte de Girona, o Museu de Cinema de Girona e o Museu Dalí, que fica em Figures. Um dos restaurantes mais famosos e premiados do mundo também fica em Girona, o El Celler de Can Roca.

Fonte: viagemeturismo

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