O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, afirmou nesta segunda-feira (21) que poderá impedir o uso de materiais escolares que empreguem a expressão “pessoa que gesta” em substituição à palavra “mãe”, por considerar o termo de cunho ideológico. Durante coletiva sobre ações da Secretaria Municipal de Educação, ele anunciou que os conteúdos encaminhados pelo governo federal passarão por avaliação e poderão ser descartados caso a gestão municipal os considere inadequados.
“Um material que provavelmente, se vier, será reprovado é um material que trate mãe como pessoa que gesta, por exemplo. Se não vier o termo mãe, nós não vamos aceitar aquele material”, declarou.
Apesar de anunciar a possibilidade de veto, Abilio afirmou que nenhum material escolar havia sido barrado até aquele momento. Segundo ele, parte dos conteúdos federais não foi utilizada porque o antigo secretário de Educação optou pela aquisição de outros materiais.
Questionado sobre os critérios para uma eventual proibição, o prefeito citou, além da terminologia relacionada à maternidade, conteúdos que, em sua avaliação, não reconheçam a paternidade ou apresentem abordagens sexuais e ideológicas inadequadas à faixa etária dos estudantes.
“Se o material não reconhece a maternidade, se o material não reconhece a paternidade, se o material traz algum cunho sexual ou algum cunho ideológico que seja inapropriado para as idades, nós faremos a vedação desse material”, afirmou.
A proposta, conforme o prefeito, é selecionar o que será utilizado em sala de aula e produzir conteúdo próprio quando houver discordância em relação ao material enviado pela União.
“Se vier algum material do governo federal com cunho ideológico, com posicionamento ideológico, descartaremos e faremos nosso próprio material”, disse.
Abilio também defendeu que as decisões sobre a educação das crianças considerem tanto os profissionais da área quanto as famílias. Segundo ele, a responsabilidade é compartilhada, e o ensino não deve contrariar a orientação dos pais. “A responsabilidade é conjunta, e aquilo que fere a intenção dos pais de cuidar de seus filhos será corrigido. Não queremos que a criança seja criada ao contrário da criação do pai”, declarou.
Cartilha de gestação
Embora tenha dito que nenhum material escolar foi vetado, Abilio relembrou a recusa a uma cartilha federal voltada à gestação distribuida pelo SUS. Segundo o prefeito, a publicação utiliza a expressão “pessoa que gesta” e será substituída por uma versão produzida pelo município.
“Essa cartilha não será distribuída no município de Cuiabá. Nós vamos produzir a nossa própria cartilha, orientando a maternidade com o conceito de mãe e não de pessoa que gesta”, afirmou.
O prefeito também associou a recusa à abordagem do aborto na publicação, que, segundo sua avaliação, deixa dúvidas. O documento em questão traz informações sobre o direito ao aborto em gestações decorrentes de violência sexual e explica as demais situações em que a é possível interromper uma gravidez, de acordo com legislação brasileira, tais como: em caso de estupro ou estupro de vulnerável; risco de vida para a mulher relacionado a condições de saúde e nos casos de anencefalia fetal.
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Fonte: leiagora





