O fim da chamada “taxa das blusinhas”, sancionado na semana passada [https://www.gazetadopovo.com.br/republica/lula-sanciona-isencao-taxa-das-blusinhas-forcado-lira-2024/] pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva [https://www.gazetadopovo.com.br/tudo-sobre/lula/] (PT), deve acelerar a migração de fábricas brasileiras para o Paraguai. A previsão é do diretor-executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), Edmundo Lima, que vê um aumento da pressão sobre empresas nacionais, ameaça empregos e redução de investimentos no varejo de moda.

A cobrança de um imposto de 20% sobre produtos importados de até US$ 50 foi suspensa em meio à alta desaprovação de Lula [https://www.gazetadopovo.com.br/republica/lula-anuncia-fim-da-taxa-das-blusinhas-a-meses-da-eleicao/] às vésperas da eleição de outubro em que tentará um quarto mandato à frente da presidência da República. Segundo Lima, cerca de 200 empresas já abriram unidades no Paraguai nos últimos anos e outras devem seguir o mesmo caminho.

“Muitas outras do nosso setor irão para lá, especialmente as que estão instaladas no Sul e Sudeste, mais perto da fronteira. A gente está exportando emprego, enquanto deveríamos gerar no Brasil”, afirmou o executivo em entrevista ao site NeoFeed.

Segundo Edmundo Lima, a alta carga tributária e os custos trabalhistas já estimulavam a migração, mas o novo cenário pode ampliar o movimento. Operar no Paraguai, diz, pode reduzir os custos das empresas em cerca de 30%.

Entre as companhias que já se instalaram no país estão a Lupo, que investiu R$ 30 milhões em uma fábrica em Ciudad del Este [https://www.gazetadopovo.com.br/economia/altos-impostos-brasil-empurraram-lupo-paraguai-diz-ceo/], e a catarinense Karsten, que inaugurou uma unidade em Guazú. Para a Abvtex, a perda também alcança o varejo, que pode frear investimentos diante da concorrência estrangeira.

“No começo do ano, havia uma expectativa de aporte de R$ 100 bilhões no varejo, e criação de empregos. Estes investimentos estão congelados”, disse Lima.

A Abvtex também prevê menor arrecadação de impostos, já que a queda das vendas nas lojas brasileiras reduz os tributos recolhidos pelo setor. A preocupação ocorre enquanto a atividade econômica do segmento de vestuário já registra retração de 8,2% em julho na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

“Isso já coloca em risco mais de 800 mil empregos diretos”, afirmou o dirigente citando que o setor de moda e confecção emprega 2,3 milhões de trabalhadores entre indústria e varejo. A combinação de menor consumo e concorrência estrangeira, diz, deve dificultar as principais datas do comércio, como Black Friday e Natal.

A Abvtex pretende pressionar o governo e o Congresso pela revisão da medida, prevista para três meses. O protesto se somará aos realizados pela Confederação Nacional do Comércio de bens, Serviços e Turismo (CNC), que vê risco a aproximadamente 100 mil empregos no varejo nacional [https://www.gazetadopovo.com.br/economia/fim-taxa-das-blusinhas-pode-acabar-com-100-mil-empregos-cnc/].

“É necessário corrigir urgentemente esta distorção. O que a gente quer agora é bom senso e racionalidade”, completou Lima.

Na semana passada, após a sanção da lei, a CNC voltou a defender a isonomia tributária com a alegação de que o setor produtivo brasileiro “atua sob um conjunto de exigências tributárias, trabalhistas, regulatórias e de proteção ao consumidor que não se aplica nas mesmas condições aos concorrentes internacionais”.