A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral que ainda apresenta poucos casos no Brasil, mas já foi identificada em diferentes estados. Apesar de registros confirmados e de uma morte associada à doença, o infectologista Furtado da Costa, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirma que não há motivo para pânico.
Segundo o médico, menos de 1% das pessoas infectadas desenvolve a forma grave da doença. A recomendação é manter a vigilância, especialmente em áreas onde sejam observadas mortes de aves acima do padrão esperado.
A doença é causada por um arbovírus, grupo que também reúne os vírus responsáveis pela dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A transmissão ocorre principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex, que podem adquirir o vírus ao se alimentar do sangue de aves infectadas.
Nem todas as pessoas infectadas apresentam sintomas. A estimativa é de que aproximadamente 20% desenvolvam manifestações clínicas, geralmente leves.
Entre os sinais que podem aparecer estão:
- febre e mal-estar;
- falta de apetite;
- náuseas e vômitos;
- dor de cabeça;
- dor muscular;
- dor nos olhos;
- manchas na pele;
- aumento dos gânglios linfáticos;
- confusão mental;
- rebaixamento do nível de consciência;
- tremores ou convulsões.
Como ocorre a transmissão
Os mosquitos podem se infectar ao picar aves que carregam o vírus. Depois, ao picarem seres humanos, podem transmitir a infecção. De acordo com o infectologista, os sintomas podem se assemelhar aos provocados por outras arboviroses, como dengue e zika.
A doença pode variar de um quadro de febre passageira até manifestações neurológicas graves. Em situações mais severas, o paciente pode desenvolver encefalite, meningite ou outras alterações neurológicas, o que exige avaliação médica imediata e, quando necessário, hospitalização.
Nos casos graves, o tratamento pode exigir internação e atendimento em unidade de terapia intensiva. As medidas incluem reposição de líquidos por via intravenosa, suporte respiratório e cuidados destinados a prevenir ou tratar possíveis complicações.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico considera a avaliação clínica e exames laboratoriais, principalmente quando há sintomas compatíveis associados ao histórico de exposição a locais onde o mosquito transmissor esteja presente.
Não há vacina nem medicamento antiviral específico disponível para tratar a febre do Nilo Ocidental em seres humanos. O atendimento é direcionado aos sintomas e pode envolver repouso, hidratação e acompanhamento médico, de acordo com a situação de cada paciente.
Furtado da Costa também explicou que, diante do número reduzido de casos da doença no mundo, ainda não existe um estudo considerado ideal para o desenvolvimento de uma vacina. O cenário é diferente do observado em arboviroses como dengue e zika, que apresentam quantidade muito maior de casos.
Casos confirmados no Brasil
São Paulo confirmou dois casos humanos de febre do Nilo Ocidental. Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, os registros envolvem uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, e uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto.
A mulher informou ter viajado recentemente para a região amazônica e já se recuperou. A adolescente permanece internada sob cuidados médicos. Esses são os primeiros casos humanos registrados no estado de São Paulo.
As equipes municipais e estaduais continuam investigando os casos para determinar os possíveis locais de infecção e orientar as medidas de prevenção.
De acordo com o Ministério da Saúde, Santa Catarina também confirmou dois casos, sendo que um deles evoluiu para morte. Além disso, há um caso provável no Piauí.
Diante dos registros, o Ministério da Saúde mantém ações de vigilância epidemiológica e laboratorial para identificar novos casos e possíveis áreas de transmissão. A orientação do especialista é acompanhar a situação sem alarmismo, reforçando a vigilância sobre a circulação do vírus e a ocorrência de mortalidade anormal entre aves.
Fonte: cenariomt





