Muitas vezes nos questionamos sobre a vida, seu significado e seu valor e por que fomos nós os escolhidos a viver. Estes questionamentos surgem, principalmente, quando estamos passando por momentos difíceis, quando enfrentamos maiores obstáculos, que são próprios do mundo, da natureza e viver é existir no mundo, existir na natureza, a vida é a própria existência.
Os percalços do caminho não são obstáculos a viver, são focos de batalhas, travadas por nós, viventes. Vencemos algumas dessas batalhas, outras não, mas nunca devemos deixar de lutar, porque a bandeira do ser humano é a vida, a existência. Vamos perder um dia para batalha maior, que é a morte, porém não antes de lutar contra ela, vencê-la muitas vezes antes de um dia sucumbirmos a ela.
É óbvio que a vida não é um estado perene de felicidade ou de conquistas. A tristeza vai sempre existir, chega a ser necessária, sem ela não haveria seu contrário, a força de um abraço … a alegria. Não devemos ignorar a tristeza, mas enfrentá-la, afinal de contas, nem sempre teremos luz e precisamos aprender a viver por algum tempo no escuro.
Setembro Amarelo não é apenas uma campanha, mas um movimento de valorização da vida, veio para acabar com o tabu sobre o suicídio, quebrar o silêncio, que tem como estratégia uma ideia simples: conversar salva vidas. Isso nos ensina que não podemos exigir que as pessoas estejam sempre bem, pelo contrário, precisamos permitir que elas nos falem o quão mal estão se sentindo. A simples conversa inicia-se com o acolhimento, acolher sem julgar, validando sempre o sofrimento de alguém e, quando necessário, partir em busca de tratamento.
Apesar das controvérsias que a Campanha Setembro Amarelo gera, são inúmeros os pontos positivos, como a quebra de tabu e expansão do debate sobre prevenção do suicídio e saúde mental, não apenas nas instituições de saúde, como também nos diversos setores, como escolas, empresas e centros comunitários. Estes recursos geram conhecimento, o que permite a aquele que sofre falar sobre sua dor e procurar ajuda.
Por outro lado, a divulgação, quando feita de forma inadequada, por pessoas despreparados ou equivocadas quanto ao modo certo de transmitir a campanha, pode desencadear um efeito contrário, com o aumento de tentativas de atos contra a própria vida, deixando de ser um movimento de proteção, transformando-se em fator de risco.
A Campanha Setembro Amarelo de Valorização da Vida, tema mais adequado à campanha, não deve se restringir a um único mês, há de tornar-se uma estratégia não apenas de alerta por meio de palestras, como também de acolhimento e canais de acessibilidade, presenciais e on-line, dentro de políticas públicas ao longo do ano. Quando bem conduzida, a campanha deixa de produzir o efeito “Werther” e induz ao efeito “Papageno”.
A campanha Setembro Amarelo deve permanecer, apoiada por políticas públicas sérias, conduzida por profissionais especializados no assunto ou por multiplicadores capacitados.
Viktor Frankl, neuropsiquiatra, sobrevivente do Holocausto, disse “O que importa não é o que esperamos da vida, mas o que a vida espera de nós”. Aqui neste texto aproveito para registrar uma frase de minha autoria: a vida é uma oportunidade de mudanças!
E concluo afirmando que a cada dia mais de vida, maior é a possibilidade de nos depararmos com essas oportunidades.
Fonte: primeirapagina





