Uma estátua de mármore com cerca de 2.500 anos foi encontrada durante escavações em Sardis, no oeste da atual Turquia. A peça, que representa um jovem em tamanho maior que o natural, estava enterrada de bruços e dividida em duas partes.
O achado chamou a atenção porque a escultura não foi apenas danificada com o passar do tempo. Durante o período romano, seus fragmentos foram reaproveitados como parte da pavimentação de uma antiga área da cidade.
Estátua foi criada para fins religiosos
A obra foi produzida entre 470 e 450 a.C., quando um artista esculpiu a figura de um jovem com aproximadamente 2,13 metros de altura. Na mão direita, o personagem segura uma fruta, provavelmente um marmelo, que teria sido usada em uma oferenda aos deuses.
Na época, Sardis era uma cidade importante da Anatólia e havia passado pelo domínio persa. A aparência da estátua antiga reúne características de diferentes períodos da arte da região.
Detalhes revelam uma fase de transição
O cabelo comprido e a postura da figura remetem a tradições escultóricas do século 6 a.C. Já o rosto e as mãos apresentam formas associadas às obras produzidas na primeira metade do século 5 a.C.
A roupa também oferece pistas sobre a origem cultural da peça. O jovem aparece usando vestimentas consideradas tipicamente lídias, com um himation sobre um chiton e outra peça listrada.
Para os pesquisadores, essa combinação de elementos mais antigos com características mais recentes torna a escultura de mármore especialmente relevante para compreender as mudanças artísticas daquele período.
Romanos transformaram a obra em pavimentação
Séculos depois, Sardis passou ao domínio romano, em 133 a.C. Foi nesse contexto que a função original da estátua mudou de forma radical.
Os romanos quebraram o monumento em duas partes e colocaram os fragmentos de bruços no chão. O mármore passou então a ser usado como material de pavimentação.
Apesar de representar a destruição da obra, essa reutilização acabou ajudando a preservá-la. Mantidos sob o piso e voltados para baixo, os principais fragmentos ficaram protegidos por muitos séculos.
Descoberta preserva partes importantes
Durante as escavações, os arqueólogos identificaram os dois grandes fragmentos e perceberam que se tratava de uma descoberta incomum. A peça perdeu os pés e alguns pedaços menores, mas suas duas partes principais permaneceram.
A forma como os romanos reutilizaram o monumento criou uma proteção inesperada. O que havia sido transformado em material para uma antiga calçada acabou conservando parte de uma obra produzida milhares de anos atrás.
Sardis reúne vestígios de diferentes períodos
A descoberta também amplia o conhecimento sobre a história de Sardis. A cidade foi capital do antigo reino da Lídia e, ao longo dos séculos, esteve sob domínio persa, grego, selêucida e romano.
Em períodos posteriores, Sardis se tornou um centro cristão e também abrigou uma comunidade judaica. O declínio começou no século 6 d.C., enquanto o abandono completo ocorreu apenas no início do século 15.
As primeiras escavações no local foram realizadas entre 1910 e 1914. Desde 1958, uma expedição permanente mantém pesquisas na área. Mesmo após décadas de trabalhos arqueológicos, essa é considerada a primeira escultura desse tipo identificada em Sardis.
Peça passará por conservação
Os pesquisadores ainda vão limpar, analisar e restaurar a estátua. Entre os objetivos está a busca por vestígios de tinta na superfície do mármore, já que muitas esculturas produzidas na Antiguidade eram originalmente coloridas.
Após a conclusão dos trabalhos de conservação, a expectativa é que a peça seja exposta no Museu de Manisa, localizado na cidade turca de mesmo nome. A descoberta, além de revelar uma obra preservada de forma incomum, ajuda a reconstruir as transformações culturais e artísticas vividas por Sardis ao longo de milhares de anos.
Fonte: cenariomt





