Uma cauda com quase oito metros, um vestido rosa em plena década de 1960, rendas feitas à mão e, décadas depois, um véu tão comprido que precisou de várias pessoas para ser carregado. Alguns vestidos de noiva deixaram de ser apenas parte de um casamento e acabaram entrando para a história da moda.
Antes das redes sociais transformarem cada detalhe de cerimônias de famosos em assunto mundial em questão de minutos, casamentos reais e estrelas de Hollywood já ditavam tendências. Um dos exemplos mais emblemáticos é o de Grace Kelly, que se casou com o príncipe Rainier III, de Mônaco, em 1956.
Criado pela figurinista Helen Rose e produzido pelo departamento de figurinos da MGM, o vestido tinha gola alta, mangas longas e um corpete elaborado em renda de Bruxelas, além de uma saia volumosa de seda. A peça se tornou uma das mais famosas da história e hoje integra a coleção do Philadelphia Museum of Art.
Mais de meio século depois, quando Kate Middleton apareceu para se casar com o príncipe William, em 2011, as comparações com Grace Kelly foram quase inevitáveis. O modelo criado por Sarah Burton para Alexander McQueen também apostava nas mangas longas e na renda, mas combinava elementos tradicionais com uma construção mais contemporânea. A renda aplicada ao corpete e à saia foi trabalhada à mão pela Royal School of Needlework, e a cauda media cerca de 2,7 metros.
Antes disso, porém, Audrey Hepburn já havia mostrado que vestido de noiva não precisava seguir a fórmula de saia longa, véu e branco absoluto. Em seu segundo casamento, com Andrea Dotti, em 1969, a atriz usou um minivestido rosa-claro de Givenchy, de mangas longas e gola alta. Com sapatilhas, meia-calça branca e um lenço no cabelo, Audrey transformou uma proposta simples em um dos looks nupciais mais lembrados da década.
Mas poucos vestidos conseguiram criar uma imagem tão instantaneamente reconhecível quanto o usado pela princesa Diana, em 1981. Assinado por David e Elizabeth Emanuel, o modelo de tafetá de seda tinha mangas bufantes, saia volumosa, babados e uma cauda de 25 pés, cerca de 7,6 metros. O exagero traduzia a estética dos anos 1980 e ajudou a construir uma das imagens mais reproduzidas dos casamentos da realeza.
Décadas depois, a realeza voltou a colocar um vestido de noiva no centro da conversa mundial com Meghan Markle, em 2018. Na direção contrária do excesso de Diana, Meghan escolheu linhas limpas, mangas longas e decote canoa em um vestido minimalista da Givenchy, criado por Clare Waight Keller. O véu, porém, guardava a parte mais trabalhada: flores representando os países da Commonwealth foram bordadas na peça.
Dos altares às redes: os vestidos recentes que também causaram
Se os casamentos reais ajudaram a criar alguns dos vestidos mais conhecidos do século passado, Instagram, TikTok e Pinterest deram às noivas famosas uma nova dimensão de influência. Um detalhe visto nas fotos da cerimônia passou a ser suficiente para virar tendência mundial.
Foi o que aconteceu com Priyanka Chopra, que se casou com Nick Jonas em 2018 usando uma criação de Ralph Lauren. O vestido exigiu 1.826 horas de trabalho, mas foi o véu que roubou a cena: feito de tule, tinha 75 pés, aproximadamente 22,8 metros de comprimento, e precisou ser carregado por vários assistentes.
No ano seguinte, Hailey Bieber apostou em um caminho completamente diferente. Seu vestido de renda criado por Virgil Abloh, da Off-White, ganhou um elemento inesperado no véu comprido: a frase “Till Death Do Us Part”, ou “Até que a morte nos separe”, bordada na parte inferior com a estética gráfica característica da marca. O detalhe transformou o look em uma das imagens mais compartilhadas daquele casamento.
Em 2022, Nicola Peltz Beckham seguiu a tendência minimalista para se casar com Brooklyn Beckham. O vestido Valentino Haute Couture dispensou bordados excessivos e apostou em uma silhueta limpa. O drama ficou por conta da longa cauda e das luvas artesanais de renda francesa, responsáveis por quebrar a simplicidade do modelo.
Já Sofia Richie Grainge ajudou a transformar seu casamento de 2023, na Riviera Francesa, em praticamente um manual da estética conhecida como quiet luxury, o “luxo silencioso”. Ela não usou um, mas três vestidos Chanel de alta-costura durante o fim de semana de celebrações. Para a cerimônia, escolheu um modelo de renda com decote halter e longa cauda. No interior da peça, havia ainda um coração bordado e as iniciais “S&E” em azul.
Em 2024, foi a vez de Millie Bobby Brown entrar para a lista. Para a celebração do casamento com Jake Bongiovi na Itália, a atriz usou um modelo sob medida da Galia Lahav, com corpete estruturado, renda, saia ajustada e uma longa cauda. Uma sobressaia removível permitia mudar o volume da peça durante a cerimônia.
E no Brasil?
O Brasil também teve seus momentos de moda nupcial recente. Em junho de 2025, Giovanna Lancellotti escolheu um vestido sob medida da Vivienne Westwood para a cerimônia com Gabriel David aos pés do Cristo Redentor. Feito em cetim de seda, o modelo tinha corset estruturado e linhas mais limpas. Dias depois, para uma segunda celebração na Vinícola Lancellotti, em São Paulo, a atriz mudou completamente a proposta e surgiu com uma criação volumosa de Giambattista Valli.
Também em 2025, Lara Silva, filha de Faustão, escolheu Vivienne Westwood para o casamento intimista com Julinho Casares. O vestido tinha corset estruturado e ganhou ainda mais volume com uma saia de tule usada por baixo da peça.
Das rendas delicadas de Grace Kelly ao gigantesco véu de Priyanka Chopra, a fórmula para criar um vestido inesquecível nunca foi exatamente a mesma. Alguns ficaram famosos pelo tamanho, outros pela simplicidade e outros por romperem completamente com aquilo que se esperava de uma noiva.
O que todos eles têm em comum é justamente o que faz um vestido sobreviver muito além do casamento: basta uma imagem para reconhecer de quem ele era.
Fonte: primeirapagina





