O frio de agosto, mesmo ameno durante o dia, me pegou de surpresa quando cheguei em Campos do Jordão. Mas bastou entrar na minha cabana no Chateau La Villette para ser tomado por uma sensação de conforto e aquela vontade de não arredar mais o pé.
A pousada fica atrás de um discreto portão de madeira, na Vila Everest, no alto de um morro de onde a vista se abre para os contornos da Mantiqueira. A apenas cinco minutos de carro, Capivari concentra os principais restaurantes, lojas e atrações da cidade, além do parque que leva o nome do bairro.
O Chateau La Villette foi construído como uma cabana de campo pelo casal Luiz e Ana Maria Rozette. Em 1999, eles transformaram o local em pousada de luxo. Naquele momento, Campos passava por uma segunda onda de crescimento turístico, que começou com a inauguração do teleférico em 1970, seguido do desenvolvimento da Vila Capivari e do retorno do Grande Hotel Campos do Jordão, doado ao Senac em 1982 e reaberto em 1987 após quase duas décadas fechado.
Desde 2000, o La Villette faz parte da Associação de Hotéis e Pousadas Roteiros de Charme e figura na categoria Esmeralda, a mais alta da entidade, com apenas 11 integrantes. Para quem é saudoso do Guia Quatro Rodas, na última edição em que as hospedagens ainda eram classificadas, em 2014, o La Villette estava no top 5 de Campos do Jordão. A proposta de ser uma pousada apenas para maiores de 14 anos segue firme e forte, já os pets são aceitos em duas das suítes.
Refúgio para dias frios
O check-in no La Villette acontece na sala, nada que lembre a impessoalidade dos grandes hotéis. São 15 suítes distribuídas entre o prédio principal mais o Chalé Winter, erguido em 2025 em comemoração aos 20 anos do restaurante da hospedagem.
Logo fui ao gramado conferir a vista. Me acomodei em uma das cadeiras estofadas de verde distribuídas pela área externa e agrupadas em torno de fire pits. De dia, o gostoso é aproveitar a paisagem serrana; à noite, o espaço é tomado pelas luzes da cidade e das estrelas, momento que é embalado por música ambiente.
A poucos passos dali, atrás do Chalé Winter, fica a hidromassagem ao ar livre. Somente um casal por vez pode ocupá-la. Há também a sauna envidraçada com vista para os morros.
No interior da hospedagem, a decoração é daquelas que acolhe no melhor estilo de um chateau europeu normando, com longos sofás, cortinões, luz indireta e muita madeira em contraste com as paredes brancas. Em uma pegada cabana de caçador, uma das paredes guarda uma coleção de taxidermias de troféus de caça.
Acima de um mezanino, fica a sala de jogos e a biblioteca. O pé direito baixo resulta em uma atmosfera muito acolhedora – foi difícil levantar de lá. É possível escolher a trilha sonora em um sistema de som no local, enquanto as mesas com tabuleiros de xadrez e feltro verde convidam a uma jogatina.
Quartos
Quando entrei no meu quarto, me senti nas páginas da revista Architectural Digest. Tudo muito confortável, aconchegante e até fofo. A padronagem xadrez toma conta do papel de parede, das roupas de cama, das cortinas, enquanto contrasta com a madeira do chão ao teto. O ambiente era quentinho graças ao aquecedor. O banheiro tem a mesma pegada vintage, com bidê e toalhas aquecidas.
Fiquei na suíte Pássaros, uma das quatro na categoria Luxo. Cada uma desse grupo tem 25m², cama queen size e enxoval de 600 fios. Duas unidades contam com varanda. Um degrau acima, o grupo Premium tem duas suítes com 45m², cama super king e varanda.
A categoria Especial eleva o padrão com seis quartos de 60 a 80m² dotados de uma bela jacuzzi e cama super king (veja um exemplo no carrossel abaixo). A categoria mais alta é ocupada por três suítes Master: 90 a 130m², também camas super king e jacuzzi.
Há ainda a opção de alugar o Chalé Winter por completo. Até seis pessoas podem dormir em suas três suítes, uma delas master, com acesso a jacuzzi, cozinha completa e churrasqueira. O local é muito buscado para eventos – quando estive lá, aconteceu um casamento e a família do casal estava acomodada na cabana.
Café da manhã e restaurante Le Foyer
A pressa definitivamente não combina com o La Villette. No frio, é difícil sair da cama quando tudo dentro do quarto convida a ficar. O hoteleiro que entendeu isso faz o quê? Estica o café da manhã até as 13h. A partir das 16h30, entra em cena o chá da tarde, com bolos – e, nos fins de semana, espumante.
No interior da cabana, o restaurante Le Foyer recebe hóspedes e visitantes desde 2005. O menu é de pratos inspirados na culinária franco-suíça, misturados ao terroir da montanha. Há opções como risoto de trufas negras (arroz carnaroli com cogumelos shitake, shimeji, paris e trufas negras) e filé au poivre vert (medalhão de filé ao molho de pimenta verde em grãos acompanhado de batata gratinada). É possível também curtir uma seleção de petiscos nas poltronas do gramado.
O local participa da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança, um grupo criado em 1994 restrito a estabelecimentos de excelência. Hoje, tem 98 membros em 12 estados do Brasil. Devido à membresia, o Le Foyer serve o Prato da Boa Esperança, que neste ano é o ravioli agnello. Quem escolhe esse item no menu, ganha um prato decorado: em 2026, a louça tem a ilustração de um carneiro com roupas de chef.
A ambiência segue o estilo do chateau, mas com mais adornos. Uma antesala oferece dois sofás Chesterfield para uma boa conversa antes do jantar. Ao entrar no salão, os janelões trazem a paisagem de montanha para o interior do local, enquanto as luzes baixas e um lustre em madeira criam o clima intimista. Nas paredes, há uma sequência de pratos ilustrados da Boa Esperança dos últimos anos. Às sextas e sábados, um pianista toca no local. Certamente, um lugar que convida a ficar – e também a voltar.
Como chegar
O Chateau La Villette fica na Vila Everest, em Campos do Jordão, a 190km de São Paulo. Da capital, siga pela Marginal Tietê, depois a Rodovia Ayrton Senna (SP-070), que passa a se chamar Carvalho Pinto na sequência. Continue até Taubaté e pegue a Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro (SP-123), em direção a Campos do Jordão. Ao chegar à cidade, siga pelas vias que levam à região de Capivari e entre na Rua Joaquim Pinto Seabra. De lá, vá até o número 100, onde fica a hospedagem.
Veja um guia completo de Campos do Jordão.
Fonte: viagemeturismo





