Economia

Oportunidades da Economia Verde no Nordeste: Novo Mapa Destaca Potencial da Região

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2026

Um projeto está percorrendo os nove estados do Nordeste para mapear oportunidades econômicas, setores produtivos e competências que possam contribuir para a transição da região para uma economia de baixo carbono. A iniciativa Futuros Verdes no Nordeste é conduzida pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) e pelo Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (CESAR).

O trabalho busca ouvir especialistas e representantes do setor produtivo para transformar conhecimentos sobre sustentabilidade em orientações estratégicas, considerando as diferenças entre os territórios nordestinos. O levantamento também pretende apontar necessidades de formação e capacitação profissional diante das mudanças climáticas e da transformação dos modelos de produção.

Para Diogo Araújo, biólogo, analista do CESAR e um dos coordenadores do projeto, a transição para uma economia de baixo carbono depende de planejamento. Segundo ele, as oportunidades não se distribuem de maneira automática, o que torna necessário compreender as particularidades da região.

O Nordeste reúne desafios provocados pelas mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, condições para desenvolver alternativas produtivas mais sustentáveis. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a caatinga está entre os biomas mais ameaçados pela desertificação no mundo.

Dados do MapBiomas indicam que, em 2025, três dos cinco estados brasileiros que mais desmataram estavam no Nordeste: Maranhão, Piauí e Bahia. A região também concentra quatro das sete cidades brasileiras apontadas pela Climate Central como mais ameaçadas pela elevação do nível do mar: Recife, São Luís, Fortaleza e Salvador.

Apesar dos riscos ambientais, o Nordeste apresenta forte potencial para atividades ligadas à transição energética. Segundo os dados apresentados pelo projeto, 92% da energia eólica produzida no Brasil vem da região. O Nordeste também abriga cinco das dez maiores usinas solares do país e possui o turismo como uma importante fonte de geração de recursos.

Para Mário Cardoso, gerente de Recursos Naturais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), as possibilidades incluem bioeconomia, biodiversidade da caatinga, biomassa, etanol e fontes renováveis, como energia solar e eólica.

O especialista ressalta, porém, que transformar potencial em desenvolvimento exige mais do que recursos naturais ou condições favoráveis. Entre os fatores necessários estão cadeia produtiva, demanda empresarial, mercado, viabilidade técnica, infraestrutura, regulamentação e capacidade de execução.

Um exemplo citado por Cardoso é a energia eólica: ter condições para instalar parques não é suficiente quando faltam linhas de transmissão e estruturas capazes de sustentar a atividade. Para ele, o desenvolvimento depende de uma estratégia que reúna diferentes condições e investimentos.

A qualificação profissional também aparece como um dos pontos centrais do projeto. Nicolis Amaral, do Instituto Clima e Sociedade (iCS), defende mudanças na formação de trabalhadores para acompanhar as novas demandas relacionadas às mudanças climáticas.

Formada em engenharia química, Nicolis cita a própria trajetória como exemplo dessa transformação. Segundo ela, sua graduação teve foco no setor de petróleo, enquanto a especialização em descarbonização ocorreu posteriormente, por meio de cursos adicionais.

Para a engenheira, a transformação das profissões acompanha as necessidades do mercado. Nesse cenário, a expansão de projetos e investimentos ligados à economia verde tende a criar novas demandas por profissionais qualificados.

O projeto Futuros Verdes no Nordeste pretende justamente identificar essas oportunidades e contribuir para o planejamento da capacitação necessária nos nove estados da região.

Cardoso também alerta para a necessidade de acelerar a adoção de processos sustentáveis. Segundo ele, empresas que não acompanham as exigências ambientais podem perder espaço, especialmente diante de regras estabelecidas por países e blocos econômicos, como a União Europeia.

O desafio é preservar os recursos naturais antes que a degradação impeça o surgimento de novas cadeias produtivas. Na avaliação do especialista, atividades ligadas à bioeconomia precisam ser estruturadas rapidamente para que o Brasil consiga transformar seus recursos em produtos de maior valor agregado.

Fonte: cenariomt

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