O siriri, uma das manifestações culturais mais conhecidas de Mato Grosso, ganha uma leitura que vai além dos passos, das saias rodadas e da música no livro Dança da Arraya-Miúda: racialidade e cultura histórica sobre o siriri nas narrativas de jovens dançarinos e estudantes, da pesquisadora, professora e bailarina Mariana Destro Marioto.
A obra terá pré-lançamento nesta sexta-feira (21), no Cine Teatro Cuiabá, dentro da programação do Festival de Teatro Luiz Carlos Ribeiro. A participação é gratuita.
Resultado de uma pesquisa de mestrado em História pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o livro busca compreender como o siriri é contado e percebido por jovens que dançam ou convivem com essa manifestação cultural.
Um dos pontos centrais da publicação é a discussão sobre racialidade. Mariana investiga como a presença de populações negras aparece — ou deixa de aparecer — nas narrativas construídas ao longo do tempo sobre as danças populares mato-grossenses.
A inquietação surgiu também da experiência da própria pesquisadora como bailarina. Ao circular por grupos e espaços ligados às danças regionais, Mariana percebeu que era comum ouvir explicações sobre o siriri baseadas principalmente na mistura entre povos indígenas, africanos e europeus.
A convivência com o grupo Flor do Campo, formado majoritariamente por pessoas negras, fez com que ela passasse a observar de forma mais atenta como a negritude era representada nessas histórias.
O que significa “arraya-miúda”?
O próprio título do livro nasceu de um documento histórico encontrado durante a pesquisa.
A expressão “arraya-miúda” era utilizada para se referir às camadas populares e apareceu associada a manifestações culturais como samba, siriri e cururu.
Ao recuperar o termo, Mariana coloca em evidência pessoas e práticas culturais que, apesar de fazerem parte da história de Mato Grosso, nem sempre ocuparam espaço de destaque nos registros históricos.
A pesquisa reúne documentos, entrevistas com pessoas ligadas ao siriri e atividades realizadas com estudantes. A proposta é aproximar a produção acadêmica de leitores que não necessariamente estão dentro da universidade.
Para a autora, observar uma dança popular também pode ser uma maneira de acessar diferentes períodos da história e compreender as relações sociais que ajudaram a construir essas manifestações.
Livro nasceu de pesquisa na UFMT
A publicação é baseada na dissertação de mestrado de Mariana, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em História da UFMT, sob orientação do professor Marcelo Fronza.
Atualmente doutoranda em História pela universidade, ela integra o Grupo Pesquisador em Educação Histórica e pesquisa as relações entre danças populares, história e cultura escolar.
Além da atuação acadêmica, Mariana é professora e bailarina, com experiência em balé clássico, dança contemporânea e danças populares.
O projeto que resultou no livro também prevê a produção de um documentário, ainda em desenvolvimento.
Durante o pré-lançamento desta sexta-feira, o público poderá ter acesso a exemplares da publicação. O encontro é aberto a estudantes, pesquisadores, artistas, integrantes de grupos de dança e demais interessados na cultura mato-grossense.
Fonte: primeirapagina





