O município goiano de Rio Quente praticamente se apresenta pelo nome. Grande parte da fama do destino vem de suas águas termais – e com razão, é seu maior trunfo. No entanto, basta passar alguns dias na pequena cidade, a 178km ao sul da capital, para perceber que há outro elemento que complementa a atmosfera tranquila das piscinas quentinhas, o Rio Quente Resorts.
Em meio ao verde e às araras, o complexo administrado pela Aviva reúne hotéis, um parque aquático, restaurantes e muita natureza. Foi ali que fiquei hospedada no recém-rebatizado Refúgio Grand Premium, que por quase 50 anos funcionou como Hotel Turismo.
O nome mudou, a decoração passou por uma revolução e a categoria subiu, mas uma característica do antigo Turismo continua presente: aquela sensação de estar perto de tudo sem necessariamente estar no meio da agitação.
A fachada em tons claros é discreta e o edifício é cercado por palmeiras. Ao entrar, fica mais claro que o hotel se propõe a ser um ambiente intimista, mas ainda assim pensado para curtir em família. Os detalhes em pedras e madeira, combinados à iluminação quente, dão ao espaço um ar de luxo contemporâneo, sem excessos.
O novo nome Refúgio ajuda a entender a ideia. Muitos visitantes já descreviam o antigo Turismo dessa maneira, e a reforma partiu justamente dessa percepção. O resultado é uma hospedagem que tenta equilibrar duas coisas que, à primeira vista, parecem opostas: a estrutura de um resort voltado para famílias e um clima mais tranquilo, de descanso.
Crianças fazem parte da paisagem sonora do hotel, especialmente em horários de maior movimento. Mas basta se afastar um pouco da área da piscina para encontrar outro cenário, marcado pelo som dos pássaros. Foi essa combinação, e a possibilidade de pender mais para uma ou para outra, que eu mais gostei na hospedagem.
Por dentro do hotel
A recepção é inspirada no Cerrado, com formas e pedras que ajudam a trazer a paisagem de Goiás para dentro do hotel. Um exemplo disso são as ondas no teto fazendo referência às árvores retorcidas, típicas da vegetação do bioma.
É ali que acontece o check-in. Na chegada, o hóspede recebe uma pulseira que funciona como chave para entrar no quarto e também registra os gastos feitos ao longo da estadia.
Ao lado da recepção, há uma loja que pode salvar quem esqueceu alguma coisa. Por ali, dá para comprar roupas de banho e outros itens para aproveitar as piscinas. Até copinhos de shot estão à venda.
O Refúgio pode não ser o hotel mais próximo das águas termais do Parque das Fontes (caso esse seja um requisito pra você, a melhor escolha é o Hotel Pousada), mas dá para chegar nas águas quentinhas após uma caminhada de 10 minutos, além de haver transfers circulando pelo complexo. Já o parque aquático Hot Park conta com uma entrada exclusiva no próprio Refúgio Grand Premium. Para ir, todo santo ajuda por ser uma descida que fica próxima da área infantil Hoti Bum. Já a volta exige um pouco das pernas, mas o transfer sempre salva.
Para chegar aos quartos, divididos em dois andares, tem elevador e também uma rampa circular sobre um átrio, que acaba sendo um dos detalhes arquitetônicos mais interessantes do edifício.
O mais curioso fica do lado de fora. Em meio a uma caminhada pelo resort, não era difícil ser surpreendida pela natureza. No fim da tarde, ocorre um verdadeiro show das araras, que sobrevoam o complexo.
Os quartos
O Refúgio Grand Premium tem 148 acomodações, divididas nas categorias Master, Master Família, Suíte Master e Suíte Presidencial. Eu fiquei em um Apartamento Master, a categoria mais numerosa do hotel, com 126 quartos.
A reforma mudou bastante o espaço. Saiu aquela estética mais convencional, com decoração genérica e aparência cansada, e entrou uma combinação de madeira clara, piso renovado e tecidos confortáveis nas roupas de cama.
O quarto tem 23m² e duas camas, uma queen size e outra de casal. O espaço de circulação é muito bom e, o closet, é daqueles em que dá para guardar a bagagem da família inteira.
O espaço também tem ar-condicionado, televisão, frigobar e mesa de trabalho. O banheiro é compacto, mas o chuveiro a gás tem boa pressão e esquenta bastante, algo muito bem vindo mesmo depois de sair das águas quentinhas do Parque das Fontes e caminhar com o vento batendo nas costas, ou mesmo depois de ter passado um dia fervendo no Hot Park.
Próximo ao banheiro, havia uma janela grande com vista para a Serra de Caldas e para o Hot Park. A janela também virou o meu camarote para ver as araras no amanhecer e no entardecer.
Outro detalhe bem pensando foi a iluminação. Ao tocar o interruptor, as luzes acendem gradativamente. Descobri a utilidade disso logo pela manhã, quando precisava abrir os olhos ainda meio sonolenta. Foi quase um agrado para as minhas retinas.
O apartamento Master Família mantém os mesmos 23m², mas acomoda duas camas queen size. Já a Suíte Master tem 49m² e separa as acomodações em dois ambientes, com duas camas de solteiro em um deles e uma king size no outro. No topo da lista de chiqueza está a Suíte Presidencial, um duplex de 85m² com sala, copa e dois quartos, que mais parece uma pequena casa dentro do hotel.
O ponto em comum entre eles é a tentativa de deixar o quarto mais silencioso. O hotel incorporou isolamento acústico, iluminação indireta e outros detalhes que nem sempre chamam atenção imediatamente, mas fazem toda diferença quando você deita e percebe que está em um ambiente muito confortável.
Refeições
A diária do Refúgio funciona no sistema de meia pensão, com café da manhã e almoço inclusos. As duas refeições são servidas no Restaurante Pequi, próximo a recepção, em um bufê bastante extenso, enquanto o jantar funciona à la carte e é pago à parte.
O restaurante também passou pela reforma e ganhou mais espaço e uma atmosfera que combina com o restante do hotel. Iluminação baixa, muita madeira, pedra e sofás espalhados pelo salão compõem o ambiente.
Em períodos de maior movimento, uma recepção na entrada ajuda a organizar a espera. Também há ambientes mais reservados, próximos à adega, que podem ser fechados para grupos e famílias que querem fazer uma refeição com mais privacidade.
Gostei especialmente da circulação do bufê. Em vez de uma única fila, as ilhas ficam organizadas de maneira a permitir que os hóspedes transitem por diferentes pontos e parem onde realmente interessa. A comida tem variedade suficiente para não enjoar depois de alguns dias e consegue agradar diferentes perfis.
No café da manhã – servido das 7h30 às 10h –, há frutas, iogurtes, cereais, frios, queijos, pães, pamonha, bolos, doces, além de waffles e panquecas. Também encontrei opções veganas e itens para diferentes restrições alimentares, além de whey protein para a turma fitness.
Para animar o desjejum, o Pequi também conta com a ilustre presença da Lara, a arara da Turminha da Zoeira, criada pelo próprio Rio Quente Resorts.
O almoço funciona das 12h30 às 15h, com uma variedade ainda maior. O bufê reúne saladas, grãos, frios, massas finalizadas na hora, sobremesas e uma estação de grelhados preparados na brasa. Para quem prefere os clássicos, não faltavam massas, carnes e pratos como moqueca e feijoada. As crianças também têm uma estação própria, com opções como batata frita e mini hamburguer.
À noite, o Pequi muda de proposta e passa a funcionar à la carte, das 19h30 às 22h. Na minha estadia, pedi um crudo de pirarucu (R$ 69) de entrada e um arroz caldoso com polvo grelhado (R$ 122). Os dois vieram bem servidos e estavam gostosos.
Também existe a possibilidade de comer em outros pontos do complexo. Uma das minhas melhores refeições noturnas aconteceu no Parque das Fontes, onde meu grupo pediu algumas porções para comer enquanto aproveitávamos as piscinas.
O Hot Park também conta com vários pontos de alimentação, com doces, sorvetes, salgados, espetinhos, sanduíches e pizza. Também dá para encontrar pontos de self-service de chope.
No parque aquático, a maior concentração de barracas de alimentação fica na Praia do Cerrado, onde está o restaurante Maraé. Durante a baixa temporada, o espaço funciona à la carte, enquanto na alta temporada o serviço passa a ser em sistema de bufê.
Atrativos
O trunfo de ficar no Refúgio Grand Premium é que você não fica limitado ao que existe dentro do hotel. Na prática, o quarto é basicamente só a sua base para explorar o restante do complexo.
As duas piscinas particulares do Refúgio têm águas quentes, sendo uma adulta e outra infantil. Se a ideia for sossego e fugir do auê da criançada, vale aproveitar as piscinas nos horários de menor movimento, especialmente durante o funcionamento do Hot Park, das 10h às 17h.
Há ainda o Bar das Artes, onde dá para fazer uma pausa entre um mergulho e outro, e o espaço infantil, que vira ponto de encontro dos pequenos durante o dia.
Os hóspedes dos hotéis do resort podem usar as quadras de tênis, pickleball e beach tennis. Os equipamentos podem ser emprestados na recepção e há aulas inclusas na programação. As de tênis acontecem às terças e quintas, das 9h às 11h e das 16h às 18h. Já o pickleball ocorre às quartas, a partir das 9h30, e o beach tennis funciona às terças e sextas, das 10h às 17h.
Também existe um lago artificial para quem quiser trocar as piscinas pela pescaria. Dá para levar o próprio equipamento ou alugar.
Para quem prefere se manter em movimento, há ainda a academia localizada na área do Parque das Fontes. Ao lado fica o spa, que oferece massagens, tratamentos e banhos especiais pagos à parte.
PARQUE DAS FONTES
Para chegar ao Parque das Fontes saindo do Refúgio, é preciso seguir as sinalizações. Do térreo, perto do Bar das Artes, basta caminhar em direção ao espaço infantil e continuar pelo caminho em meio à vegetação.
O trajeto é cercado pela mata nativa e pelo paisagismo de Burle Marx. A ida é uma delícia, principalmente pela presença da fauna. No caminho, vi macaquinhos pulando de árvore em árvore e siriemas. Só vale guardar um pouco de energia para a volta, já que há uma subida mais íngreme.
Se estiver cansado demais, não precisa encarar. Um transfer gratuito faz o percurso de volta e deixa os hóspedes na porta do Refúgio. Para pegá-lo, basta ir até a recepção do Hotel Pousada (que eu mencionei no início ser o mais próximo do Parque das Fontes). Há placas sinalizando o caminho.
Antes de entrar na água, vale pegar uma toalha de piscina na recepção do hotel. Elas ficam disponíveis para os hóspedes e facilitam bastante a vida de quem pretende passar algumas horas por ali.
O parque é o grande destaque do Rio Quente Resorts. Ali estão oito piscinas abastecidas pelas nascentes de águas naturalmente quentes, que chegam a cerca de 37,5 ºC, construídas respeitando o leito natural do rio.
Em algumas partes das piscinas dava para ver as pequenas bolhas de água quente subindo do fundo. Me diverti muito colocando o pé bem em cima delas e sentindo um formigamento quentinho.
A água não é vulcânica, como muita gente imagina. O fenômeno é geotérmico e começa na Serra de Caldas, onde a água da chuva penetra por fissuras na rocha e passa por um longo processo no subsolo antes de voltar à superfície já aquecida.
Além das oito piscinas, o Parque das Fontes tem duchas termais, saunas e ofurôs como o Poço do Governador e o Poço da Primeira-Dama, onde a temperatura da água costuma ser ainda mais quente. É justamente nessa área que ficam algumas das nascentes que alimentam o rio.
Durante a minha estadia, gostei especialmente de ir ao parque à noite. Com menos gente, iluminação baixa e a mata ao redor, o ambiente ganha uma atmosfera diferente (embora também seja mais fácil se perder). Se houver disposição para acordar cedo, também recomendo aproveitar as águas termais antes do café. As primeiras horas da manhã costumam ser mais tranquilas.
HOT PARK
Para quem viaja com crianças – e também para quem, como eu, não dispensa uma boa atração aquática – o acesso ao Hot Park é outro grande diferencial.
O parque ocupa cerca de 150 mil m² e tem mais de 22 atrações. Há bastante coisa espalhada pelo espaço, desde áreas infantis e piscinas até toboáguas, rio lento e a Praia do Cerrado.
Para os pequenos, há duas áreas grandes, o Hoti Bum e o Clubinho da Criança, com escorregadores de diferentes tamanhos, esguichos e aqueles baldões que viram de tempos em tempos e fazem a alegria da criançada. Os dois espaços têm lanchonetes e espreguiçadeiras em áreas de sombra.
Já a Praia do Cerrado é quase um destino em si dentro do parque. A área tem areia de verdade, piscinas de ondas, quadras de beach tennis, barracas de comida e um palco onde acontecem shows e atividades de recreação. É também por ali que rolam algumas das programações típicas de resort, como hidroginástica.
Mas confesso que foram os toboáguas e atrações radicais que mais me entusiasmaram. Há opções para descer sozinho, de boia ou no tapetinho, e vários níveis de adrenalina. Eu me diverti muito no Half Pipe, que tem aquele formato de U e uma descida em que o coração parece que vai sair pela boca por alguns segundos.
Também encarei o Xpirado, com uma queda de 31 metros de altura. Os outros toboáguas, mesmo os menos radicais, também são uma delícia e rendem boas doses de diversão.
Em uma área represada do Rio Quente, é possível fazer atividades pagas à parte, como rafting, aquabike, caiaque e até mergulho para observar os peixes de água doce.
Outro ponto que vale saber antes de montar o roteiro é que o Hot Park fecha às quintas-feiras para manutenção. Então, se sua estadia incluir esse dia, programe-se para aproveitar o Parque das Fontes, as piscinas e as outras atividades do resort.
Como chegar?
O Refúgio Grand Premium fica dentro do complexo do Rio Quente Resorts, a cerca de 7 km do centro de Rio Quente.
Para quem chega de avião, o Aeroporto de Caldas Novas (CLV) é a opção mais prática, porém ainda é servido por uma malha limitada, o que faz com que muitos hóspedes optem por chegar por Goiânia ou Uberlândia, ambas a cerca de 180 km do resort.
Nesses casos, uma alternativa é reservar o transfer diretamente com o hotel, que oferece o serviço por meio de empresa terceirizada. Também dá para alugar um carro e seguir por conta própria. De Goiânia, o percurso leva entre 2h30 e 3h pelas rodovias BR-153 e GO-213. De Brasília, são cerca de 4h.
Serviço
Refúgio Grand Premium
Onde? Rua particular complexo turístico, SN – Esplanada do Rio Quente, Rio Quente – GO
Quanto? Diárias a partir de R$ 2.200
Fonte: viagemeturismo





