Atualmente, no Brasil, a Constituição estabelece que o mandato presidencial tem duração de quatro anos. O presidente da República pode ser reeleito uma vez consecutivamente. Depois disso, pode voltar a disputar o cargo em uma eleição posterior. A mesma regra vale para governadores e prefeitos. Já senadores, deputados e vereadores não têm limite para o número de reeleições.
Mas, ao longo da história, os mais de 30 presidentes que passaram pelo cargo tiveram trajetórias bastante diferentes. Alguns permaneceram no poder por mais de 10 anos, outros, por poucos dias. Confira quem ficou menos e mais tempo na Presidência do Brasil:
Carlos Luz: o presidente brasileiro que ficou menos tempo no cargo (3 dias)
Carlos Luz era presidente da Câmara dos Deputados quando, em 8 de novembro de 1955, assumiu a presidência da República de forma temporária (na linguagem do direito, isso é chamado de “assumir interinamente”). Ele entrava no lugar de Café Filho, que estava afastado do cargo por problemas de saúde após sofrer um ataque cardíaco. Naquele momento, Juscelino Kubitschek já havia sido eleito como o próximo presidente e deveria assumir no início do ano seguinte.
O papel de Luz era ficar poucos meses no cargo – mas isso foi mais difícil do que parece.
Antes de Luz assumir, figuras militares e políticas se manifestaram contra a posse de Juscelino, conspirando contra as eleições. Eles alegavam que JK não venceu com a maioria total dos votos – ainda que isso fosse de acordo com as leis da época. Não existia segundo turno, e o candidato com mais votos ganhava. JK teve 36% dos votos e o segundo colocado, Juarez Távora, teve 30%.
A parte dos militares e das forças políticas contra essas ideias (e com medo de um golpe de estado), iniciou julgamentos para punir os conspiradores e garantir a posse de JK. Carlos Luz, por sua vez, se posicionou contra essas medidas logo quando assumiu, o que aumentou ainda mais a preocupação.
Assim, articularam uma espécie de contragolpe em direção ao novo presidente, no chamado Movimento de 11 de Novembro. Uma operação militar foi organizada na madrugada rumo ao Rio de Janeiro, sede do governo. Luz fugiu para Santos de barco.
No mesmo dia, ele foi oficialmente destituído do cargo. Seu período na Presidência durou apenas três dias, entre 8 e 11 de novembro de 1955.
Nereu Ramos, então vice-presidente do Senado Federal, assumiu a presidência. Assim, em uma mesma semana, o Brasil teve três presidentes diferentes: Café Filho, Carlos Luz e Nereu Ramos.
Ramos permaneceu no cargo até a posse de Juscelino Kubitschek, em janeiro de 1956.
Getúlio Vargas: o presidente brasileiro que ficou mais tempo no cargo (18 anos)
O governo de Getúlio Vargas ocupa um período tão extenso da história brasileira que deu origem ao seu próprio termo: Era Vargas. Ele assumiu a presidência do país por mais de 14 anos consecutivos (de 1930 a 1945) e, depois, por mais um mandato (de 1951 a 1954). Somando esses dois períodos, ele permaneceu no poder por mais de 18 anos.
Vargas chegou ao poder pela primeira vez em 1930, como chefe de um governo provisório após a Revolução de 1930, que derrubou o presidente Washington Luís.
Com o fim deste governo, em 1934, ficou para mais um mandato. Ele foi eleito de forma indireta pela Assembleia Nacional Constituinte. Começou, então, o chamado Governo Constitucional, que deveria durar até 1938.
Em 1937, porém, Vargas deu um golpe de Estado e instaurou uma ditadura. Conhecida como Estado Novo, o governo durou até 1945 e o Brasil permaneceu todo esse período sem eleições presidenciais.
Anos depois, Vargas voltou à presidência, desta vez eleito pelo voto popular nas eleições de 1950. Tomou posse em 1951 e governou até 1954, quando se suicidou em meio a uma crise política e a pressões pela sua renúncia.
Luiz Inácio Lula da Silva é o segundo presidente que ficou mais tempo no cargo, juntando três mandatos que completam, no final de 2026, 12 anos no poder.
Fonte: abril





