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Formação para seminaristas de MT: preparo para atuar com povos indígenas

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2026

Seminaristas de Mato Grosso participam de uma formação em Missiologia Indigenista, voltada ao conhecimento das culturas, espiritualidades e dos desafios enfrentados pelos povos indígenas. A atividade, realizada na União das Faculdades Católicas de Mato Grosso (Unifacc), também discute a atuação missionária da Igreja baseada na escuta, no diálogo e no respeito ao protagonismo indígena.

A formação integra a preparação dos futuros presbíteros de Mato Grosso e aborda a história, as culturas e as espiritualidades indígenas, além dos desafios relacionados à defesa dos territórios e dos direitos dos povos originários.

As atividades são coordenadas pelo padre Francisco Prim, doutor em Teologia e missionário do Conselho Indigenista Missionário em Mato Grosso (Cimi-MT), com participação de professores e especialistas na temática indígena. Entre os assuntos discutidos estão a história da missão indigenista no Brasil, a legislação relacionada aos povos indígenas, a atuação do Cimi e a defesa dos territórios tradicionais.

A proposta também discute novos caminhos para a presença missionária da Igreja, com foco na escuta, no diálogo e no respeito às diferentes culturas. Criado em 1972, o Cimi é apresentado durante a formação dentro do processo de mudança da atuação da Igreja junto aos povos indígenas, com maior defesa da diversidade cultural e do protagonismo dos próprios povos.

Terra, cultura e protagonismo indígena

As discussões foram divididas em quatro eixos principais: terra, cultura, protagonismo indígena e diálogo inter-religioso. No primeiro deles, o território é abordado para além do valor econômico ou da ideia de propriedade, sendo relacionado à memória, identidade, cultura, espiritualidade e continuidade da vida das comunidades indígenas.

Outro ponto trabalhado com os seminaristas é a necessidade de conhecer línguas, costumes, rituais, símbolos e conhecimentos tradicionais. A formação defende que compreender uma cultura significa também reconhecer as formas próprias de cada povo interpretar a vida e se relacionar com o mundo.

No debate sobre protagonismo, os povos indígenas são apresentados como sujeitos de sua própria história, que devem participar das decisões sobre seus territórios, comunidades, culturas e futuro. Nesse sentido, a atuação missionária não deve substituir a voz das lideranças, mas estabelecer relações de escuta, respeito e colaboração.

O diálogo inter-religioso e intercultural também integra a formação, propondo uma aproximação respeitosa com as diferentes experiências espirituais dos povos originários e com seus símbolos, mitos e rituais.

Experiência com o povo Bororo

Um dos destaques foi a participação do irmão salesiano Mário Bordignon Enauréu, de origem italiana, historiador e missionário com décadas de experiência junto aos povos indígenas, especialmente o povo Bororo, em Mato Grosso. Ele também desenvolveu trabalhos relacionados à educação e à cultura Bororo.

Durante o encontro, Mário apresentou mudanças ocorridas na compreensão da missão da Igreja ao longo das últimas décadas. A perspectiva discutida busca deixar de lado uma atuação baseada apenas em fazer algo “para” as populações indígenas para priorizar uma caminhada com os povos, reconhecendo autonomia, conhecimento, cultura e protagonismo.

Também foi lembrada a história do padre Rodolfo Lunkenbein, missionário salesiano que atuou junto ao povo Bororo em Meruri. Ele participou da defesa do território indígena em um período marcado por conflitos fundiários e foi assassinado ao lado do indígena Simão Bororo, em 15 de julho de 1976, na Missão de Meruri.

Para os responsáveis pela formação, estudar Missiologia Indigenista permite aos futuros padres conhecer uma realidade presente no território onde muitos poderão exercer o ministério. A proposta é preparar religiosos para uma atuação orientada pela escuta, pelo diálogo e pelo respeito às comunidades.

Conforme apresentado aos seminaristas, o caminho passa por “escutar antes de falar, conhecer antes de julgar e caminhar antes de propor”, reconhecendo os povos indígenas como protagonistas da própria história, e não apenas como destinatários da ação da Igreja.

Fonte: primeirapagina

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