O torcedor santista levou um susto daqueles ao ler a manchete: Neymar anuncia saída do Santos. Mas acalme o coração na arquibancada, porque o craque não está batendo em retirada dos gramados da Vila Belmiro — pelo menos não da forma que o alarde sugere. O estrago, contudo, é real e mexe fundo nos bastidores do clube: o que ruiu foi a milionária parceria comercial com a Pley by Ney, marca de bebidas ligada ao camisa 10, que decidiu não renovar seu contrato de patrocínio com o Peixe.
Enquanto a bola rola e o time esbarra na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, a verdadeira partida está sendo jogada no escritório. E o placar financeiro não é nada animador.
O peso do desgaste e os milhões em aberto
A não renovação da Pley by Ney — que estampava sua marca no meião e na faixa de capitão — não aconteceu por acaso. Nos bastidores, o clima de lua de mel azedou. A decisão pesou em cima de um cenário delicado marcado por débitos acumulados do clube com o próprio atleta e por um desgaste crescente entre o staff do jogador e a gestão do presidente Marcelo Teixeira.
Para piorar o cenário da diretoria de marketing, o desmanche na camisa foi coletivo. Além da marca ligada a Neymar, o Alvinegro Praiano viu outros quatro parceiros comerciais baterem em retirada:
-
EQR (que ocupava a parte traseira da camisa);
-
Nissei (posicionada entre o escudo e a fornecedora Umbro);
-
Corpx (rescisão amigável após turbulências internas);
-
Álamo (com apenas dois jogos restantes no vínculo, mas com futuro incerto).
Com os espaços vagos, a cúpula santista aposta suas fichas no período entre agosto e novembro — janela em que as empresas começam a fechar os orçamentos de publicidade para o próximo ciclo — na tentativa de atrair marcas mais rentáveis.
Salários atrasados, transfer ban e o grito de socorro de Cuca
Fora das quatro linhas, a conta não fecha. Embora a gestão tenha conseguido quitar a folha CLT de julho do elenco, os direitos de imagem seguem acumulando dois meses de atraso, com uma nova fatia vencendo já no dia 20.
A crise financeira escancarada no balanço de 2025 — que aponta um passivo astronômico superior a R$ 1 bilhão, sendo R$ 470 milhões apenas em obrigações de curto prazo — cobra o seu preço com juros e correção no campo. Após o revés por 2 a 0 para o Athletico na Vila Belmiro, o técnico Cuca foi direto ao ponto em entrevista coletiva, exigindo a chegada imediata de reforços.
O grande entrave, no entanto, continua sendo o famigerado transfer ban imposto pela Fifa. Para voltar a registrar novos jogadores, o Santos precisa quitar uma dívida de aproximadamente R$ 1 milhões com o Monaco (França) pela antiga contratação de Jean Lucas. Contudo, na lista de prioridades da diretoria, apagar incêndios estruturais e manter as contas operacionais em dia tem atropelado a urgência esportiva do treinador.
Entre a cruz e a espada, a torcida do Peixe assiste a um momento tenso da temporada, onde o maior desafio do clube não é apenas escapar da degola no Brasileirão, mas estancar a sangria financeira antes que o prejuízo seja irreversível.
Fonte: cenariomt





