Um dos destaques da programação do Bonito Cinesur – Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito –, o ator Paulo Betti fez questão de exaltar o fascínio que sente pelo principal destino de ecoturismo de Mato Grosso do Sul.
O Cinesur marcou a segunda visita do ator a Bonito em menos de um mês. A primeira ocorreu durante a Feira Literária de Bonito (Flib), realizada em 4 de julho.
Segundo Betti, a realização de dois eventos de grande relevância em tão pouco tempo comprova a vocação da cidade para fomentar a arte e a cultura.
“Tem festival em todo lugar, mas em Bonito é muito mais interessante”, destacou.
À reportagem, o ator contou que ficou encantado com as belezas naturais do município e revelou os passeios que fez, incluindo uma flutuação em uma nascente de águas cristalinas e uma visita a uma gruta.
Veja a entrevista no início da reportagem.
“Foi uma experiência fabulosa. Acho que esse cuidado com a natureza, esse turismo sustentável, com o equilíbrio e os cuidados que devem existir, eu encontrei nesses dois passeios que fiz”, comentou.
O ator também revelou que pretende voltar à cidade, desta vez acompanhado da família.
“O problema de Bonito é o seguinte: você vem para cá e acaba se sentindo meio culpado por não ter trazido sua família e as pessoas que você gosta para viver as mesmas experiências que está vivendo. Então eu quero voltar com todo mundo para cá”, afirmou.
Encontro com o público
Quem também ficou encantado foi o público que participou de um bate-papo descontraído com Paulo Betti na tarde desta sexta-feira, dentro da programação do festival.
Durante a “charla” — nome dado ao encontro aberto com os espectadores —, o ator refletiu sobre sua trajetória no teatro, na televisão e na produção cultural, além de incentivar novos talentos a investirem no aperfeiçoamento contínuo.
“Gosto de conversar, trocar experiências sobre a carreira e sobre o que é essa profissão”, afirmou.
Ao longo da conversa, Betti definiu a atuação como uma combinação de vaidade e insegurança, características que, segundo ele, fazem parte da trajetória de muitos artistas.
Aproveitando o encontro com o público, incentivou os participantes a produzirem arte em suas próprias cidades, sem esperar que as oportunidades apareçam.
“Façam teatro aqui em Bonito, mas corram atrás de bons textos. Não fiquem esperando alguém chamar vocês para fazer. Vão lá e façam”, aconselhou.
Na avaliação do ator, o Bonito Cinesur desempenha um papel fundamental na valorização da produção artística regional. Betti também comentou sobre as frequentes comparações entre diferentes gerações de artistas e disse evitar julgamentos sobre a trajetória dos colegas.
“Não gosto de julgar”, respondeu ao ser questionado sobre atores que não seguiram o mesmo caminho dos grandes nomes do teatro.
Como exemplo, destacou que muitos profissionais talentosos construíram carreiras de sucesso sem terem passado pelos palcos. Entre eles, citou Glória Pires, que, segundo ele, nunca atuou no teatro, além de Vera Fischer, que iniciou a carreira como miss, e Grazi Massafera, que ganhou projeção nacional após participar do Big Brother Brasil antes de se consolidar como atriz.
Betti também afirmou que não é adepto de métodos radicais de atuação ou de preparação de elenco. Segundo ele, costuma defender os atores das cobranças excessivas que cercam a profissão.
“Eu gosto muito de defender o ator. Todo mundo quer que o ator se mate. A gente não precisa se matar para fazer esse trabalho”, comentou.
Para Paulo Betti, a localização privilegiada e as características de Bonito favorecem encontros que dificilmente aconteceriam em outros polos culturais.
“Bonito entrega mais do que promete”, resumiu, ao destacar a experiência vivida durante o festival.
Último dia do festival
O Bonito Cinesur chega ao fim neste sábado com uma programação intensa de debates, exibições de filmes e a aguardada cerimônia de premiação. O ponto alto da noite será a entrega do Troféu Pantanal aos vencedores das mostras competitivas e ao homenageado desta edição, o diretor e indigenista Vincent Carelli.
Programação
Hotel Sesc
- 9h – Cine Debate da Mostra Competitiva Sul-Mato-Grossense, com o curador Marcos Pierry e as equipes dos filmes.
- 10h – Cine Debate da Mostra Competitiva Ambiental, com a curadora Elis Regina Nogueira e as equipes dos filmes.
- 11h – Cine Debate da Mostra Competitiva Sul-Americana, com o curador José Geraldo Couto e as equipes dos filmes.
Centro de Convenções de Bonito – Auditório Terena
- 14h – Mostra Comunidade
Exibição dos filmes produzidos nas oficinas de Cinema de Animação, ministrada por Ara Martins (MS), e de Realização de Filme Documentário, conduzida por Luiz Carlos Lacerda (Bigode/RJ).
Folia de Reis: Um Registro Histórico para a Comunidade de Águas do Miranda (Brasil, 2025) – Direção: Márcio Chimenes de Gois. Documentário, 9 minutos, classificação livre.
Sob o Manto e a Luz (Brasil, 2025) – Direção: Genivaldo Luz. Documentário, 15 minutos, classificação livre.
- 15h – Sessão Especial
Do Sul, a Vingança (Brasil, 2025), de Fábio Flecha. Ação/Comédia, 107 minutos, classificação 16 anos.
- 17h – Sessão Especial
Jackson – Na Batida do Pandeiro (Brasil, 2019), de Marcus Vilar e Cacá Teixeira. Documentário, 97 minutos, classificação livre.
Centro de Convenções de Bonito – Auditório Kadiwéu
- 20h – Premiação Troféu Pantanal
Entrega da homenagem ao cineasta e indigenista Vincent Carelli, em reconhecimento ao conjunto de sua obra cinematográfica, além da premiação dos vencedores das mostras competitivas.
Fonte: primeirapagina





