Não se sabe ao certo. Uma das histórias mais antigas vem da Indonésia do século 19. Na época, os colonizadores holandeses controlavam as plantações de café na região, e não permitiam que os trabalhadores consumissem o produto.
Durante as noites nas fazendas, pequenos mamíferos chamados civetas comiam os frutos maduros, mas não digeriam totalmente suas sementes. Os grãos atravessavam o sistema digestivo e eram eliminados praticamente inteiros nas fezes.
Os trabalhadores começaram a coletar esses grãos, lavá-los, secá-los, torrá-los e moê-los. Assim nasceu o kopi luwak – kopi é “café” em indonésio; luwak, o nome local da civeta. Esse animal costuma escolher os frutos mais maduros e doces, e o seu sistema digestório altera algumas características do café. Os fãs dizem que a bebida fica mais suave e menos amarga. Um quilo de café kopi luwak custa entre R$ 1,5 mil e R$ 15 mil.
A raridade da produção e a curiosidade em torno do método fizeram os preços dispararem. O problema é que a popularidade também incentivou práticas consideradas cruéis. Algumas fazendas passaram a manter civetas em gaiolas e alimentá-las quase exclusivamente com frutos de café para aumentar a produção. Além de prejudicar os animais, isso vai contra a ideia original, já que as civetas deixam de escolher os frutos livremente.
O kopi luwak também não é o único café que passa pela barriga de um bicho antes de chegar à xícara. Na Tailândia, existe o Black Ivory Coffee, feito com grãos ingeridos por elefantes. Depois que os animais comem os frutos do cafeeiro, as sementes são recolhidas das fezes, higienizadas e processadas.
Já o Brasil tem o café jacu, criado no Espírito Santo. O processo envolve o jacu, uma ave da Mata Atlântica que se alimenta dos frutos do café e elimina os grãos inteiros. Assim como acontece com a civeta, a ideia é aproveitar a seleção feita pelo próprio animal, que escolhe os frutos mais maduros. Provaria?
Pergunta de @vianahenrique, via Instagram
Fonte: abril





