Saúde

Descoberta arqueológica revela que os primeiros hominídeos praticavam canibalismo adulto e infantil

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A prática do canibalismo entre os primeiros habitantes da Europa acaba de ganhar uma nova dimensão. Na última semana, arqueólogos anunciaram a descoberta de ossos de hominídeos com marcas de cortes e mordidas da mesma espécie. Os vestígios pertencem a indivíduos da espécie Homo antecessor, que viveu na Europa entre 1,2 milhão e 770 mil anos atrás.

Já se sabia que esse grupo de hominídeos se alimentava de membros da mesma espécie. A surpresa foi que parte dos novos ossos encontrados pertencia a adultos. Até então, os pesquisadores só haviam encontrado evidências de canibalismo em relação a crianças.

A descoberta foi feita na caverna Gran Dolina, que faz parte do complexo arqueológico de Sierra de Atapuerca, no norte da Espanha. Lá, foram encontradas ferramentas de pedra – itens que o Homo antecessor já sabia fabricar –, compatíveis com as marcas de corte identificadqw nos ossos humanos. Junto a elas, havia fragmentos de crânio, coluna vertebral e ossos dos braços e das pernas, acompanhados de três dentes. 

Assim, ao que tudo indica, o Homo antecessor seria o parente humano mais antigo a consumir membros da própria espécie por razões nutricionais. Foi o que informou o IPHES (Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social) em comunicado publicado.

“A descoberta de mais indivíduos adultos, alguns dos quais também apresentam marcas de corte, demonstra que o canibalismo não se restringia a indivíduos mais jovens”, afirmou no comunicado Palmira Saladié, antropóloga biológica do IPHES que coordenou o trabalho.

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Nas últimas décadas, pesquisadores encontraram na caverna diversos fósseis com sinais de canibalismo. Todos, porém, eram de crianças e jovens. A explicação mais aceita era que membros mais novos de grupos rivais seriam alvos mais fáceis, por serem indefesos.

Agora, o número de indivíduos encontrados subiu para pelo menos 13, sendo que cerca de metade deles são adultos. “O aumento no número de indivíduos, e especialmente a inclusão de mais adultos, nos permite começar a compreender essa população sob uma perspectiva muito mais completa do que nunca”, disse no comunicado Andreu Ollé, arqueólogo do IPHES.

Evidências de canibalismo em Gran Dolina

Há muitas evidências de canibalismo na caverna espanhola. Alguns dos ossos, por exemplo, apresentavam marcas de mordidas humanas, o que seria a evidência mais confiável de que os corpos encontrados no local foram, de fato, consumidos. Arqueólogos também encontraram um “padrão” na prática: as mesmas técnicas de abate nos ossos de animais também foram aplicadas aos humanos.

Ainda assim, o motivo pelo qual o Homo antecessor consumia membros da mesma espécie não é claro para pesquisadores. Eles esperam que novas análises os ajudem a compreender melhor essa prática. 

O próximo passo, segundo o comunicado, é investigar questões como diferenças relacionadas à idade na prática do canibalismo, a quantidade e a duração dos episódios de canibalismo, além da organização social do grupo. 

O Homo antecessor não é exatamente um ancestral direto nosso. Quando os fósseis da espécie foram descobertos em Atapuerca em 1997, acreditava-se que ele seria o possível último ancestral comum entre humanos modernos e neandertais. Em 2020, porém, paleoantropólogos demonstraram por meio da análise de proteínas antigas que a espécie é, no máximo, um grupo irmão ou um parente muito próximo do Homo sapiens. 

Fonte: abril

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aifabio

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