Saúde

Elza, ícone da demografia brasileira, falece aos 100 anos: legado e impacto

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2026

A demógrafa, matemática, professora e pesquisadora Elza Salvatori Berquó morreu nesta quinta-feira (16), em São Paulo, aos 100 anos. Referência nacional nos estudos populacionais, dedicou décadas à análise de dados demográficos e censitários, contribuindo para a compreensão das transformações sociais e populacionais do Brasil.

Ao longo da carreira, Elza participou da consolidação de alguns dos mais importantes centros de pesquisa da América Latina, voltados ao estudo da urbanização, da dinâmica populacional e das mudanças ocorridas no país entre as décadas de 1960 e 2000.

Também teve atuação destacada na defesa dos direitos reprodutivos, do acesso aos métodos contraceptivos e da discussão qualificada sobre aborto, além de pesquisar temas como mortalidade infantil.

Em entrevista à Rádio Nacional, a fundadora da ONG Cepia Cidadania, Jacqueline Pitanguy, afirmou que Elza unia rigor acadêmico ao compromisso com os direitos humanos, característica considerada rara entre pesquisadores.

Nascida em Guaxupé (MG), Elza Berquó graduou-se em Matemática pela Universidade Católica de Campinas, concluiu mestrado em Estatística pela Universidade de São Paulo (USP) em 1949 e realizou especialização em Bioestatística na Columbia University, nos Estados Unidos, no ano seguinte.

Em 1965, ganhou destaque ao estudar a evolução da população paulista com base nos censos de 1940 e 1950. Na época, integrava a Faculdade de Saúde Pública da USP, de onde foi aposentada compulsoriamente em 1968.

No ano seguinte, participou da fundação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), ao lado de Fernando Henrique Cardoso, Octávio Ianni, José Arthur Giannotti e outros intelectuais.

O ex-coordenador do Núcleo de Estudos de População da Unicamp (Nepo-Unicamp), José Marcos Cunha, destacou que Elza representa a própria história da demografia no Brasil e teve papel decisivo para que a Unicamp se tornasse referência na área.

Elza Berquó também foi uma das fundadoras do Nepo-Unicamp, instituição que desde 2014 leva seu nome em reconhecimento à sua contribuição científica. O núcleo organizou, em outubro do ano passado, as homenagens pelo centenário da pesquisadora.

A atual coordenadora do Nepo, Gláucia Marcondes, afirmou que a morte de Elza representa uma grande perda para a ciência brasileira, ressaltando sua trajetória, as instituições que ajudou a criar e a formação de novas gerações de pesquisadores.

Em 1995, fundou e presidiu a Comissão Nacional de População e Desenvolvimento (CNPD), órgão responsável por assessorar o governo federal em decisões estratégicas relacionadas à população e ao desenvolvimento.

O atual presidente da CNPD, Richarlls Martins, destacou que Elza acreditava no Brasil, defendia políticas públicas baseadas em evidências e dedicou sua vida à ampliação dos direitos humanos e ao fortalecimento da democracia.

O acadêmico Eduardo Rios Neto também homenageou a pesquisadora, afirmando que ela foi uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento institucional da demografia brasileira, participando da criação da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP), do Nepo e da própria CNPD.

Fonte: cenariomt

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