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Sonda chinesa captura imagens inéditas do asteroide Kamoʻoalewa: Segunda Lua detectada

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2026

Em 2016, um levantamento de rotina realizado pelo telescópio Pan-STARRS1, no Observatório Haleakala, no Havaí, identificou um asteroide até então desconhecido. Ele estava próximo da Terra, quase como se fosse uma Lua – mas muito menor, é claro. A rocha foi batizada de Kamoʻoalewa, nome de origem havaiana, e recebeu o apelido carinhoso de “segunda Lua”. Ela também é conhecida como asteroide 2016HO3.

Na verdade, esse corpo celeste não é um satélite natural da Terra, como a Lua. Enquanto ela orbita o nosso planeta, o Kamoʻoalewa segue sua própria trajetória ao redor do Sol. Mas aí está o pulo do gato: sua órbita é muito parecida com a da Terra.

Por isso, embora não gire em torno do nosso planeta, o asteroide permanece por longos períodos nas proximidades da Terra, o que dá a impressão de ser uma “segunda Lua”. Confira a comparação entre a órbita da Terra e a de Kamoʻoalewa:

Diagrama de órbitas celestes com fundo preto. O Sol está no centro superior. A Terra e o asteroide 2016 HO3 orbitam o Sol. A órbita da Terra é uma linha cinza clara. A órbita do asteroide é uma linha amarela, que se entrelaça com a órbita da Terra, formando um laço complexo ao redor dela
(Courtesy NASA / JPL-Caltech/Divulgação)

Desde sua descoberta, os cientistas tentam desvendar a origem dessa rocha espacial. Algumas pesquisas levantaram a hipótese de que ela seja um grande fragmento da Lua, lançado ao espaço após o impacto de um meteorito no satélite natural, entre 1 milhão e 10 milhões de anos atrás. Para confirmar essa hipótese, porém, é necessário coletar uma amostra de Kamoʻoalewa e compará-la com rochas lunares.

Agora, essa investigação acaba de dar um importante passo: a sonda chinesa Tianwen-2 registrou Kamoʻoalewa de perto pela primeira vez. Confira a imagem:

Imagem do asteróide 2016HO3 captada pela sonda Tianwen-2 a uma distância de cerca de 20 quilômetros, em 2 de julho de 2026
(CNSA / via Xinhua News/Divulgação)

A Administração Espacial Nacional da China (CNSA) lançou a missão Tianwen-2 em maio de 2025 justamente para avançar nos estudos da “segunda Lua” da Terra. Ela é um dos menores corpos celestes já visitados por uma missão científica e também a primeira missão da CNSA dedicada ao estudo de um asteroide.

Mas chegar até Kamoʻoalewa não foi nada fácil. Primeiro, a sonda precisou percorrer quase um bilhão de quilômetros até alcançar o asteroide. Depois de cerca de 400 dias de viagem, manobras no espaço profundo e diversas correções de trajetória, ela finalmente chegou ao destino e realizou o primeiro registro detalhado da “segunda Lua”, no dia 2 de julho. A sonda estava a cerca de 20 quilômetros da rocha.

A missão também permitiu medir melhor o tamanho do asteroide. Ele é menor do que o imaginado: possui cerca de 40 metros de diâmetro e um formato bastante irregular. Antes, as estimativas apontavam que ele teria cerca de 100 metros de diâmetro.

A sonda deverá permanecer quase um ano estudando Kamoʻoalewa à distância, utilizando 11 instrumentos científicos.

Em seguida, a missão prevê uma aproximação da superfície do asteroide para realizar estudos mais detalhados e coletar amostras de sua composição. O objetivo é descobrir, finalmente, qual é a origem dessa rocha misteriosa. Depois disso, o material será trazido de volta para a Terra.

Mas esse não é o fim da Tianwen-2. A missão tem duração prevista de quase uma década. Além de Kamoʻoalewa, ela também deverá explorar o cometa 311P, localizado além da órbita de Marte, o que exigirá percorrer muitos milhões de quilômetros adicionais.

Ainda há poucas informações detalhadas sobre a missão, que a China conduz com certo grau de sigilo. A aparência da Tianwen-2, por exemplo, só foi divulgada quando a sonda já estava a cerca de 3 milhões de quilômetros da Terra, mais de uma semana após o lançamento.

Fonte: abril

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aifabio

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