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14 de Julho: Rua que Despertou a Revolução Francesa no Pantanal

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2026

Mais do que asfalto, concreto e vitrines, a rua 14 de Julho é um rio de memórias que corta o coração de Campo Grande. O próprio nome carrega o peso da história mundial, uma homenagem à queda da Bastilha em 1789, marco da Revolução Francesa que derrubou a tirania real e influenciou os povos de todo o Ocidente.

Mas até essa história já foi “desmentida” ao longo dos anos. Acontece que um artigo publicado pela professora Lígia de Oliveira Lima plantou uma sementinha de dúvida na cabeça dos campo-grandenses ao contar a versão de Godofredo Barbosa, nascido na capital no início do século vinte.

Ela narrou que, no dia 14 de julho do ano de 1914, o menino foi à estação da Noroeste do Brasil, com seu pai, aguardar a chegada do trem, que inaugurava a ferrovia.

Na chegada, um grupo foi aplaudido pela população e um dos viajantes, que mais tarde se descobriu ser o engenheiro Emílio Schnoor, disse em voz alta ao intendente José Santiago: “Peço-lhe que a rua principal desta cidade tenha a denominação de 14 de Julho, em homenagem da municipalidade e do povo à data de hoje, tão importante para toda a região”.

A dúvida perdurou por um bom tempo. Mas, segundo os registros do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, um estudo detalhado revelou que trem algum chegou em Campo Grande no dia 14 de julho, ou seja, não existe indício concreto para a versão de Godofredo Barbosa.

Já para a homenagem à queda da Bastilha existe até nome; a sugestão de chamar a rua principal da cidade como o marco da Revolução Francesa veio do vereador Miguel Garcia Martin. Antes, a rua era chamada apenas de Beco, isso porque não passava de um trilheiro deserto, curto e sem saída.

Com a chegada da ferrovia, a 14 de julho se tornou a mais comprida da cidade. Ela era caminho para a estação, por onde trafegavam os carros de praça, puxados a cavalo, e perambulavam os pedestres, que se divertiam com o movimento da chegada dos trens, numa vila de poucas distrações.

Por isso, os comerciantes escolheram a rua como endereço para montar suas lojas, o que a tornou ainda mais movimentada.

No final dos anos 1920, a 14 recebeu seu primeiro calçamento usando a técnica inglesa do macadame — uma inovação da Revolução Industrial que misturava pedra britada, saibro e piche comprimidos por máquinas pesadas.

Foi sobre essa base moderna que o gerente comercial Antônio Clarindo e o mecânico Abel Carneiro fincaram suas raízes décadas depois. Antônio lembra bem de quando a paisagem ainda era dominada pelo verde.

“Quando nós chegamos aqui, ainda tinha bastante área verde. Essa esquina aqui era mato. Tinha pouca coisa. Cresceu bastante.”

Balconista há 28 anos, Heidi Lopes lembra da 14 cheia, de pastelaria lotada na sexta.

“Era bem movimentado. Era um movimento constante. A pastelaria? cheia, sempre cheia”

Por ali já passou trem, existiu o primeiro cinema da cidade e foi construído o famoso Relógio da 14, que ainda hoje fica no encontro da rua com a avenida Afonso Pena, mas não é mais o mesmo. O original foi inaugurado no dia 23 de agosto de 1933, às 9 horas, e acabou demolido para dar espaço a ruas mais largas.

Em 2019, a 14 de Julho ganhou cara nova com uma revitalização total, mas, ainda assim, muita coisa mudou. O que não muda é a essência da rua, que é encontro, trabalho e memórias.

Fonte: primeirapagina

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