O bolso do cuiabano agradeceu neste fim de semana. Quem passou pelo Centro de Eventos Senador Jonas Pinheiro neste sábado (12) encontrou um cenário bem diferente dos anos anteriores: no lugar das bilheterias lotadas, portões abertos. A decisão de zerar a cobrança de ingressos na 58ª Expoagro, fruto de uma parceria entre o Sindicato Rural e a Prefeitura de Cuiabá, virou o principal combustível para movimentar a economia interna do evento.
O reflexo foi imediato no perfil do público. Famílias inteiras, que antes viam a feira agropecuária apenas pela televisão devido ao custo dos ingressos, agora ocupam as pistas do parque. Janaina Barbosa, moradora do bairro Altos do Parque II, aproveitou para estrear no evento levando o marido e o neto a tiracolo. “A entrada gratuita dá oportunidade para quem não tem boas condições financeiras participar também”, comentou.
Para além do caráter social, a estratégia se provou um tiro certeiro para os comerciantes locais. Sem o peso do bilhete de entrada no orçamento, o dinheiro sobrou para gastar lá dentro. O visitante Vinícius Rodrigues resumiu a dinâmica: o valor que iria para a catraca acabou convertido em pipoca, brinquedos para as crianças, jantares e produtos regionais.
Do crochê ao tempero: A vitrine dos pequenos negócios
Se de um lado o “agro de milhões” exibe máquinas e genética bovina de ponta, do outro, a Feira Cultura, Sabor e Arte garante o sustento de microempreendedores da Baixada Cuiabana. Montado pela Secretaria Municipal de Cultura, o espaço virou uma espécie de shopping alternativo de produtos autorais.
Para artesãs como Márcia Teixeira, que tece bolsas de crochê, e Cristina Oliveira, criadora de sabonetes fitoterápicos, o fluxo gerado pela gratuidade foi uma injeção de ânimo nas vendas. A visibilidade atrai inclusive compradores de fora, como a rondonopolitana Edilaine Oliveira, que viajou mais de 200 quilômetros para a feira, comprou cosméticos naturais e esticou a noite para assistir ao show sertanejo de Murilo Huff.
Bastidores: O pente-fino na maionese e na regularização do queijo
Para dar conta do mar de gente que circula pelos estandes, a Vigilância em Saúde montou uma força-tarefa que atua longe dos holofotes. Fiscais da vigilância sanitária e epidemiológica passam o dia inspecionando de perto as condições das barracas de comida, o armazenamento de bebidas e até a limpeza dos banheiros públicos, prevenindo surtos alimentares ou emergências sanitárias.
Aproveitando o gancho econômico, técnicos do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) também montaram acampamento na feira. O objetivo é dar consultoria gratuita e desmistificar o processo de legalização para quem produz queijos, embutidos, mel e pescados. A ideia é mostrar ao pequeno produtor rural que conseguir o selo de qualidade não é um bicho de sete cabeças e é o passaporte necessário para vender a produção de forma legal no comércio formal.
Fonte: cenariomt





