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Por que os jogadores erram pênaltis decisivos? Estudo revela incidência de falhas que podem eliminar o time

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2026

É fase de mata-mata da Copa do Mundo. O jogo está empatado, já passou a prorrogação e um dos times precisa sair vencedor. É hora dos pênaltis.

Um estudo publicado no dia 28 de junho no periódico científico Football Studies analisou as estatísticas dos pênaltis, e verificou quais variáveis podem ter mais peso no resultado.

Primeiro, devemos lembrar a maneira como os pênaltis ocorrem. Cada equipe cobra uma série de cinco penalidades, de forma alternada. Vence quem marcar mais gols. Porém, se as equipes terminarem empatadas, começa a chamada morte súbita: rodadas adicionais em que cada time cobra um pênalti e, se uma equipe marcar enquanto a outra errar, a disputa termina imediatamente. 

Um  mesmo jogador não pode cobrar duas vezes antes que todos os demais jogadores de linha tenham batido um pênalti. É um momento decisivo, em que a tensão toma conta de todos os lados: dos torcedores, dos jogadores e do técnico, que precisa decidir quem cobrará os pênaltis e em que ordem.

(Diga-se de passagem que o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de 2022 nos pênaltis, perdendo por 4 a 2 para a Croácia. Na ocasião, Neymar seria o quinto cobrador da seleção brasileira. Porém, quando a Croácia marcou gol em sua quarta cobrança, e o Brasil já acumulava dois erros, abriu-se uma vantagem impossível de ser alcançada. Por isso, Neymar sequer chegou a bater o último  pênalti).

Os pênaltis são alvo de inúmeras discussões entre torcedores. O time que cobra primeiro leva vantagem? Os melhores jogadores devem bater primeiro ou deixar a responsabilidade para o fim? Existe alguma posição na sequência de cobranças que gera mais pressão?

O novo estudo tentou responder a essas perguntas – além de investigar se realmente existe uma ciência por trás das disputas por pênaltis. O trabalho analisou 576 cobranças realizadas em 60 partidas da Copa do Mundo e da Eurocopa, além de simular disputas matematicamente. Os pesquisadores eram australianos e brasileiros.

A pesquisa sugere que nem todos os pênaltis têm o mesmo peso emocional. Algumas variáveis, de fato, influenciam nas chances de fazer gol

Algumas cobranças acontecem em uma situação de “evitar a derrota”, em que um erro elimina imediatamente a equipe. Nesses momentos a pressão é muito maior, e a taxa de conversão do pênalti (ou seja, fazer gol) é de 60,4%.

Já nos pênaltis de “marcar para vencer” – quando um gol imediatamente garante a vitória na disputa – a taxa de conversão chega a 89,1%. Foi o maior índice entre todos os cenários analisados, inclusive superior ao das primeiras cobranças da disputa. A primeiras cobranças são consideradas de baixa pressão, com taxa de conversão de 75%.

Ou seja, para cobrar um pênalti não basta apenas ser um grande jogador tecnicamente. Também é preciso lidar bem com a pressão psicológica. Segundo os autores, esse é um fator que os técnicos deveriam considerar ao definir os cobradores.

O time que cobra primeiro leva vantagem?

As equipes que batem em segundo lugar enfrentam com mais frequência pênaltis decisivos, tanto para “evitar a derrota” quanto para “marcar para vencer”, por causa da alternância das cobranças. Nessas equipes, 54,9% das quintas penalidades eram de “evitar a derrota”, enquanto 45,1% eram de “marcar para vencer”.

E aí entramos em outro velho debate do futebol. A pesquisa mostra que a ordem das equipes realmente importa, mas não da forma como muita gente imagina. Cobrar em segundo não reduz a habilidade ou desempenho dos jogadores, mas aumenta a probabilidade de que eles enfrentem momentos em que um erro decide a disputa, elevando a tensão psicológica.

Situações de alta pressão ocorreram em 21% dos pênaltis cobrados pelas equipes que bateram em segundo lugar, contra 12% das cobranças das equipes que começaram a disputa. O que muda é a probabilidade de eles se depararem com isso – a performance, por sua vez, depende de como cada atleta responde a esse contexto.

“A ordem de cobrança em si ofereceu pouca explicação adicional para o sucesso nas disputas de pênaltis. Em vez disso, o desempenho pareceu depender principalmente da importância psicológica do pênalti cobrado. A estrutura da partida determina como as oportunidades e ameaças de alta pressão são distribuídas entre jogadores e equipes”, escrevem os autores em um trecho do estudo.

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E a ordem que os jogadores cobram?

A pesquisa também analisou como os técnicos devem organizar internamente a sequência dos cobradores. 

Nos times que batem primeiro, o estudo sugere que os melhores cobradores apareçam logo nas primeiras penalidades. Afinal, existe a possibilidade de a disputa terminar antes que a quinta cobrança seja necessária. Além disso, a exposição à pressão é muito baixa nas três primeiras cobranças, aumentando para 8,7% na quarta e chegando a 55,9% na quinta.

Já nas equipes que cobram em segundo lugar, a estratégia ideal tende a ser a oposta: deixar os jogadores mais preparados (tanto tecnicamente quanto psicologicamente) para o fim da sequência, pois eles lidam melhor com os momentos decisivos. Isso porque a pressão aumenta rapidamente. Na quarta cobrança, ela já chega a 28,4%, e, na quinta, atinge 100%.

Fonte: abril

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aifabio

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