Eventos

Estreia documentário sobre a história da noite LGBTI+ em Cuiabá

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026

A história da construção da noite LGBTI+ em Cuiabá ganha as telas nesta quinta-feira (2) com a pré-estreia do documentário “Entre Armários e Luzes”. A exibição acontece às 19h, no Teatro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com entrada gratuita, dentro da programação oficial do Festival de Cinema de Cuiabá (Cinemato).

Com duração de 17 minutos, a produção integra a programação da Sessão Olhar de Estreia do Cinemato e reúne relatos, documentos e registros históricos sobre o surgimento da cena LGBTI+ organizada na capital mato-grossense, tendo como ponto de partida a festa Masquerade, realizada em 1995.

O projeto foi idealizado pelo jornalista e produtor cultural Menotti Griggi, um dos principais nomes da noite LGBTI+ de Mato Grosso, com direção de José Augusto Barbosa Filho e roteiro assinado pelos dois, com colaboração do professor e realizador audiovisual Diego Baraldi.

Produzido ao longo de um mês, o documentário mobilizou cerca de 50 profissionais do audiovisual mato-grossense. As gravações aconteceram durante três dias em locais simbólicos para essa história, como a Casa Cuiabana, o antigo bar Baratos e Afins e a Galeria do Pádua, espaços que receberam eventos marcantes para a comunidade ao longo das últimas décadas.

A proposta do filme vai além de registrar festas que marcaram gerações. A produção busca preservar a memória de pessoas que ajudaram a construir espaços de convivência, acolhimento e mobilização social da população LGBTI+ em Mato Grosso.

Para Menotti Griggi, preservar essa memória é uma responsabilidade construída ao longo de mais de três décadas de atuação na cena cultural da capital. Em entrevista ao Portal Primeira Página, Menotti afirmou que o documentário representa apenas uma parte de um acervo maior reunido durante sua trajetória.

“Fico muito feliz de poder contribuir com essa memória, poder trazer relatos e documentos. Isso é só uma pequena parte ainda, porque é um documentário de 17 minutos. Nós temos projetos de fazer um longa-metragem para trazer muito mais histórias, porque ao longo de 31 anos acumulei e cataloguei muitas informações, entre fotos, vídeos, impressos e flyers”, comentou o jornalista.

O idealizador destaca que a produção registra um momento decisivo para o movimento LGBTI+ em Mato Grosso. Na avaliação dele, compreender essa trajetória é fundamental para que as novas gerações reconheçam quem abriu caminho para as conquistas atuais.

“Sei que sou parte integrante dessa história e me sinto muito honrado por poder construir isso junto com pessoas que estiveram desde a primeira Masquerade. Foi a partir dessa festa que começamos a pensar em coletividade e, anos depois, surgiu a Parada LGBTI+. Esse documentário marca exatamente essa trajetória importantíssima de um momento histórico de Cuiabá e de Mato Grosso”, reforçou.

Além da preservação histórica, Menotti acredita que o audiovisual amplia o alcance dessas narrativas e fortalece a produção cultural mato-grossense. Para ele, a estreia dentro do Cinemato representa uma oportunidade de dar maior visibilidade a uma história ainda pouco registrada.

“O audiovisual é um dos melhores caminhos para contar essas histórias e dar luz a pessoas que precisam ser conhecidas. Essa pré-estreia dentro do Festival de Cinema de Cuiabá acontece em um momento muito especial, quase como um casamento entre o documentário e um dos principais eventos do audiovisual”, disse.

Memória para quem veio depois

Ao reunir personagens que participaram da construção da cena LGBTI+ cuiabana, a produção busca aproximar diferentes gerações da história do movimento. Segundo Menotti, esse diálogo é essencial para compreender as mudanças vividas nas últimas décadas e valorizar quem enfrentou períodos de maior preconceito e invisibilidade.

“A principal motivação foi mostrar para essa nova geração quem foram os antecessores que ajudaram nessa caminhada. É falar sobre memória e sobre o respeito às pessoas que chegaram antes. Hoje existe uma liberdade muito maior do que há 30 anos, quando começamos a pensar em movimento, em coletividade e nas transformações que poderíamos alcançar permanecendo juntos”, concluiu.

Quem também viveu essa trajetória foi o diretor José Augusto Barbosa Filho. Presente na Masquerade ainda na década de 1990, ele afirma que dirigir o documentário significou revisitar memórias pessoais enquanto registrava um capítulo importante da história cultural da capital mato-grossense.

Antes mesmo de assumir a direção, José fazia parte do universo retratado pelo filme. Essa proximidade, segundo ele, trouxe desafios emocionais ao processo de produção.

“A Masquerade não é apenas um tema que eu pesquisei ou uma história que ouvi contar. Eu vivi aquilo. Estive ali quando o Menotti reuniu um grupo de amigos para criar uma festa inspirada na noite LGBT do eixo Rio-São Paulo. De repente, a gente tinha música eletrônica, drag queens e principalmente, um espaço onde ninguém precisava usar máscara nem se esconder”, contou emocionado.

Durante as filmagens, o diretor relata que precisou equilibrar o olhar técnico com as lembranças pessoais despertadas pelas entrevistas e pelos locais revisitados. Para ele, o documentário também cumpre um papel de impedir que personagens importantes dessa trajetória sejam esquecidos.

“Existe uma frase do artista plástico João Sebastião que me acompanha há muitos anos: ‘Quem morre em Cuiabá morre duas vezes: uma pela morte morrida e outra pelo esquecimento’. Acho que esse documentário nasce justamente desse desejo de impedir esse segundo desaparecimento”, defendeu o diretor.

José ressalta ainda que o filme também presta homenagem às pessoas que ajudaram a construir espaços de liberdade na capital. Segundo ele, a história da noite LGBTI+ nunca foi resultado do trabalho de uma única pessoa.

“A Masquerade e todas as centenas de festas que o Menotti produziu ajudaram a construir espaços de pertencimento, liberdade e resistência para a população LGBTI+ em Mato Grosso. Pessoas como Clóvis Arantes, DJ Charles Pitter, Luiz Marchetti, Sarah Mitch e tantas outras abriram caminhos para que hoje a gente pudesse viver e contar essas histórias com mais liberdade”, finalizou.

Entrada gratuita

O filme faz parte da programação do Cinemato, com entrada gratuita para todos os dias de realização do evento. Para garantir a entrada é necessário que o participante retire o ingresso digital, clicando aqui.

Fonte: primeirapagina

Sobre o autor

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.