Cenário Político

Virginia inicia campanha com discurso humilde e proposta de leis mais rígidas para proteger mulheres

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2026

A ex-primeira-dama de Mato Grosso Virginia Mendes lançou, nessa terça-feira (23), em Cuiabá, sua pré-candidatura a deputada federal pelo União Brasil com um discurso marcado pela tentativa de se apresentar para além do papel de esposa do ex-governador Mauro Mendes e da atuação institucional que exerceu à frente de programas sociais no Estado.

Em tom emocionado, Virginia relembrou a própria origem, contou ter vindo de uma família humilde, falou sobre a adoção e afirmou que a decisão de disputar um cargo eletivo pela primeira vez foi difícil. No discurso, ela também sinalizou as principais bandeiras que pretende defender caso chegue à Câmara Federal: a área social, a proteção às mulheres, o fortalecimento das famílias em situação de vulnerabilidade e a defesa de leis mais rígidas.

“Sempre fui voluntária, e é muito diferente ser voluntária e se candidatar a um cargo pela primeira vez. É assustador, confesso que é assustador, mas estou com muita coragem e com Deus no coração”, afirmou.

O lançamento ocorreu no mesmo ato em que Mauro Mendes iniciou sua caminhada como pré-candidato ao Senado. Apesar da presença do ex-governador ao lado dela, Virginia buscou construir uma narrativa própria, ancorada na trajetória pessoal e no trabalho social desenvolvido nos últimos anos.

“Talvez vocês conheçam a Virginia que foi primeira-dama de Cuiabá, talvez conheçam a Virginia esposa do Mauro Mendes, como primeira-dama do Estado. Mas hoje eu queria falar um pouco de mim: a Virginia que conheceu a dificuldade, que vem de família humilde, que passou necessidades, que é filha adotiva”, declarou.

Ao falar da infância, Virginia relatou que foi criada de forma bastante protegida pela mãe adotiva, que temia que a família biológica tentasse levá-la de volta. Segundo ela, esse cuidado acabou fazendo com que crescesse sem a liberdade comum a outras crianças.

“Minha mãe me criou trancada dentro de casa. Trancada literalmente. Meu pai trabalhava na Cemat, e minha mãe tinha muito medo de que minha família voltasse para me pegar. Então, eu cresci sem amigos. Ficava olhando as minhas vizinhas brincando na rua pela janela”, contou.

A pré-candidata também relacionou a própria história ao desejo de atuar em defesa das pessoas mais pobres. Segundo ela, a identificação com famílias em situação de vulnerabilidade vem da experiência pessoal e da trajetória construída no trabalho social.

“O meu nome está disponível para ajudar as pessoas que eu mais amo: as pessoas que mais precisam. Eu me identifico com elas porque também vim de um lugar em que precisei de muita ajuda. Minha família precisou, e eu me identifico muito com as pessoas mais carentes, mais humildes”, disse.

Virginia citou o programa Ser Família como uma das principais marcas de sua atuação como primeira-dama e afirmou que o projeto se consolidou por meio de parcerias com prefeituras, primeiras-damas, secretarias e servidores públicos. Ela também destacou a área habitacional, ao lembrar a entrega de moradias populares no Estado.

“Casa é dignidade para as pessoas que mais precisam. O Ser Família virou referência nacional não só por mim, mas por todos que estão aqui”, afirmou.

No discurso, Virginia também reforçou a defesa das mulheres como uma das prioridades de sua eventual atuação no Congresso Nacional. Ela afirmou que pretende trabalhar por mudanças na legislação para ampliar a proteção às vítimas de violência. “Se a gente puder chegar a Brasília, se for a vontade de Deus e da população, junto com o Mauro, quero muito trabalhar e ajudar as mulheres. Sei que precisamos ter leis mais fortes, mais severas, leis realmente rigorosas para proteger as nossas mulheres”, declarou.

A ex-primeira-dama também mencionou a atuação junto aos povos indígenas e relembrou visitas a aldeias e ao antigo lixão, numa tentativa de reforçar a imagem de proximidade com diferentes realidades sociais. “Sou madrinha dos indígenas com muito orgulho e muita honra. Fui a primeira-dama que pisou no lixão. Vim de uma família muito humilde. Então, para mim, todo mundo é igual”, afirmou.

Ao encerrar a fala, Virginia disse que a decisão de disputar a eleição foi tomada em família e entregue, segundo ela, à vontade de Deus e da população. A pré-candidatura marca a primeira tentativa da ex-primeira-dama de ocupar um cargo eletivo.

Fonte: leiagora

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