Saúde

Como o uso excessivo de telas afeta a criatividade das crianças durante as brincadeiras

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2026

As memórias da infância ainda despertam nostalgia em muitos adultos e ajudam a refletir sobre como o brincar mudou ao longo das gerações. Brincadeiras de rua, como pique-esconde, queimada e futebol, deram espaço a uma rotina cada vez mais conectada às telas.

Para a auxiliar de limpeza Hozana da Silva, a diferença é perceptível no cotidiano das crianças atuais. Ela relembra uma infância marcada por atividades ao ar livre e observa mudanças no comportamento infantil. Segundo ela, hoje muitas crianças permanecem grande parte do tempo com dispositivos eletrônicos em mãos.

O tema ganha destaque especialmente no Dia Mundial do Brincar, que reforça a importância do desenvolvimento infantil por meio da interação e da criatividade. Especialistas apontam que o avanço da tecnologia trouxe novas formas de entretenimento, mas também desafios para o equilíbrio entre o digital e o mundo real.

A terapeuta ocupacional da Universidade de São Paulo, Amanda Sposito, explica que fatores sociais também influenciam essa mudança. Entre eles, estão a redução dos espaços seguros para brincar, rotinas familiares mais atarefadas e o aumento do tempo em ambientes fechados. Nesse cenário, as telas acabam sendo utilizadas com frequência para ocupar o tempo livre das crianças.

Ela também coordena um estudo sobre como as tecnologias digitais influenciam o brincar infantil. A pesquisa, realizada com 14 crianças, identificou que o uso excessivo de dispositivos pode reduzir a criatividade e dificultar a criação de brincadeiras fora do ambiente digital. Segundo a especialista, muitas crianças relatam dificuldade em imaginar atividades sem a mediação de telas.

Saúde física e mental

Organizações de saúde, como a Organização Mundial da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria, recomendam limites de tempo de exposição às telas de acordo com a idade. As orientações consideram possíveis impactos no desenvolvimento cognitivo, emocional e físico das crianças.

Entre os riscos associados ao uso excessivo estão problemas de visão, alterações no sono, dificuldades de socialização e exposição a conteúdos inadequados. Por isso, especialistas reforçam a importância de equilibrar o tempo de uso de dispositivos com atividades presenciais e interativas.

O controle do conteúdo acessado também é apontado como essencial. Ferramentas de controle parental têm sido utilizadas por famílias para monitorar e limitar o acesso das crianças às plataformas digitais. A lojista Edilaine Ferreira relata que estabelece limites diários de uso para a filha e acompanha de perto o que ela consome online.

Uso responsável das telas

Apesar dos riscos, especialistas defendem que a tecnologia não deve ser vista apenas de forma negativa. O uso consciente pode contribuir para o aprendizado e o desenvolvimento de habilidades importantes quando bem orientado por adultos.

Um exemplo é o projeto social Gaming Park, que atua com crianças e adolescentes em comunidades do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. A iniciativa utiliza jogos digitais como ferramenta educativa, promovendo aprendizado, socialização e desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

Segundo a coordenação do projeto, os jogos podem estimular o trabalho em equipe, a comunicação e o pensamento crítico, desde que utilizados com acompanhamento e propósito educativo. A proposta é transformar o ambiente digital em um espaço de aprendizado e convivência.

Educação midiática

Especialistas defendem que o equilíbrio no uso das telas passa pela educação midiática e pelo letramento digital desde a infância. A ideia é preparar crianças para compreenderem melhor o ambiente digital e fazerem escolhas mais conscientes sobre o conteúdo que consomem.

Isso inclui entender como funcionam os algoritmos, reconhecer riscos de desinformação e aprender sobre segurança e privacidade online. Para os pesquisadores, a formação digital deve envolver famílias, escolas e também as plataformas tecnológicas.

Há ainda o entendimento de que empresas de tecnologia devem ser corresponsáveis por incentivar o uso saudável de suas ferramentas, evitando mecanismos que estimulem o consumo excessivo e desregulado.

Fonte: cenariomt

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