Uma pesquisa nacional aponta que a menstruação impacta de forma significativa a permanência escolar no Brasil. Entre estudantes que menstruam, cerca de 37,1% faltam às aulas mensalmente por causa de dores, enquanto seis em cada dez relatam cólicas moderadas ou intensas que prejudicam a rotina escolar e exigem uso de medicamentos.
O levantamento foi realizado pelo Instituto Alana em parceria com o Equidade.info, com base em entrevistas com estudantes, professores e gestores de diferentes redes de ensino e regiões do país.
Sintomas e impacto na rotina escolar
A cólica aparece como principal fator de afastamento das aulas, citada por 57,7% das entrevistadas. Outros sintomas incluem cansaço e dores no corpo, dor de cabeça, desconfortos abdominais, além de fatores emocionais como vergonha e medo de vazamentos. A falta de banheiro adequado e de produtos de higiene também influencia a evasão escolar.
Segundo a pesquisa, os sintomas podem resultar em cerca de dois dias de ausência por mês. Especialistas alertam que esse afastamento compromete o aprendizado e o vínculo das estudantes com a escola.
Desigualdade racial nos efeitos da menstruação
O estudo também identifica desigualdades raciais. Embora meninas negras relatem menos cólicas intensas, elas acabam faltando mais às aulas. Cerca de 14,5% das alunas negras perdem de dois a cinco dias por mês, contra 9,6% das alunas brancas.
Entre as que relatam dor intensa, 37,5% são brancas, enquanto 25,9% são negras. Especialistas apontam que fatores culturais podem levar meninas negras a normalizar a dor e buscar menos atendimento.
Infraestrutura e desigualdade regional
Regiões como Norte e Centro-Oeste apresentam maior impacto da falta de infraestrutura básica. A ausência de banheiros adequados e produtos de higiene aparece como motivo relevante de faltas, especialmente nessas localidades.
Menarca precoce e intensificação das dores
A pesquisa indica aumento de casos de menarca precoce no país. Mais de 65% das entrevistadas relataram primeira menstruação até os 11 anos. O estudo aponta ainda relação entre início precoce do ciclo e maior intensidade das cólicas ao longo da vida escolar.
Educação e políticas de saúde menstrual
Especialistas defendem que o tema seja tratado como questão de saúde pública e educação, com protocolos de faltas justificadas e ampliação do debate nas escolas desde os primeiros anos do ensino fundamental.
Impacto também entre profissionais da educação
O levantamento mostra que a menstruação também afeta trabalhadoras da educação. Parte das professoras e gestoras relatou já ter faltado ao trabalho por causa de sintomas menstruais, embora em proporção menor que entre estudantes.
Desconhecimento e tabu entre estudantes
Entre alunos do sexo masculino, quase 37% afirmam não refletir sobre a menstruação, o que evidencia a persistência de tabus e a necessidade de ampliar o debate dentro das escolas.
Consequências da naturalização da dor
O estudo alerta que a normalização das dores menstruais pode atrasar diagnósticos de doenças mais graves, como a endometriose, que muitas vezes leva anos para ser identificada. A falta de investigação adequada na adolescência pode agravar problemas na vida adulta.
Pesquisadores reforçam que políticas públicas de saúde menstrual são essenciais para garantir equidade no ambiente escolar e reduzir desigualdades que começam ainda na adolescência.
Fonte: cenariomt




