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Papa critica discriminação e baixa fertilidade: alerta sobre desafios à maternidade

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2026

O Papa Leão XIV criticou a rejeição dos valores cristãos nas instituições europeias, levando ao que ele caracterizou como “um tempo de esterilidade drástica” e “políticas supostamente favoráveis à família” que também apoiam o aborto. Em audiência realizada no dia 25 de maio com membros do Intergrupo sobre Demografia do Parlamento Europeu, o pontífice ressaltou o lugar central da família — fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher — como pilar para evitar tanto a intervenção excessiva do Estado quanto o avanço do individualismo.

O Santo Padre denunciou o que descreveu como “rejeição da inspiração cristã dos pais fundadores das instituições da União Europeia”, o que em sua visão levou “a um tempo de esterilidade drástica, não apenas porque muitos foram privados do direito de nascer, mas também porque houve uma falha em transmitir as ferramentas materiais e culturais de que os jovens precisam para enfrentar o futuro”.

“Como resultado, não raro nos deparamos com as reivindicações contraditórias de políticas supostamente favoráveis à família, que simultaneamente promovem a discriminação contra a maternidade, exaltam o aborto como um direito e minam o próprio fundamento do desejo de constituir uma família”, alertou Leão XIV. Ele insistiu na necessidade de estudar essas questões dentro de órgãos acadêmicos, políticos e sociais, afirmando que o desafio demográfico “representa uma encruzilhada crucial para o futuro antropológico, social e econômico da Europa”.

Em seu discurso, o papa também descreveu o declínio demográfico da Europa como “um desafio urgente”, que abrange não apenas os problemas decorrentes do envelhecimento da população, mas também o que ele chamou de “pandemia da solidão”. Segundo o mais recente relatório do Eurostat sobre demografia na Europa, todos os países da União Europeia registraram taxas de natalidade em declínio desde 2004. Em 2024, a taxa ficou em 7,9 nascidos vivos por 1.000 habitantes, e em 2025 a idade mediana da União Europeia atingiu 44,9 anos.

O pontífice enfatizou que os dados demográficos “não são meras estatísticas, mas falam de paternidade, maternidade e filhos. E os filhos são o futuro!” Ele também destacou que a “solidariedade entre gerações”, atualmente ausente na Europa, é essencial para alcançar um desenvolvimento integral e sustentável.

Segundo o Santo Padre, a chave para encontrar soluções para os desafios demográficos está “na dignidade fundamental de todas as pessoas” e no papel da família na sociedade. Ele recordou que a família é “a primeira e insubstituível escola de vida social” e é “fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher”. Por essa razão, ele instou os parlamentares a promover a responsabilidade compartilhada e o papel ativo das famílias na vida social, política e cultural, porque, disse ele, “somente respeitando e promovendo esse lugar central da família, e aplicando o princípio da subsidiariedade, é possível evitar os dois extremos da intervenção estatal excessiva e do individualismo”.

Essa abordagem, observou, fornece os “princípios imutáveis que certamente podem orientar” a sociedade a responder questões fundamentais: “Qual é o significado e o valor da vida humana; o que é uma sociedade humana autêntica; e que tipo de mundo queremos deixar para as gerações futuras”.

Com base nisso, ele enfatizou que as políticas nacionais e da União Europeia “precisam ser desenvolvidas e formuladas em parceria com a sociedade civil” para que “as políticas olhem para as pessoas humanas em sua totalidade e sempre promovam a dignidade dos seres humanos”. “Dessa forma, um caminho genuinamente humano pode ser aberto para resolver a crise demográfica, orientado para o bem comum e o bem-estar das gerações futuras”, afirmou.

Em conclusão, o papa destacou que “somente uma nova primavera para a família pode transformar o frio invernal de nossas populações envelhecidas!” O encontro no Vaticano ocorreu por ocasião da Conferência sobre Família e Demografia realizada em Roma, que também contou com a presença da comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Šuica; da ministra italiana para família, natalidade e igualdade de oportunidades, Eugenia Roccella; e da representante especial da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) sobre mudança demográfica e segurança, Gudrun Kugler.

©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Pope decries ‘drastic sterility,’ discrimination against motherhood in Europe https://www.ewtnnews.com/vatican/pope-decries-drastic-sterility-discrimination-against-motherhood-in-europe

Fonte: gazetadopovo

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