A taxa de homicídios de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil registrou uma queda de 33,9% entre 2014 e 2024, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
No período analisado, foram contabilizados 301.825 jovens assassinados nessa faixa etária, o equivalente a cerca de 75 mortes por dia. Esse grupo representou 46,5% de todas as vítimas de homicídios no país.
O levantamento indica que, embora haja redução geral, os resultados variam significativamente entre os estados. O Distrito Federal apresentou a maior queda, seguido por Goiás e São Paulo. Em contrapartida, algumas unidades federativas registraram aumento nas taxas, como Amapá, Pernambuco e Bahia.
Entre os homens jovens, a redução foi ainda mais acentuada, chegando a 39,1% no período. Em 2024, o país registrou 19.801 jovens assassinados, com taxa média de 42,2 homicídios por 100 mil habitantes.
Quando considerados os chamados homicídios ocultos, que incluem mortes violentas possivelmente subnotificadas, a taxa estimada sobe para 46,1 por 100 mil pessoas.
Em 2024, São Paulo apresentou a menor taxa de homicídios entre jovens, enquanto Amapá e Bahia concentraram os índices mais elevados do país.
Os dados também dialogam com estimativas globais da Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta cerca de 193 mil mortes violentas de jovens por ano no mundo, com essa faixa etária respondendo por aproximadamente 40% das mortes violentas globais.
No recorte por gênero, o estudo reforça que a violência letal atinge majoritariamente homens. Dos 19,8 mil jovens mortos em 2024, 18.545 eram do sexo masculino. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, a grande maioria dos casos envolveu armas de fogo.
Segundo os pesquisadores, a violência letal no Brasil está concentrada em áreas mais pobres e periféricas, refletindo fatores estruturais e sociais. O coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, destaca que a trajetória de violência começa muito antes do desfecho fatal, atingindo crianças e adolescentes ao longo da vida.
O estudo também detalha o cenário entre crianças e adolescentes. Em 2024, foram registrados 179 homicídios de crianças de 0 a 4 anos e 320 casos entre 5 e 14 anos. Já entre adolescentes de 15 a 19 anos, houve 4.570 mortes, embora com queda significativa em relação a 2014.
Ao todo, cerca de 14 crianças e adolescentes foram assassinados por dia no Brasil em 2024, segundo o levantamento.
O uso de armas de fogo predomina especialmente entre adolescentes, enquanto entre crianças menores há maior diversidade nos meios de agressão. O estudo aponta ainda que a violência doméstica segue como a principal forma de violência contra menores no país.
Pesquisadores reforçam que o avanço no controle de armas e o fortalecimento de políticas de proteção à infância são considerados elementos centrais para a redução dos índices de violência letal no país.
Fonte: cenariomt




