A Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá (SMS) divulgou a 18ª edição do Boletim Epidemiológico das Arboviroses, consolidando o monitoramento de vetores e notificações de saúde pública no período compreendido entre 1º de janeiro e 15 de maio de 2026. Os indicadores oficiais apontam para um recuo expressivo na circulação e no contágio por dengue e chikungunya na capital mato-grossense na comparação com a série histórica do ano anterior.
O relatório, estruturado pela Diretoria de Vigilância em Saúde, revela que a média de notificações semanais por dengue caiu 50,5%. No ano de 2025, a curva epidemiológica sustentava uma média semanal de 96,7 suspeitas da doença, índice que despencou para 47,9 casos semanais neste ano de 2026. O dado encerra uma sequência de nove semanas consecutivas em que a incidência operava com viés de alta.
O comportamento da febre chikungunya representou a variação estatística mais relevante do boletim municipal, com uma redução de 99% no volume de prontuários gerados pela rede de atenção básica. Em 2025, o município enfrentava uma média severa de 564,3 notificações semanais, número que caiu para uma média controlada de apenas 5,4 registros semanais em 2026.
O vírus zika segue classificado como um patógeno de baixa circulação endêmica no ecossistema urbano de Cuiabá. No recorte mais recente do monitoramento semanal, a Vigilância Epidemiológica catalogou a entrada de apenas dois novos quadros isolados de dengue e um único caso suspeito de zika em toda a capital.
Panorama do balanço acumulado e taxas de incidência
No acumulado geral de janeiro até a metade de maio de 2026, a dengue registrou 910 casos notificados e 388 confirmados, apresentando uma taxa de incidência geral de 46,5 casos por 100 mil habitantes. Desse total, 322 contágios foram classificados como autóctones, ou seja, contraídos dentro do próprio município. O boletim aponta ainda um óbito confirmado e outro em processo de investigação laboratorial.
Para a chikungunya, o município contabilizou 102 notificações e 99 confirmações, sendo 50 casos autóctones. A incidência da doença fixou-se em 7,2 casos por 100 mil habitantes, sem qualquer registro de mortes. A zika permanece no patamar mais baixo do monitoramento, somando sete casos notificados e dois confirmados, o que representa uma incidência de 0,4 por 100 mil habitantes e sem mortes relacionadas.
Alívio na rede de urgência e emergência
O arrefecimento das notificações gerou impactos diretos na gestão de leitos e no tempo de espera do cidadão na rede municipal de saúde. A secretária de Saúde de Cuiabá, Deisi Bocalon, ponderou que os números coroam o cronograma de mutirões de limpeza e aplicação de larvicidas efetuados nos bairros.
A secretária adjunta de Atenção Especializada, Najla Brito, complementou ressaltando que o esvaziamento das filas de triagem por síndromes febris desafoga as estruturas físicas. Com menos casos graves e menor procura por atendimentos relacionados às arboviroses, a gestão ganha fôlego para organizar melhor os fluxos assistenciais e oferecer um cuidado mais eficiente e humanizado aos pacientes com outras patologias.
Vacinação de crianças e alerta sobre automedicação
Mesmo diante do quadro favorável, as autoridades sanitárias advertem que o clima tropical e o acúmulo de biomassa úmida exigem a manutenção dos cuidados domésticos contra o vetor Aedes aegypti. A eliminação diária de focos de água parada em calhas, vasos e garrafas continua sendo a medida mais eficaz de bloqueio mecânico do mosquito.
A prefeitura também relembrou que está em andamento a campanha de vacinação contra a dengue focada na faixa etária de 10 a 14 anos, disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) em esquema de duas doses. A recomendação expressa para os cidadãos que manifestarem febre súbita, dores atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele e dores articulares é procurar atendimento imediato e evitar o uso de medicamentos por conta própria, especialmente os salicilatos (como a aspirina), que podem precipitar quadros hemorrágicos graves.
Fonte: cenariomt




