Acusado responderá por feminicídio qualificado, sequestro, tortura e ocultação de cadáver; exames periciais podem incluir novos crimes e apontar coautores.
A 27ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá formalizou a denúncia contra um homem acusado de praticar crimes hediondos contra a própria irmã, uma adolescente de 17 anos, no dia 10 de março de 2026. A acusação envolve feminicídio qualificado, sequestro qualificado, tortura e ocultação de cadáver. O Poder Judiciário recebeu a peça acusatória, dando início oficial ao processo.
De acordo com os representantes do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o órgão avalia o aditamento da denúncia para incluir a capitulação de estupro de vulnerável e o indiciamento de possíveis coautores. A decisão depende estritamente do fechamento de laudos periciais complementares e do avanço das investigações policiais que correm em paralelo na capital.
Emboscada familiar e tortura
Os relatos contidos na denúncia expõem a crueldade aplicada na execução do crime. O Ministério Público aponta que o réu tirou a vida da irmã por asfixia mecânica em um ambiente de severa violência doméstica. Para cometer o homicídio, o acusado utilizou uma emboscada sob o falso pretexto de uma visita familiar, anulando as chances de reação da vítima.
Antes de cometer o assassinato, o homem manteve a adolescente em cárcere privado e a submeteu a sessões de tortura física, resultando em queimaduras severas de segundo e terceiro graus por todo o corpo. Após o homicídio, as investigações apontam que ele transportou e jogou o corpo no leito do Córrego Vassoura, com o claro intuito de atrasar as buscas e ocultar as provas da agressão.
A dinâmica do crime passo a passo
A reconstituição dos fatos elaborada pelo setor de inteligência policial detalha a conduta calculada do acusado na manhã do crime. Ele realizou uma mudança de endereço com a companheira, saindo de uma casa no bairro Três Barras em direção a uma nova moradia no bairro Tancredo Neves, contando com o auxílio de um segundo irmão.
A sequência dos fatos seguiu o seguinte roteiro:
- Isolamento da Vítima: Após finalizar o transporte dos móveis, o réu levou o familiar que o ajudava de volta ao bairro de origem;
- Falsa Promessa: O suspeito foi até a residência da adolescente e a convenceu a acompanhá-lo, prometendo levá-la para visitar a mãe de ambos;
- Ameaça ao Companheiro: O parceiro da jovem tentou impedir a saída, mas cedeu após sofrer fortes ameaças verbais por parte do denunciado;
- Cárcere Privado: Em vez de seguir para a casa materna, a menor foi conduzida ao antigo imóvel desocupado do réu, local onde foi torturada e assassinada.
MPMT pede indenização e mantém investigações
Na peça jurídica enviada ao juízo competente, o Ministério Público fixou o pedido de uma indenização mínima a ser paga pelo réu em favor da família da adolescente, estipulada em 40 salários mínimos, visando a reparação civil por danos morais e materiais decorrentes da perda trágica.
A Promotoria de Justiça reforçou que existem indícios consistentes sobre a participação de terceiras pessoas no auxílio logístico ou na facilitação do crime. Por essa razão, os inquéritos policiais continuam abertos em Cuiabá para identificar e responsabilizar qualquer envolvido que tenha colaborado com o plano criminoso.
O caso reforça a gravidade dos índices de violência familiar registrados no estado em 2026. A atuação rápida das forças de segurança e do Ministério Público busca garantir o andamento célere do processo e a aplicação rigorosa da lei, trazendo uma resposta institucional para a sociedade diante de crimes de extrema perversidade no ambiente doméstico.
O portal CenárioMT segue acompanhando o desdobramento do processo judicial e as decisões das varas criminais para atualizar o leitor sobre a resolução deste caso.
Com informações do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
Fonte: cenariomt




