Representantes de rádios e televisões que integram a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) se reuniram entre segunda-feira (18) e terça-feira (19) no Rio de Janeiro para discutir os rumos da comunicação pública no país.
O encontro tem como foco o fortalecimento da cooperação entre emissoras regionais e veículos geridos pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), além da ampliação da produção e distribuição de conteúdos públicos.
A RNCP reúne emissoras não comerciais e instituições públicas e vem se expandindo ao longo dos últimos anos, com adesão de universidades e órgãos governamentais. A rede foi impulsionada pela estratégia de compartilhamento de infraestrutura e conteúdos por meio da EBC.
Atualmente, o governo federal busca ampliar a cobertura do sistema público de comunicação, previsto na Constituição como complementar aos sistemas privado e estatal.
De acordo com dados apresentados pela EBC, a RNCP alcançou cerca de 330 emissoras em 2026, com crescimento acelerado desde 2024, quando teve início a fase de expansão de canais de rádio e televisão em parceria com instituições públicas.
Além do suporte técnico, as emissoras afiliadas recebem gratuitamente conteúdos da TV Brasil, Rádio Nacional e Rádio MEC, fortalecendo a programação local e regional.
Durante o encontro, um dos principais temas debatidos foi o financiamento da comunicação pública. As instituições voltaram a defender a regulamentação da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP), considerada essencial para sustentar a expansão da rede e viabilizar a transição tecnológica para a chamada TV 3.0.
Segundo informações oficiais, a CFRP é composta por recursos oriundos de empresas de telecomunicações. Em 2025, a EBC registrou arrecadação de R$ 3,8 milhões por meio do fundo.
Representantes da rede afirmam que a regulamentação e distribuição desses recursos podem fortalecer a infraestrutura das emissoras e ampliar o alcance da comunicação pública em todo o país.
O diretor-geral do Sistema de Rádio e Televisão do Espírito Santo, Igor Pontini, destacou a importância do financiamento para a manutenção das operações. Segundo ele, o modelo atual ainda depende de esforços combinados entre recursos públicos e iniciativas próprias das emissoras.
Pontini afirmou que, embora haja captação de recursos por meio de publicidade e apoio estadual, isso não é suficiente para sustentar a expansão necessária.
Ele também lembrou que, no passado, a EBC realizou repasses a afiliadas da rede, representando parte relevante da arrecadação publicitária do sistema público.
A presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, reforçou durante a abertura do evento a importância da comunicação pública em um cenário marcado pela circulação de desinformação e conteúdos automatizados.
Ela destacou que a expansão da rede é fundamental para garantir acesso à informação de qualidade e defender valores democráticos.
Outro ponto discutido foi a necessidade de ampliar o alcance das emissoras públicas, especialmente em regiões onde o sinal ainda é limitado. A radiodifusão, segundo participantes, segue desempenhando papel relevante mesmo com o avanço das plataformas digitais.
O gerente executivo de rádios da EBC, Thiago Regotto, afirmou que a missão da comunicação pública é chegar a regiões onde o mercado privado não atua de forma prioritária.
O encontro também celebrou os 90 anos da Rádio Nacional do Rio de Janeiro e antecede o 7º Simpósio Nacional do Rádio, que será realizado entre quarta-feira (20) e sexta-feira (22), com debates sobre o futuro da mídia sonora no país.
Fonte: cenariomt




