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Comando Vermelho e PCC dominam BolĂ­via: principais bases criminosas fora do Brasil

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2026

Na Ășltima semana, uma operação internacional das forças de segurança do Brasil e da BolĂ­via prendeu um casal em Santa Cruz de La Sierra, no paĂ­s vizinho, foragido daqui e acusados de serem lideranças da facção criminosa Comando Vermelho (CV) na Bahia. NĂŁo Ă© um fato isolado.

Esta notícia junta-se a uma série de prisÔes de integrantes do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) no país vizinho, o que evidencia um fenÎmeno em ascensão: fugidos do país, membros e líderes de facçÔes criminosas nacionais estabelecem-se na Bolívia, de onde seguem comandando os negócios ilegais dos grupos criminosos por aqui e por lå.

AlĂ©m do casal baiano, outra grande captura de criminosos do PCC foragidos do Brasil na BolĂ­via chamou a atenção na Ășltima semana. Felipe Anderson Pinho de Sousa, conhecido como “Felipe Pacote”, de 32 anos, e Gleison Gomes de Oliveira, o “ZĂ© Caboclo”, de 30 anos, foram localizados em uma chĂĄcara na cidade de Santa Cruz de La Sierra — eles sĂŁo apontados pela polĂ­cia como lideranças do PCC no CearĂĄ.

No local, os agentes apreenderam 21 armas, sendo 15 fuzis, carabinas e 3 pistolas. Além disso, foram localizados no imóvel fardamentos da polícia boliviana, drogas, 150 mil dólares, veículos e celulares. Dois bolivianos também foram presos durante a ação.

“Felipe Pacote” possui antecedentes por homicĂ­dio, associação criminosa, trĂĄfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Ele estava com um mandado de prisĂŁo em aberto expedido pela Justiça do CearĂĄ por integrar organização criminosa. “ZĂ© Caboclo” tambĂ©m possui passagens pela polĂ­cia por fazer parte do mesmo grupo criminoso.

Membros do PCC faziam a segurança de um dos fugitivos internacionais mais procurados pela polícia

De acordo com a PolĂ­cia Federal, a dupla de criminosos do PCC fazia a segurança pessoal do narcotraficante uruguaio Sebastian Marset — um dos fugitivos mais procurados pela AgĂȘncia Antidrogas dos Estados Unidos, capturado em março deste ano tambĂ©m em Santa Cruz, e extraditado para o paĂ­s norte-americano.

Em maio do ano passado, Marcos Roberto de Almeida, conhecido como “Tuta” e apontado como um dos principais lĂ­deres da cĂșpula do PCC atĂ© entĂŁo fora da cadeia, foi preso na BolĂ­via e transferido para o Brasil, onde cumpre pena no presĂ­dio federal de segurança mĂĄxima de BrasĂ­lia. O brasileiro foi identificado como um dos principais articuladores de um esquema internacional de lavagem de dinheiro da facção criminosa, e constava na Lista de DifusĂŁo Vermelha da Interpol.

A amplitude de fronteiras mal guardadas com Brasil, Paraguai e Peru — junto com a ColĂŽmbia, os principais produtores ou rotas de trĂĄfico internacional de drogas ilĂ­citas como a cocaĂ­na — favorece o trĂąnsito terrestre e aĂ©reo dos criminosos, em helicĂłpteros ou aviĂ”es de pequeno porte. A facilidade de subornar autoridades e viver com documentos falsos Ă© apontada pelo promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de RepressĂŁo ao Crime Organizado de SĂŁo Paulo (Gaeco), como motivo que leva integrantes de PCC e Comando Vermelho a se esconder na BolĂ­via.

O esconderijo prioritårio para as facçÔes: antes Paraguai, agora Bolívia

Em entrevista ao G1 em maio de 2025, logo apĂłs a prisĂŁo de “Tuta”, Gakiya afirmou que os faccionados tĂȘm “grande facilidade para ir e vir” no paĂ­s, sem serem incomodados. “O PCC domina a BolĂ­via. Nos anos 1990 e 2000, eles se escondiam no Paraguai, depois migraram para a BolĂ­via por essa facilidade de viver com documento falso, contando com a corrupção de policiais e autoridades locais”, disse o promotor na entrevista.

Em uma pesquisa na internet, Ă© possĂ­vel encontrar dezenas de casos deste tipo: de bandidos de grandes facçÔes criminosas foragidos do Norte ao Sul do paĂ­s e que foram presos na BolĂ­via do ano passado para cĂĄ. Apenas a Secretaria de Segurança PĂșblica da Bahia (SSP-BA) informa que seis lĂ­deres de facçÔes criminosas com atuação no estado nordestino foram capturados na BolĂ­via sĂł em 2026 (incluindo o casal da Ășltima semana), durante operaçÔes integradas de combate ao crime organizado transnacional.

De acordo com reportagem do site MetrĂłpoles do final de fevereiro, o Comando Vermelho possui uma hierarquia estruturada e bem definida no paĂ­s vizinho. De acordo com um comunicado atribuĂ­do a lideranças da facção, do dia 10 de fevereiro deste ano e obtido pela reportagem, integrantes identificados como “Bronix” e “Zeus” passam a assumir a condução das açÔes do grupo criminosos nas cidades bolivianas de Santa Cruz de La Sierra e Trinidad. 

“Zeus” refere-se a Luiz Carlos Bandeira Rodrigues, criminoso natural de RondĂŽnia, chefe do trĂĄfico de drogas na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro (RJ), segundo a polĂ­cia. O nome dele integra a Ășltima lista do MinistĂ©rio da Justiça e Segurança PĂșblica com os criminosos mais procurados do Brasil.

De acordo com o informativo, “Zeus” recebeu aval do chamado “Conselho Final BolĂ­via” para tomar decisĂ”es nas regiĂ”es de Guayara, Trinidad e Santa Cruz, podendo atuar em conjunto com “Bronix” ou outro integrante citado como “Lamborghini”.

Polícia brasileira fortalece cooperação com forças de segurança da região

Por trås do crescimento exponencial das prisÔes de brasileiros no país vizinho também podem estar esforços no aumento da cooperação entre as forças de segurança latino-americanas. O Brasil foi escolhido pela Interpol para chefiar uma força-tarefa inédita contra o crime organizado na América do Sul.

Com sede em Buenos Aires e coordenação da Polícia Federal brasileira, a iniciativa lançada em março de 2026 foca na aliança entre facçÔes e cartéis de drogas regionais. Policiais de todos os países sul-americanos trabalham lado a lado no escritório regional da Interpol em Buenos Aires.

Eles tĂȘm acesso direto ao banco de dados mundial da entidade, o que permite cruzar informaçÔes de biometria (como digitais), registros de apreensĂ”es e dados financeiros em tempo real. Os resultados da maior cooperação internacional começam a aparecer.

A Gazeta do Povo não localizou os advogados dos presos citados nesta reportagem, e o espaço segue aberto para manifestação. 

Fonte: gazetadopovo

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