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Como a Maternidade Transformou uma Jornalista em Empresária de Pães em Mato Grosso

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2026

Antes de se tornar conhecida pelos bolos e pães em Rondonópolis, Sol Andrade, de 50 anos, construiu uma trajetória na comunicação. Jornalista por formação, ela comandava um programa já consolidado sobre turismo em Mato Grosso, transmitido todos os fins de semana por uma TV local. A produção era independente, sustentada por parcerias comerciais e pela rotina intensa de viagens pelo estado.

Mas Mato Grosso é grande, e as pautas exigiam deslocamentos longos de carro. Foi durante a segunda gestação, aos 37 anos, que Sol percebeu que não conseguiria manter o ritmo do programa. Grávida, sem condições de seguir viajando como antes, precisou encontrar outra forma de garantir a renda da família.

“Quando engravidei, percebi que não conseguiria mais manter aquele ritmo. Foi quando precisei pensar em outra forma de trabalhar e garantir a renda da minha família”, lembra Sol.

Foi nesse período que surgiu a ideia de produzir pães. O que começou como alternativa para manter o sustento da casa se transformou, aos poucos, em negócio, clientela fiel e, mais de dez anos depois, em uma loja própria: a Sol Bolos e Pães.

Mãe solo de três filhos, Sol viveu a maternidade em fases muito diferentes da vida. Foi mãe pela primeira vez aos 20 anos, depois aos 37 e, mais tarde, aos 42. Entre uma gestação e outra, precisou reorganizar a própria rotina, o trabalho e as formas de sustentar a família.

A trajetória dela reflete uma realidade vivida por muitas mulheres em Mato Grosso. Segundo a pesquisa Empreendedorismo Feminino em Mato Grosso 2026, do Sebrae/MT, 68,2% das empreendedoras do estado têm filhos.

No caso de Sol, empreender não foi apenas uma escolha profissional. Foi uma necessidade que se misturou com oportunidade. Ao perceber que havia espaço no mercado de bolos e pães em Rondonópolis, ela começou a produzir, vender e conquistar clientes. Durante anos, o negócio funcionou sem loja aberta ao público, com vendas principalmente externas.

Ela lembra que, por muito tempo, a produção acontecia nos fundos da casa. Mesmo assim, o movimento cresceu. Sol chegou a ter cinco funcionárias, entregador e uma clientela consolidada. Mas a estrutura também trazia desafios. Na época, as entregas exigiam mais custos, não havia a facilidade dos aplicativos e grupos de entregadores, e manter equipe registrada pesava no orçamento.

A maternidade atravessou diretamente a rotina do negócio. Em 2016, quando engravidou da filha Helena, duas funcionárias também ficaram grávidas no mesmo período. Com as vendas externas representando praticamente toda a operação, ela precisou reorganizar a empresa, reduzir custos e repensar o formato de trabalho.

O sonho, no entanto, continuava o mesmo: deixar de ser “cozinha de fundos” e ter um espaço de referência para receber os clientes.

“Eu queria ter um espaço climatizado, bonito, dando condições para quem passasse levar meu bolo. E também precisava trazer a cozinha para frente, ter uma cozinha industrial, climatizada, com os equipamentos que eu já tinha conquistado ao longo dos anos”, contou Sol.

Depois de mais de uma década vendendo sem loja estruturada, Sol decidiu dar um passo maior. Em dezembro de 2024, começou a mexer na casa para transformar o espaço em loja. A decisão veio após receber um recurso da mãe, que inicialmente poderia ser usado para reformar a residência. Ela escolheu investir tudo no negócio.

“Quando recebi aquele recurso da minha mãe, pensei: não, agora eu vou realizar esse sonho. Eu queria deixar de ser cozinha de fundos e ter um lugar onde as pessoas pudessem entrar, escolher um bolo, se sentir bem recebidas. Investi tudo na loja”, contou.

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Empreender também começa dentro de casa

Pesquisa do Sebrae mostra que o local onde as mulheres empreendem revela a estrutura e os desafios enfrentados por elas.

45% das empreendedoras atuam em estabelecimentos comerciais.
24,8% empreendem a partir de casa, quase uma em cada quatro mulheres.
Entre mães solo, o estudo aponta uma dinâmica mais vulnerável: a proporção das que atuam em estabelecimentos cai para uma faixa entre 35% e 42%, enquanto cresce o percentual de mulheres que atendem na casa do cliente ou não têm local fixo de trabalho.

Fonte: Pesquisa Empreendedorismo Feminino em Mato Grosso 2026, Sebrae/MT.

O resultado foi a abertura de um espaço próprio, climatizado e com estrutura para receber os clientes. Para Sol, ter uma loja mudou a percepção do público e abriu novas possibilidades.

Com a loja, ela deixou de depender totalmente das vendas externas. Hoje, as entregas continuam, mas são feitas por entregadores. O espaço físico passou a funcionar como vitrine, ponto de referência e ambiente de acolhimento para quem acompanha a marca há anos.

Mesmo com a nova fase, parte importante da clientela vem de muito antes da loja. Sol conta que mantém clientes há 12 anos, pessoas que acompanharam o crescimento do negócio desde a época em que ela ainda vendia de forma mais simples, conciliando produção, maternidade e a responsabilidade de sustentar a casa.

“Ser mãe solo e empreender é não poder parar. Tem dias difíceis, mas eu sempre pensei nos meus filhos. Tudo que eu construí foi para dar conta da casa, cuidar deles e, ao mesmo tempo, fazer algo que tivesse sentido para mim”, afirma.

Fonte: primeirapagina

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